
As canetas emagrecedoras têm se popularizado cada vez mais no Brasil. Quem não usa provavelmente conhece alguém que utilize este tipo de medicação. Criados originalmente para o tratamento de diabetes mellitus tipo 2, descobriu-se que os medicamentos injetáveis agonistas do receptor GLP 1 possuem efeitos potentes para a perda significativa de peso e também passaram a ser utilizados em casos de obesidade.
Muita pessoas que desejam emagrecer de forma rápida, e que não têm prescrição médica, tem feito o uso dos injetáveis, colocando a saúde em risco. Mas outro ponto chama muito atenção. Com o aumento da procura do medicamento, também tem crescido o número de resíduos que ele tem gerado, e o descarte incorreto do material pode causar prejuízos para os seres humanos e ao meio ambiente.
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Daiane Cosme é gerente de Sistema de Gestão Integrada (SGI) da Retec, empresa especializada em engenharia ambiental que atua no gerenciamento de resíduos. A profissional destacou três riscos relevantes da gestão incorreta das canetinhas:

➡️ Riscos à saúde pública:
Coletores de resíduos podem sofrer acidentes com agulhas descartadas de forma inadequada, com potencial exposição a agentes biológicos e doenças.
➡️ Impactos ambientais:
Os resíduos químicos presentes nas canetas, quando descartados no lixo comum ou na rede de esgoto, podem contaminar o solo e a água, afetando ecossistemas e até a cadeia alimentar.
➡️Riscos sociais e sanitários:
Catadores em cooperativas ou lixões são especialmente vulneráveis a este tipo de material, podendo sofrer perfurações e contaminações.
Daiane também explicou que a popularização dos injetáveis trouxe um novo desafio para a gestão de resíduos na Bahia. "O crescimento no uso de medicamentos injetáveis fora do ambiente hospitalar, especialmente em residências, ampliou significativamente a geração de resíduos de saúde domiciliares.O principal desafio é que esses resíduos, embora gerados em casa, possuem características semelhantes aos resíduos hospitalares, exigindo manejo diferenciado".
"No entanto, ainda há uma lacuna na conscientização da população e na estrutura de logística reversa para o material. Isso demanda maior integração entre fabricantes, distribuidores, poder público e empresas especializadas em gestão de resíduos, além de campanhas educativas para orientar a população", seguiu esclarecendo.
Consumidores x descarte
Usando as famosas canetinhas há 11 meses, a consultora de beleza Thalita Costa confessa que, na primeira vez, vacilou e jogou o resíduo em lixo comum, mas depois começou a fazer o descarte de forma correta. "Como eu sou técnica de enfermagem de formação, acabei por lembrar que elas possuem alguns resíduos e que não podem ser descartadas em lixo comum. Depois disso, eu comecei a guardar e levo na farmácia para o descarte ser feito de maneira apropriada", contou Thalita, que leva as embalagens até o Drogaria São Paulo do Caminho de Areia, em Salvador.

Já a especialista em planejamento Elis Costa, que usa as canetas há um ano e quatro meses, costuma fazer a gestão dos resíduos no condomínio em que mora. "Descarto no lixo seco. No meu condomínio, se divide entre orgânico e seco", sinalizou Elis, que afirmou nunca ter visto pontos de coletas específicos para as canetas emagrecedoras.

"Nunca vi nenhum ponto de coleta específico disso, só de remédios de forma geral", pontou a moça.
Os resíduos químicos presentes nas canetas, quando descartados no lixo comum ou na rede de esgoto, podem contaminar o solo e a água.
Daiane Cosme, gerente de Sistema de Gestão Integrada
Como fazer o descarte de forma correta?
Agora que você já sabe o que o descarte incorreto destas canetas pode causar, se ligue em como gerir o material de forma correta, sem gerar problemas para a saúde humana e para a natureza. Anote aí as orientações:
➡️As agulhas devem ser armazenadas em recipientes rígidos, resistentes à perfuração (como coletores específicos ou, na ausência, garrafas PET bem vedadas);
➡️O conjunto da caneta (quando não reutilizável) deve ser levado a pontos de coleta apropriados, como farmácias, drogarias ou unidades de saúde que recebem resíduos domiciliares de saúde;
➡️ Nunca descartar em lixo reciclável ou comum, nem em pias ou vasos sanitários.
"Esse tipo de resíduo precisa de tratamento específico, conforme diretrizes da legislação ambiental e sanitária brasileira, como as normas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente)", detalhou Daiane Cosme.
