
A influenciadora digital de Salvador que expôs ter sofrido um episódio de racismo por parte de duas mulheres brancas falou com exclusividade ao MASSA! sobre o caso. Segundo Andreza Nascimento, de 28 anos, é difícil saber como reagir diante de situações como esta.
Andreza Nascimento, que além de ser blogueira também é estudante de Publicidade, conseguiu filmar o momento em que as mulheres fazem comentários sobre o seu cabelo. Elas afirmam que a influencer não precisa pentear os fios e questionam a jovem, que explica que lava, hidrata, desembaraça e penteia como qualquer outra pessoa.
Assista:
A publicação no Instagram já alcançou mais de 11 milhões de visualizações. A influencer digital não esperava ter uma repercussão tão grande e revelou que gravou a cena apenas porque queria analisar se as falas preconceituosas foram ditas intencionalmente.
“Eu fiz a filmagem porque eu fiquei em dúvida, né? Eu acho que isso é muito comum de acontecer e a pessoa ficar em dúvida se de fato está acontecendo o racismo ou se é somente uma curiosidade. A gravação foi somente para depois eu analisar”, disse ela ao MASSA!.
Reação pacífica chama atenção da internet
Quando o vídeo de Andreza viralizou nas redes sociais, muitas pessoas se surpreenderam por causa da reação pacífica dela. A blogueira atribuiu a atitude ao fato de não saber o que fazer diante do preconceito.
“Graças a Deus eu estou muito tranquila. O que me dá medo é saber que isso é comum de acontecer e tem gente que não sabe lidar com isso”, desabafou ela.
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Outro ponto que contribuiu foi o fato de fazer acompanhamento psicológico. A moradora do bairro Cosme de Farias tem trabalhado para fortalecer a autoestima e não permitir que o racismo afete a forma que ela se vê.
“Eu, graças a Deus, sou uma pessoa muito bem resolvida. Eu faço terapia já tem 2 anos. Eu sou muito tranquila quanto a tudo, a minha cor, meu corpo, meu cabelo, enfim”, explicou.
Ao ser questionada se vai levar o caso para a polícia, afinal, racismo é crime, Andreza Nascimento revelou ainda está analisando o caso. “Dá para identificá-las pelas câmeras, porque eu não estava conseguindo lembrar do rosto delas, só de uma, mas eu não pensei nisso ainda”, disse.
Como denunciar racismo?
Diante de casos de racismo ou injúria racial, a vítima pode denunciar de forma presencial, online ou por ligação telefônica. Inclusive, se o crime estiver acontecendo pessoalmente, o indicado é ligar imediatamente para a Polícia Militar, pelo número 190, e o agressor será conduzido para a delegacia.
Reunir provas, como fotos, vídeos, prints de conversas ou outros tipos de registros, faz toda a diferença para contribuir com a apuração do caso. Além disso, registrar horário, data, local e informações sobre os envolvidos e possíveis testemunhas também facilitam este processo.
Canais de Denúncia
- Disque Direitos Humanos (Disque 100): canal gratuito e que funciona 24 horas por dia, aceita denúncias anônimas e pode ser acionado pelo telefone 100 ou pelo WhatsApp oficial (61) 99611-0100
- Polícia Militar (190): acione a polícia em caso de agressões físicas ou verbais que estejam acontecendo naquele momento
- Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (DECRIN): localizada na Rua Padre Luiz Figueira, no Engenho Velho de Brotas, em Salvador, a delegacia recebe casos de racismo e intolerância religiosa
- Denúncias virtuais: também é possível abrir um boletim de ocorrência a partir do site delegaciavirtual.sinesp.gov.br (clique aqui)
- Ministério Público da Bahia (MPBA): é possível registrar denúncias seguras e acompanhar casos por meio do aplicativo e plataforma Mapa do Racismo e da Intolerância Religiosa

