
A conquista do tricampeonato mundial pelo Brasil em 1970, no México, país onde ocorreu a estreia do Mundial de 2026, garantiu à Seleção Brasileira um prêmio que parecia eterno: a posse definitiva da Taça Jules Rimet. O troféu mais desejado do futebol mundial passou a fazer parte da história do país, mas acabou envolvido em um dos maiores mistérios do esporte.
Décadas depois de chegar ao Brasil, a taça foi roubada e nunca mais foi recuperada. O caso virou investigação policial, inspirou livros, documentários e até hoje desperta curiosidade entre os amantes do futebol.
O prêmio dos primeiros campeões mundiais
Criada em 1930, a Taça Jules Rimet foi o primeiro troféu da Copa do Mundo. O nome homenageava o dirigente francês Jules Rimet, presidente da FIFA e um dos principais responsáveis pela criação do torneio.
Feita em ouro e com cerca de 3,8 quilos, a peça retratava a deusa grega Nice, símbolo da vitória. Pelas regras da época, a seleção que conquistasse três títulos mundiais ficaria definitivamente com o troféu.
O Brasil alcançou essa marca após os títulos de 1958, 1962 e 1970, tornando-se dono permanente da taça.
O troféu virou símbolo nacional
Após o tricampeonato conquistado no México, a Jules Rimet passou a ser exibida em eventos oficiais, celebrações e exposições pelo país.
Com o passar dos anos, o troféu foi colocado na sede da então Confederação Brasileira de Desportos (CBD), no Rio de Janeiro. Apesar de sua importância histórica e financeira, as medidas de segurança eram consideradas insuficientes.
A taça ficava dentro de uma vitrine de vidro no edifício da entidade, algo que mais tarde seria apontado como uma das principais falhas que facilitaram o crime.
O roubo que chocou o Brasil
Na madrugada de 20 de dezembro de 1983, criminosos invadiram a sede da CBD, localizada no centro do Rio de Janeiro.
Os ladrões conseguiram acessar o local e levaram a Taça Jules Rimet sem grandes dificuldades. Quando os funcionários chegaram para trabalhar pela manhã, encontraram a vitrine vazia.
A notícia rapidamente ganhou repercussão nacional e internacional. Afinal, não se tratava apenas de um troféu, mas de um dos maiores símbolos da história do futebol brasileiro.
O que aconteceu com a taça?
As investigações da polícia apontaram que o objetivo dos criminosos era derreter o ouro do troféu para vender o material.
Pouco tempo depois, alguns suspeitos foram identificados e presos. Entre eles estavam receptadores e pessoas ligadas ao planejamento do crime.
Segundo a versão aceita pelas autoridades, a Jules Rimet teria sido derretida em lingotes de ouro poucos dias após o roubo. Isso explicaria por que o troféu jamais foi encontrado.
Apesar das prisões e condenações, nunca surgiu uma prova definitiva de que a taça realmente foi destruída. Por isso, teorias e especulações continuam circulando até hoje.
Um mistério que atravessa gerações
Mais de 40 anos depois, o desaparecimento da Jules Rimet continua cercado de dúvidas.
Há quem acredite que a taça tenha sido escondida por colecionadores. Outros defendem que ela realmente foi derretida logo após o roubo. Sem evidências concretas, o caso permanece oficialmente sem solução definitiva.
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O Brasil ganhou uma réplica
Após o roubo, a FIFA autorizou a produção de uma réplica para representar o troféu conquistado pela Seleção Brasileira.
Embora mantenha o valor simbólico da conquista do tricampeonato, a réplica jamais teve o mesmo peso histórico da peça original levantada por craques como Pelé, Jairzinho, Tostão e Carlos Alberto Torres.
