
Todos os anos, o mesmo questionamento volta à tona: “Por que não liberar a torcida visitante nos Ba-Vis?”. Apesar do desejo de parte dos torcedores e até das diretorias, o Ministério Público da Bahia entende que ainda não há segurança suficiente para que as duas torcidas dividam o estádio nos clássicos.
Mesmo assim, a diretoria do Vitória protocolou um ofício junto ao MP-BA solicitando a presença de torcida mista na Arena Fonte Nova para a final do Campeonato Baiano, marcada para este sábado (7). O pedido do Rubro-Negro acontece porque a decisão será em jogo único e, pelo modelo atual, apenas a torcida do Bahia poderá comparecer ao estádio.
A adoção de torcida única é consequência do histórico recente de confrontos entre os dois lados, especialmente envolvendo as organizadas Bamor e Os Imbatíveis. A última partida entre Bahia e Vitória com presença de torcida visitante aconteceu em fevereiro de 2018, pela sexta rodada do Baianão, no episódio que ficou conhecido como “Ba-Vi da Paz” — que, de paz, não teve nada.
Tensão antes mesmo da bola rolar
Horas antes daquele confronto, o clima já era de guerra. Em diversos pontos da cidade foram registrados embates entre torcedores de Bahia e Vitória, aumentando ainda mais a tensão em torno do clássico.
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A partida foi intitulada de “Ba-Vi da Paz” por marcar o primeiro duelo com torcidas mistas após sete meses. O momento era visto como uma oportunidade para mostrar que era possível a convivência pacífica nas arquibancadas, mas a expectativa passou longe de se confirmar.
Jogadores também não ajudaram
Se fora de campo o clima era tenso, dentro das quatro linhas a expectativa era de que os jogadores dessem o exemplo. Antes da bola rolar, atletas de Bahia e Vitória se uniram para cantar o Hino Nacional e estenderam uma faixa pedindo paz nos estádios.
No entanto, o ambiente amistoso durou pouco. No início do segundo tempo, o meia Vinícius marcou o gol de empate do Bahia e comemorou dançando o “Créu” em frente à torcida do Vitória. O zagueiro Kanu não gostou da provocação, e uma confusão generalizada começou no gramado do Barradão.

Após a briga, quatro jogadores do Bahia e três do Vitória foram expulsos. Ainda assim, o clima seguiu quente, e o volante Uillian Correia também recebeu o segundo cartão amarelo aos 32 minutos da etapa final, deixando o Leão com menos um.
W.O
Revoltado com a arbitragem de Jailson Macêdo Freitas, o técnico Vagner Mancini orientou que o zagueiro Bruno Bispo forçasse o segundo cartão amarelo. Com isso, o Vitória ficou com número insuficiente de jogadores em campo, e a partida foi encerrada por W.O, com triunfo do Bahia por 3 a 0.
O Vitória acabou punido com multa de R$ 100 mil por ter provocado o encerramento da partida. O episódio virou motivo de provocação entre os rivais, e torcedores do Bahia passaram a se referir ao caso como “fuga das galinhas”.
Desde então, o Ba-Vi não voltou a ter torcida visitante. De lá para cá, foram disputados 25 clássicos, com 10 triunfos do Bahia, cinco do Vitória e 10 empates.
