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Muda tudo? - 31/07/2026, 19:00 - Atualizado em 31/07/2026, 20:20

Acabou a festa? Veja como vivem os forrozeiros após o São João

Cantores revelam como a redução nas apresentações após os festejos juninos afeta a rotina, as finanças e o planejamento para o restante do ano

Forrozeiros explicam como é o cotidiano pós São João e São Pedro
Forrozeiros explicam como é o cotidiano pós São João e São Pedro |  Foto: Reprodução/Adobe Stock

Depois de semanas na estrada e agendas lotadas durante o São João e o São Pedro, muitos forrozeiros passam a viver uma realidade bem diferente quando julho chega ao fim. A quantidade de apresentações diminui, as viagens ficam menos frequentes e começa um período de baixa no mercado de shows, cenário que também impacta músicos, produtores, técnicos de som, iluminadores e outros profissionais que vivem do entretenimento.

O cantor Danniel Vieira revelou em entrevista ao MASSA! que consegue manter uma agenda ativa ao longo do ano por apostar em um repertório eclético e em eventos privados, a redução após os festejos juninos acontece de forma natural.

"Agora, em agosto, eu tenho seis shows. Esse número reflete que existe uma queda natural depois do São João. Mas, em setembro, a gente já tem nove apresentações. Os dois períodos do ano em que nós temos menos shows são março, logo após o Carnaval, e agosto", explicou.

Hora de descansar... e matar a saudade

Mesmo assim, o artista explica que o período serve para desacelerar e aproveitar momentos ao lado da família.

"São os dois momentos do ano em que eu procuro fazer alguma coisa com a minha família, fazer uma viagem, ir para a praia depois do Carnaval. Em agosto, eu faço aniversário de casamento também, então geralmente aproveito para viajar com a família”.

Danniel Vieira sempre apostou em um estilo eclético
Danniel Vieira sempre apostou em um estilo eclético | Foto: Divulgação

Após passar praticamente um mês em viagem, Danniel diz que o maior desafio deixa de ser o físico e passa a ser emocional.

"Depois do São João, a gente quer socializar, porque fica praticamente um mês dentro do ônibus, com saudade da família e dos amigos. Depois do Carnaval, você tem que cuidar um pouco mais da saúde por causa das viroses e gripes. Depois do São João, tem que cuidar um pouco da cabeça, ver as pessoas e socializar mais", afirmou.

Para suportar a maratona de apresentações, o cantor afirma que mantém uma rotina intensa de preparação durante todo o ano.

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"É um trabalho contínuo de condicionamento físico e, pelo fato de eu tocar o ano inteiro, também é um trabalho contínuo de condicionamento vocal. Então, o meu corpo acaba estando preparado durante todo o ano para todos os trabalhos que eu venho fazendo. Seja físico, seja vocal, eu me preparo durante o ano inteiro, graças a Deus", disse ao MASSA!

Planejamento financeiro é essencial

Além do desgaste físico, o artista destaca que a organização financeira é fundamental para enfrentar os meses de menor movimento.

"É uma luta muito grande porque, primeiro, a gente vive uma realidade de tocar muitas vezes recebendo 50% e esperando muito tempo para receber os outros 50%. Ou então existe todo um trâmite de documentação, e a gente chega a esperar até 90 dias para receber. Então, a gente tem que se planejar muito para que a equipe esteja paga, os impostos estejam pagos e a gente tenha uma saúde financeira para conseguir pagar as contas de casa e as contas da banda."

Mesmo com menos apresentações, o trabalho não para. O segundo semestre é dedicado aos lançamentos e ao planejamento dos próximos projetos.

"Eu gravei um audiovisual em abril. Vamos lançar uma música agora em agosto, outra em setembro, outra em outubro e outra em novembro. Já estamos preparando o verão e fazendo os ajustes do que vamos gravar para o primeiro semestre do ano que vem. É você terminando um ciclo e dando seguimento a um novo ciclo que já tinha sido planejado antes. O grande desafio é produzir o tempo inteiro."

Desafio ainda maior para quem vive do forró

Se Danniel consegue manter uma agenda distribuída ao longo do ano, a situação é diferente para grupos que têm o forró como principal identidade. Em Salvador, onde o gênero disputa espaço com outros estilos musicais, o período após o São João costuma exigir ainda mais planejamento.

Os cantores Guifer e Carola, da banda Forró E Eu Ligo, afirmaram ao MASSA! que a missão é fazer com que o forró continue presente durante todo o ano.

"A rotina, na verdade, de fato, se torna um desafio, principalmente dentro de Salvador. Nós, forrozeiros, estamos em busca de apoios para que o forró se mantenha anualmente, o ano todo, não só no período junino. Então, se torna uma luta grande, mas estamos nessa luta, em busca de ensaios para trazer novos artistas, artistas que já estão na carreira, para agregar aos jovens e fazer parte dessa rotina anual”, disparou Guifer.

A redução na agenda foi uma decisão estratégica para que a banda pudesse concentrar esforços em novos projetos.

"Após o São João, a gente meio que se deu um período de férias com a agenda de shows porque, de fato, a gente estava muito focado na entrega do audiovisual. Estaremos lançando música de trabalho, o audiovisual e preparando os ensaios. Esse primeiro momento de agosto vai ser de articulação para divulgar o que vem de agenda até o final do ano", explicou a cantora Carola.

Carola e Guifer, vocalistas do Forró E Eu Ligo
Carola e Guifer, vocalistas do Forró E Eu Ligo | Foto: Divulgação

Mesmo longe dos palcos, o grupo segue com o trabalho a todo vapor nos bastidores.

"Foi uma escolha nossa dar uma reduzida na maratona de shows. Tinham vários projetos no interior, inclusive projetos importantes, mas a gente precisava dar foco ao audiovisual. Os nossos músicos abraçam essa ideia. Mesmo que não seja em cima do palco, a gente está em estúdio, trabalhando. A roda não para de girar”, destacou Carola.

Segundo a cantora, a gestão independente também ajuda a enfrentar a sazonalidade do mercado.

"Hoje o Forró E Eu Ligo anda com as próprias pernas. Nós não temos um empresário por trás. Hoje, as pessoas responsáveis pelo Forró Eu Ligo são Guifer e a Maily (produtora da banda), que são os donos e sócios da banda. Com muito louvor, muita maestria e muito profissionalismo, abaixo de Deus, é isso que tem mantido a gente até aqui”, finalizou a artista.

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