
Em meio à Operação Ágio, deflagrada nesta quarta-feira (5) contra o Comando Vermelho (CV) em Salvador e Região Metropolitana, uma nova estratégia da facção foi revelada pela polícia: a criação de denúncias falsas contra policiais para desviar o foco da corporação.
De acordo com o delegado Ernandes Júnior, um policial foi denunciado pelo CV à Polícia Militar, sob a acusação de suposto envolvimento em um crime de estupro. A denúncia, no entanto, era falsa, criada pela própria facção com o objetivo de desestabilizar o policiamento da região e facilitar a continuidade de crimes como extorsão contra comerciantes.
"Tivemos a informação que não procedia e a partir de então nós buscamos o Denarc para fazer essa investigação", afirmou Ernandes Júnior, referindo-se à apuração conduzida em conjunto com o Departamento de Repressão a Entorpecentes (Denarc).

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Investigação não encontrou fundamento na acusação
Não há nenhum policial investigado por conta da denúncia, que foi descartada pelas autoridades. Em entrevista ao MASSA!, o tenente-coronel Hildegard Dantas, comandante da Rondesp Atlântico, detalhou como a investigação teve início a partir da denúncia contra o próprio efetivo:
"Recebemos uma denúncia falsa acusando um policial nosso de estupro. Fizemos a verificação e constatamos que ela não procedia", iniciou.

A partir do ocorrido, o núcleo de inteligência da PM entrou em ação para rastrear a origem da denúncia. "Foi feita a detecção e buscamos o apoio do Denarc. Durante as investigações, a gente percebeu que se tratava tanto do tráfico de drogas, extorsão e os crimes violentos contra a vida", explicou o comandante, que estimou em cerca de um ano e dois meses o tempo de apuração do caso.
Ainda segundo Dantas, a manobra da facção tinha um objetivo claro: "Foi para desestabilizar a própria ação da Polícia Militar e despistar a ação de repressão ali."
Violência e extorsão marcam atuação do CV na região
Questionado sobre as características mais marcantes da atuação das facções na área sob seu comando, o tenente-coronel apontou a violência como traço predominante, ao lado do tráfico de drogas. "A extorsão tá vindo agora por parte dessa facção carioca. A gente já percebe em algumas áreas esse tipo de situação e, assim que percebemos, nós fazemos o devido combate", disse.
Ele afirmou que a corporação atua a partir do momento que identifica o crescimento da violência em qualquer localidade sob sua responsabilidade: "A gente vai logo no nascedouro da violência, e faz o devido combate. Esse é o papel das nossas rondas especiais".
Sobre as tentativas cada vez mais sofisticadas da facção de despistar o policiamento, Dantas foi direto: "É a tentativa de se organizar, mas o Estado é soberano e as forças de segurança pública estão aí para fazer esse combate".
Ainda segundo o comandante, a operação Ágio, deflagrada nesta quarta, enfraquece a atuação do CV na região: "Nossa operação ainda está com todos os números positivos que foram rendidos nessa ação e, a partir de então, a gente tem certeza do grau de eficiência que essa operação trouxe no dia de hoje".
Operação Ágio
A ação contra o CV mobiliza agentes das polícias Civil, Militar e Técnica desde as primeiras horas da manhã desta quarta-feira em bairros como Cosme de Farias, Nordeste de Amaralina, Tancredo Neves e Portão. Até o momento, ao menos 14 suspeitos foram presos por crimes como extorsão de comerciantes, além de outros ligados à facção, que também responde por assassinatos, tráfico de drogas e armas e lavagem de dinheiro.
Segundo apurado pela reportagem, os suspeitos capturados na capital baiana integram o bonde do traficante conhecido como Zoi de Gato, que está foragido. Mandados de prisão e busca e apreensão também são cumpridos no Rio de Janeiro e em Pernambuco, com o objetivo de desarticular financeiramente o grupo.

