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Data especial - 13/07/2026, 08:00 - Artur Soares

Dia do Cantor é lembrete da luta de quem vive de arte

Em Salvador, artistas encontram em barzinhos a chance de começar na música

Dia do Cantor é celebrado neste 13 de julho. Na foto, a  cantora Chá Rize
Dia do Cantor é celebrado neste 13 de julho. Na foto, a cantora Chá Rize |  Foto: Clara Pessoa / Ag. A TARDE

Sem a música, a vida com certeza não teria a mesma graça. Se hoje podemos desfrutar dessa arte tão diversa, é porque existem pessoas que diariamente reúnem coragem para subir aos palcos. O Dia do Cantor, celebrado no 13 de julho, serve como um lembrete da importância, desafios e glórias que envolve essa profissão. Nos bares de Salvador, milhares de talentos encontram um espaço onde podem começar a trilhar seu caminho nessa arte.

Para quem está iniciando, as coisas não são fáceis. É necessário perseverança e, acima de tudo, saber valorizar seu próprio trabalho. “É trabalhoso, mas é gratificante. Você tem que saber dividir a coisa do amigo e do trabalho, porque as pessoas às vezes não querem valorizar, pela questão do dinheiro. Mas, aos pouquinhos, você conversa e explica, as pessoas entendem e entram num acordo com você”, explicou a cantora Nina Sol em entrevista ao MASSA!.

Apesar de ter uma relação com a música desde a infância, Nina começou a cantar profissionalmente por volta de 2018. Ela não gosta de se limitar a apenas um estilo musical, passeando pelo forró, MPB, dentre outras referências sonoras. Ao longo de sua caminhada, a cantora percebeu a importância do “boca a boca” para quem é artista independente na capital baiana.

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Foto: Denisse Salazar / Ag. A TARDE

Tem gente que tem produtor, empresário, mas eu acredito que o boca a boca tem muita força. Em Salvador, por exemplo, eu comecei a cantar profissionalmente no Rio Vermelho e uma pessoa passou, me viu, e falou ‘eu tenho um restaurante em Praia do Forte e queria que você cantasse lá’”, detalhou.

Existem muitas diferenças entre se apresentar em um bar e subir em um palco. A principal delas está no contato que o artista tem com o público. “Os lugares que eu cantei para mais pessoas foram muito mais fáceis do que os para menos pessoas”, pontuou.

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Você não tem o contato íntimo, então não tem aquela troca de olhar, a pessoa não está dois dedos a sua frente, então é diferente.

Nina Sol
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Foto: Denisse Salazar / Ag. A TARDE

Se apresentar em bares também exige uma certa paciência e resiliência dos artistas. De vez em quando, surgem clientes que beberam demais e decidem começar confusões. Em momentos como esse, manter a calma é mais importante do que nunca. “Normalmente, esses lugares têm seguranças ou os donos dos bares para pedir auxílio. Eu nunca entro em embate com o cliente, porque não tem motivo, as pessoas estão lá para se divertir. Então, fique tranquilo, passe tranquilidade, que o cliente não vai ter outro retorno”, afirmou.

O que está além do horizonte

Mesmo que os barzinhos sejam uma ótima porta de entrada, eles não devem ser o destino. Quem começa a cantar dessa forma precisa buscar outros projetos para expandir suas carreiras. Foi assim que aconteceu com a cantora Chá Rize, que decidiu começar a investir em sua carreira como produtora.

Suas canções misturam MPB, axé e outros ritmos afro-baianos. Atualmente, Chá Rize está mais focada na organização de alguns saraus que acontecem por toda a capital baiana. A artista começou a investir na produção cultural por conta de algumas experiências chatas que aconteceram ao longo de sua carreira artística. Apesar disso, ela nunca abriu mão de se apresentar nos barzinhos.

“Eu não digo que saí [dos bares], digo que tenho diminuído a frequência. Na realidade, eu me tornei produtora por conta de situações desagradáveis dentro do mercado musical, como roubos, enganações e diversas situações que todo artista que tem um tempo de história já passou”, acrescentou.

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Foto: Clara Pessoa / Ag. A TARDE

Mais do que um ambiente para se apresentar, o bar também é uma vitrine para quem vive da arte. Chá Rize enfatiza o papel que esse espaço tem para quem deseja emplacar um bom repertório. “Eu acho que o bar tem um trabalho de difusão muito bacana, tanto para os novos artistas, quanto para consagrar artistas que já estão no mercado. O cantor que está começando muitas vezes leva uma música que foi lançada recentemente para o bar”

Neste 13 de julho, Chá Rize deixa uma dica essencial para quem quer viver da arte. Um propósito bem definido é, para ela, o pilar central de toda carreira artística. “Se você resolver estar no palco, faça o possível para melhorar o mundo em que vivemos”, afirmou.

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Se for com o intuito de ganhar dinheiro, nem vá, porque tem que ter muito sangue no olho e muita garra para fazer algum dinheiro.

Chá Rize
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Foto: Clara Pessoa / Ag. A TARDE

Nina Sol, por sua vez, destacou a importância da data como uma motivação para os cantores nunca desistirem de seus sonhos. “Acho que é o dia do sonho porque, querendo ou não, é uma profissão muito sonhadora, é uma profissão que exige de você a emoção e a razão”, completou.

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