
O desaparecimento do jovem Davi Fiúza, de 16 anos, está prestes a completar 12 anos sem um desfecho definitivo. O caso do jovem, ocorrido em 2014, passa por audiência de instrução na manhã desta segunda-feira (25), no Fórum Criminal Desembargador Carlos Souto, no bairro Sussuarana, em Salvador, onde se encontra a mãe do garoto, Rute Fiúza.
Em entrevista coletiva, a mulher, visivelmente abatida ao revisitar as memórias do filho, expressou que o desejo é de que o caso vá para júri popular e seja solucionado com brevidade.
Meu clamor é por júri popular
Rute Fiúza, mãe de Davi Fiúza
"Até agora nós não sabemos o que é que o juiz vai fazer, se ele manda a júri popular, se ele arquiva. Pode ser também, né? Então tudo é uma possibilidade, quando se trata da justiça desse país, tudo pode acontecer [...] Eu só espero que não seja arquivado, porque tem provas robustas de todo o fato. Não é invenção da cabeça de ninguém", enfatizou.
Em audiência anterior, uma testemunha ocular mudou o depoimento, afirmando não reconhecer os policiais envolvidos no caso. Rute repudiou a situação, mas afirmou que mesmo diante do novo fato, acredita que existem provas suficientes para que os culpados sejam punidos.
"É muito complicada a situação quando a testemunha principal muda e não reconhece mais os policiais. Mas as provas estão aí, né? O GPS está aí, o inquérito está aí, o Ministério Público inclusive está aqui hoje. Cabe agora à Justiça", disse a mãe de Davi.

Sensação de impunidade
Para Rute, o crime ainda não foi solucionado porque há policiais envolvidos. Após quase 12 anos, a mãe da vítima acredita que existe um atraso proposital para o andamento do processo.
"Quase 12 anos depois começa a ter as audiências e a sensação que eu tenho é que isso acontece de forma proposital para poder a gente esquecer e a gente não lutar, porque eles acham que é apaziguar mais a dor e que a mãe vai esquecer. Na verdade, não há esquecimento. A única coisa que eu desejo de verdade é poder dar um funeral digno ao meu filho [...] As pessoas geralmente enterram os seus mortos e eu não enterrei o meu. Eu não sei onde está o meu morto.", lamentou.
Além da sensação de impunidade em relação aos agentes de segurança, Rute ressalta que a situação tende a ser ainda mais complicada porque o filho era um jovem negro.
"Sabemos que a barbárie que o povo negro sofre, que as pessoas pretas sofrem o tempo todo. E também tem a questão do Estado através da sua polícia, principalmente a Polícia Militar. Nós sabemos que o Estado se autoprotege e levam policiais militares para ser julgados pelo próprio estado e a gente esperando que isso ocorra e que haja uma justiça é meio paradoxal para mim", disse.
Relembre o caso
Um dos mais emblemáticos de desaparecimento atribuído à ação policial na Bahia, o jovem de 16 anos foi visto pela última vez durante uma operação no bairro de São Cristóvão, em 2014. Até o momento, o corpo não foi encontrado.
"A questão é que a gente precisa de uma resposta, sabe? A gente precisa encerrar um ciclo e esse ciclo já está cansativo. Então, a gente quer finalizar tudo isso, mas de uma forma digna", finalizou Rute.
