
Aniversários geralmente são símbolos de festa, comemoração e alegria, porém, nesta quinta-feira (24), Jair Ventura completa um ano no comando do Vitória em momento conturbado no clube. O treinador vive sequência negativa no Leão, principalmente no último mês, com cinco derrotas, um empate e apenas uma vitória no recorte.
Apesar do momento ruim, o técnico foi bancado no cargo, o que o levou a chegar no seu primeiro aniversário no clube e bater outra marca pessoal. Essa é apenas a segunda vez que o treinador completa um ano no mesmo clube, e com 64 jogos, o Vitória já é o segundo time que Jair mais comandou na carreira, atrás apenas do Botafogo (99).
A corda bamba vivida pelo técnico exemplifica a passagem de “montanha-russa” dele no Colossal, mesmo com um aproveitamento equilibrado. Jair Ventura tem 64 jogos pelo clube baiano, com 29 vitórias, 10 empates e 25 derrotas, marcando 90 gols e sofrendo 85, com um aproveitamento de 50,5%.
Como principais destaques da passagem, o comandante livrou o time do rebaixamento em 2025, conquistou a Copa do Nordeste e conseguiu resultados expressivos na Copa do Brasil de 2026, eliminando Flamengo e Athletico, aliado a um forte Barradão. Já do lado negativo, Jair foi vice-campeão baiano, não conseguiu imprimir um bom futebol fora de casa, e não deu a estabilidade esperada pelo Rubro-Negro em 2026 na Série A.

A maior dualidade do trabalho do comandante fica justamente pela diferença da equipe como mandante e visitante. No Barradão, Jair Ventura tem 24 vitórias, três empates e oito derrotas, com 71% de aproveitamento. O problema é fora da Toca, onde o aproveitamento despenca para 25%, com cinco vitórias, sete empates e 17 derrotas.
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2025 de missão concluída
Jair Ventura foi anunciado como novo treinador do Vitória no dia 24 de setembro de 2025, após deixar o comando do Avaí, assumindo o lugar de Rodrigo Chagas. A primeira e, até então, única missão recebida pelo carioca foi a de livrar a equipe do rebaixamento, já que o seu contrato era só até o fim do ano. Na época, o Leão estava na 17ª posição, com 22 pontos, faltando apenas 14 jogos para o final do Brasileirão.
A opção pelo técnico foi muito explicada pelo currículo de “bombeiro” de Jair, que com uma postura defensiva e reativa, já havia ajudado na campanha contra o rebaixamento do Botafogo em 2016, do Sport em 2020, do Juventude em 2021 e do Goiás em 2022.

Apesar da derrota por 3 a 1 para o Grêmio na estreia, os sinais foram positivos e deram frutos logo na sequência, quando o clube venceu o Ceará, o clássico Ba-Vi e a primeira fora de casa contra o Santos. Assim, a aposta Rubro-Negra deu certo: foram 14 jogos, com sete vitórias, dois empates e cinco derrotas, totalizando 55% de aproveitamento e a sexta melhor campanha da Série A no recorte, colocando o Colossal na 15ª posição. Dessa forma, com o apoio da torcida, o técnico renovou com o Vitória por mais uma temporada.
2026 e a montanha-russa
Já em 2026, presente no clube desde o primeiro dia do ano, a missão já era outra, fazer uma temporada mais estável. De início, a equipe fez um Campeonato Baiano discreto, com os pontos mais baixos sendo justamente nos clássicos Ba-Vis, quando perdeu na primeira fase e ainda fechou com o vice-campeonato estadual para o maior rival. Passado o estadual, o Leão engatou na temporada, com uma campanha segura no Brasileirão, Copa do Nordeste e na surpreendente Copa do Brasil.
Foi justamente na competição de mata-mata nacional o primeiro grande destaque do Colossal no ano, quando o Vitória virou a eliminatória e eliminou o Flamengo por 3 a 2 no agregado, fechando no Barradão. Seguindo no embalo, antes da pausa da Copa do Mundo, Jair Ventura conseguiu seu primeiro título com o Colossal, o da Copa do Nordeste, derrotando o Fortaleza e levantando o troféu no Barradão depois de 16 anos.

Os problemas, no entanto, vieram depois do retorno do Mundial. O Leão não voltou do mesmo nível do primeiro semestre, começando a gerar desconfiança da torcida, mesmo com outra classificação heróica na Copa do Brasil, dessa vez contra o Athletico. A queda de Jair no Colossal chegou ao seu pior momento pouco depois, quando a equipe perdeu quatro jogos seguidos, incluindo o clássico Ba-Vi, em casa, e duas derrotas nas quartas de final da Copa do Brasil, sendo eliminado para o Vasco.
Assim, Ventura balançou mais do que nunca no clube, mas foi bancado por Fábio Mota e se manteve no cargo. Apesar da nova confiança, o comandante está com a corda no pescoço, vivendo cada vez mais sob pressão da torcida, que encerrou o jogo contra o Cruzeiro com vaias para o treinador e sua equipe. Nesse período, o técnico chegou a ser procurado pelo Internacional para assumir o comando da equipe gaúcha, mas optou por seguir no comando do Vitória.
A expectativa do treinador agora é que o seu aniversário no Vitória seja uma virada de chave, gastando seu pedido especial em uma retomada no Leão. Agora, com uma pausa para Data Fifa, o técnico espera voltar a ter sinergia com a torcida do Vitória, em busca de, mais uma vez, escapar do rebaixamento em uma reta final decisiva.

