
Olhar para o passado pode ser uma das melhores formas de trilhar um caminho para o futuro. Esse pensamento é o que define o Pagode do Nego Bom, novo projeto comandado pelo cantor Negão Jamaica. A iniciativa inédita acontece em paralelo ao trabalho de Negão como vocalista da Companhia do Pagode e promete resgatar as raízes musicais do artista.
Misturando diferentes sonoridades no repertório, o Pagode do Nego Bom é idealizado há quase 15 anos. O cantor decidiu tirar a ideia do papel em 2026 por conta do momento atual do samba. “O samba sempre esteve em alta e aqui na Bahia ele está muito forte. Ai eu falei que esse era o momento de colocar o meu projeto, é uma coisa que eu quero muito que saia do papel. Estou muito feliz com esse momento do Pagode do Nego Bom”, disse em entrevista ao MASSA!
Ainda que não abra mão de sua história na música, o baiano deseja explorar outras vertentes que ele não tinha liberdade de experimentar. É respeitando o que veio antes e abrindo espaço para o novo que Negão Jamaica constrói o diferencial de suas músicas.
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“A gente tem uma batida, que é o samba rock, que é uma coisa que vem de lá de trás, que Os Originais do Samba já faziam. Depois, aqui no Brasil teve o Molejo e ninguém mais se interessou por esse tipo de batida. A gente pegou esse samba rock, colocou uma pitadinha do nosso samba de roda e esse se tornou o diferencial do Pagode do Nego Bom”, detalhou.
O novo capítulo também é marcado por influências religiosas. Ao revisitar seu passado, o cantor também destacou a importância que o candomblé desempenhou em sua carreira. “A gente é de terreiro de candomblé, então tudo começa lá dentro da roça, com os tambores, os atabaques de nosso axé. Então, eu fui primeiro lá, bebi daquela fonte, pensei e falei que era aquilo que eu queria fazer”, afirmou.

A música que marcou o início do projeto se chama ‘Teresinha’ e já está disponível nas plataformas digitais. Com uma pegada romântica, a composição foi assinada por Iva Lawinscky, Adenilson Peluso e o cantor Beto Jamaica, que é irmão de Negão. O lançamento serve como uma forma de homenagem para todas as mulheres do país.
“Como eu sou um cara que começou no samba, no partido alto, eu gosto muito de cantar algo romântico. Eu sou um cara apaixonado pela vida, por minha família e pela minha esposa”, explicou.
Para encabeçar o Pagode do Nego Bom, o músico precisou enfrentar desafios que ele nunca tinha encarado antes. Apesar disso, estar a frente de seu próprio projeto também trouxe uma série de benefícios.
“Tem aquela coisa de você deixar um pouquinho de ser empregado, não para ser dono, mas para ter mais livre arbítrio. Quando você está em uma banda e quer fazer alguma coisa diferente, não pode”
Para consagrar o início desta nova fase, o cantor vai gravar um audiovisual no sábado (3). O show será restrito a convidados e Negão Jamaica decidiu não dar detalhes de onde será a apresentação. Sobre o repertório, ele garante que a pluralidade de gêneros musicais será um dos principais pilares na festa.

“A gente fez um repertório de MPB, um repertório do pagode 90 do Rio de Janeiro e de São Paulo, um repertório do pagodão 90 da Bahia também, em que eu vou levar como convidados Beto e Lu Costa”, revelou. Uma das pessoas essenciais para a realização dessa iniciativa foi Beto Jamaica.
Além de ser uma voz de destaque da música baiana, o vocalista do É o Tchan também prestou um apoio fundamental para seu irmão. “A importância de Beto é fundamental. O projeto está aí porque eu dei o pontapé inicial, mas eu falei que precisava da ajuda dele e ele falou ‘claro meu filho, venha aqui para conversamos’”, relembrou Negão.
Por fim, o baiano ainda enfatizou sua felicidade em finalmente entregar algo que está cozinhando há mais de uma década. “Eu estou muito feliz, tô com o coração batendo forte e já estou vendo o palco, o público se deliciando com nosso repertório”.

