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Cultura! - 21/01/2026, 07:30 - Vitória Sacramento

Exposição propõe curadoria afetiva construída por mulheres em Salvador

Ação é resultado de uma parceria entre o Acervo da Laje e o IAMO

Exposição passa por gerações e territórios
Exposição passa por gerações e territórios |  Foto: Divulgação

A exposição “Antônia Visita Pina” está em cartaz desde esta segunda-feira (19), no Café Pina, espaço de convivência do Instituto Audiovisual Mulheres de Odun (IAMO), no Quilombo do Coqueiro Grande, em Fazenda Grande 4 (Cajazeiras), em Salvador. Com entrada gratuita, a mostra segue até setembro de 2026 e propõe ao público uma experiência coletiva que articula memória, ancestralidade e práticas curatoriais construídas a partir do encontro entre mulheres negras, suas casas e suas histórias.

Resultado de uma parceria entre o Acervo da Laje e o IAMO, a exposição nasce de um processo que foge dos modelos tradicionais do circuito das artes visuais. A curadoria foi construída a partir de uma sequência de visitas entre territórios e gerações, instaurando um movimento de troca, escuta e afetos que transformou o próprio ato de visitar em gesto curatorial.

A ideia começou a ser gestada após uma visita de Viviane Ferreira, diretora criativa e de parcerias estratégicas do IAMO, ao Acervo da Laje, a convite de Vilma Santos e Gabriela Leandro. Do encontro surgiu o desejo de levar as filhas de Pina, avó de Viviane, para conhecer a exposição Memórias para Dona Antônia, homenagem à matriarca Antônia, mãe de Vilma. Durante esse percurso, o compartilhamento de memórias afetivas levou à compreensão de que Pina e Antônia, se tivessem se conhecido em vida, seriam grandes amigas, dando origem ao conceito que sustenta a exposição.

Exposição acontece no IAMO, em Fazenda Grande 4
Exposição acontece no IAMO, em Fazenda Grande 4 | Foto: Divulgação

A partir desse entendimento, o projeto passou a se desenvolver em movimento duplo: as filhas de Antônia visitaram a sede do IAMO, enquanto as filhas de Pina atravessaram a cidade para mergulhar no Acervo da Laje. Nesse processo, as quatro filhas de Pina foram convidadas a escolher até duas obras que mais lhes tocassem no acervo. Em seguida, as filhas de Antônia buscaram, em seu próprio acervo, obras que dialogassem com as escolhas feitas, estabelecendo pontes simbólicas entre as trajetórias das matriarcas.

Segundo Viviane Ferreira, a oralidade foi o fundamento central do processo. “À medida que se encontram para compartilhar refeições e visitar os espaços das instituições parceiras, elas trocam memórias e vivências, se surpreendendo com as semelhanças entre seus cotidianos, infâncias e práticas educativas de suas mães”, afirma. Para ela, o projeto revela mulheres que se reconhecem como contadoras de suas próprias histórias e constroem conhecimento a partir da experiência vivida.

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A curadoria da exposição foi construída de forma colaborativa, com participação direta das filhas das matriarcas homenageadas, e contou com assistência curatorial de Viviane Ferreira, Gabriela Leandro e Renata da Silva Cardoso, além de expografia assinada por Caroline Souza. Ao longo do processo, a proposta curatorial foi ampliada para incorporar objetos do cotidiano, fotografias, canções e materialidades que representam as matriarcas, afirmando o território não apenas como espaço físico, mas como memória, presença e legado.

Para Renata da Silva Cardoso, assistente de curadoria, a exposição afirma metodologicamente a legitimidade das experiências de mulheres negras como produção de conhecimento. Ao tomar as relações familiares, a memória doméstica e a vida cotidiana como eixo curatorial, Antônia Visita Pina desloca hierarquias históricas e reafirma esses campos como centrais na escrita da história.

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