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Grandes incentivadoras - 09/05/2026, 09:00 - Rebeca Nascimento - Atualizado em 09/05/2026, 09:45

Mães se desdobram para colar com filhos em atividades esportivas

Apesar de essencial, a rotina corrida pode impactar a saúde mental das mulheres

Mãe deixam seus sonhos de lado para acompanhar os filhos
Mãe deixam seus sonhos de lado para acompanhar os filhos |  Foto: Reprodução/Magnifc/Ilustrativa

Trabalho, estudos, tarefas domésticas e cuidados com os filhos. Estas são apenas algumas das demandas que milhões de mulheres enfrentam diariamente. Para algumas, a correria se torna ainda maior quando necessitam acompanhar seus rebentos nas práticas esportivas. Esta é a situação de duas mainhas que não deixam a peteca cair e lutam pela permanência de seus herdeiros no esporte.

A operadora de caixa Sinara Souza, de 40 anos, é mãe de duas filhas, Alice, de 17 anos, e Sophia, 6, que tem Trantorno do Espectro Autista (TEA). Ela revela que a rotina é puxada e que a organização é essencial para que consiga cumprir todas as demandas e acompanhar a pequena no balé.

Sinara conta com a organização para cumpre todas as demandas
Sinara conta com a organização para cumpre todas as demandas | Foto: Arquivo Pessoal

"Vamos adaptando de acordo com nosso tempo. Nos dias de balé eu levanto mais cedo, deixo tudo organizado para quando ela chegar da escola e eu chegar do trabalho ficar mais fácil", disse a mãe atípica.

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Sinara contou que tem o apoio do pai da filha mais velha e a presença do marido, mas, apesar disso, ela segue sendo a principal responsável pela resolução das tarefas. "Mãe é a mãe, né? Eu sempre me organizo, os outros me ajudam, mas eu sempre sou o suporte maior dela", explica Sinara, destacando que Sophia sempre fez esportes, incluindo equoterapia, método terapêutico que utiliza o cavalo em uma abordagem multidisciplinar.

Mesmo com muita organização, Sinara narra que o cansaço bate, mas a evolução da filha faz tudo valer a pena. "Eu já pensei várias vezes em desistir, mas o que me faz sempre continuar é que Sophia evoluiu muito e ela vem me dando uma resposta muito boa no desenvolvimento. Tudo isso me dá mais motivação para continuar. O esporte é o complemento das terapias dela. Foi uma das respostas maravilhosas do equilíbrio e concentração".

Sophia tem 6 anos e faz balé há 1 ano
Sophia tem 6 anos e faz balé há 1 ano | Foto: Arquivo Pessoal

'Corta um dobrado'

Quem também 'corta um dobrado' para oferecer o melhor para os filhos é a nail designer Erica da Cruz, de 29 anos. Ela é mãe de Theo, de 8, e de Murilo, 12. O mais velho joga futebol desde os 7, e ela faz de tudo para que o primogênito possa permanecer no esporte. "É uma rotina muito intensa pelo fato de ter duas crianças pra dar conta. Murilo estuda pela manhã e treina à tarde. Eu tenho que conciliar meu trabalho tanto com a rotina dele como com a do irmão, [além] dos afazeres dentro de casa", destaca.

Erica se esforça para criar dois filhos sozinha
Erica se esforça para criar dois filhos sozinha | Foto: Arquivo Pessoal

Assim como Sinara, Erica revelou que também já pensou em jogar a toalha, mas os filhos são sua prioridade. "Já pensei em desistir, mas meus filhos me impulsionam", afirma a mãe, que ressalta o esforço de Murilo.

Além de acreditar no sonho do filho, Erica expõe que o esporte foi essencial no momento de luto vivido por Murilo, há dois anos. "Após a morte do pai dele, foi através do esporte que eu tive apoio maior para incentivá-lo", desabafou a mãe, que cria os meninos sozinha.

Murilo joga futebol desde os 7 anos
Murilo joga futebol desde os 7 anos | Foto: Arquivo Pessoal
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É muito importante reforçar que não é sobre ajuda eventual e sim sobre dividir atividades e funções.

Psicóloga Fabiane Veimrober

Sobrecarga

Apesar do amor incondicional que estas mães têm por seus filhos, as duas mencionam o cansaço que a rotina pesada causa em suas vidas e de como muitas vezes se colocam em segundo plano. "Eu abri mão de muitas coisas em minhas vida, levei um tempo sem trabalhar, pois não tinha condição nenhuma de conciliar", conta Sinara.

"Muitas vezes vem um desespero de alma. Será que vou conseguir? Mas como disse, acima [de tudo a] ajuda de Deus é divina pra tamanha responsabilidade que tenho", disse Erica.

Saber administrar

A psicóloga Fabiane Veimrober, que também é mãe, explica a sobrecarga materna e como a mulher precisa administrar várias demandas e as emoções dos filhos. "São mães que trabalham, administram a casa e ainda precisam lembrar dos horários dos treinos, checar uniforme, lanches, eventos e etc. Além de precisar regular suas emoções, para poder dar suporte emocional aos filhos na prática de esportes, que envolve frustrações e expectativas das próprias crianças".

Fabiane Veimrober destacou a importância do compartilhamento de tarefas
Fabiane Veimrober destacou a importância do compartilhamento de tarefas | Foto: Arquivo Pessoal

Fabiane segue explicando que toda essa correia e acúmulo de tarefas podem impactar na saúde feminina. "A sobrecarga afeta de diversas maneiras a vida da mulher, que muitas vezes acredita que é assim mesmo e entra em funcionamento automático. Mas não é saudável, levando ao esgotamento físico e emocional, sensação de não desligar, sempre em alerta, sensação de culpa constante, aumento de ansiedade, irritabilidade, estresse e muitas vezes a sensação de invisibilidade e solidão". A psicóloga também destaca que muitas mães acabam se distanciado de uma vida prazerosa, com vínculos sociais, por não terem tempo, pelo cansaço e sobrecarga.

Para que a mãe possa ter uma vida com mais qualidade, a profissional alerta que é necessário ter ajuda e apoio. "É muito importante reforçar que não é sobre ajuda eventual e sim sobre dividir atividades e funções. Isso pode ajudar na redução da sobrecarga, divisão de tarefas, compartilhamento de responsabilidades, menos estresse e culpa", relata.

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