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Cultura Hip-Hop - 21/11/2023, 14:00 - Erem Carla - Atualizado em 22/11/2023, 09:43

Representante de decreto assinado por Lula pede atenção para a Bahia

Integrante do GT Construção Hip-Hop Bahia, que ajudou na construção do decreto de Valorização e Fomento à Cultura do Hip-Hop, Gold CBX comemora

Gold CBX ajudou a construir o decreto de Valorização e Fomento à Cultura Hip-Hop assinado pelo presidente
Gold CBX ajudou a construir o decreto de Valorização e Fomento à Cultura Hip-Hop assinado pelo presidente |  Foto: Foto: Arquivo Pessoal

Com mais de 20 anos atuando em prol da cultura Hip-Hop, morador da cidade baixa, bairro do Uruguai, em Salvador, Gold CBX ajudou, como integrante do Grupo de Trabalho (GT) Construção do Hip-Hop Bahia, a construir o decreto de Valorização e Fomento à Cultura Hip-Hop, que foi entregue ao presidente Lula (PT) e assinado nesta segunda-feira (21).

Facilitador do “GT Construção Nacional Hip-Hop Bahia”, Gold CBX ocupa a vaga da categoria Conhecimento além de coordenar o planejamento e a tecnologia do GT Parlamentar BA e ser um dos representantes do estado no GT de comunicação nacional.

Com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, as medidas foram construídas em parceria entre o Ministério da Cultura, a sociedade civil e a Construção Nacional da Cultura Hip-Hop
Com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, as medidas foram construídas em parceria entre o Ministério da Cultura, a sociedade civil e a Construção Nacional da Cultura Hip-Hop | Foto: Foto: Filipe Araújo/MinC

Em entrevista ao Portal Massa!, o MC comentou sobre os avanços em prol da cultura Hip-Hop no país e na Bahia, a representatividade do trap nos festivais baianos e os projetos para comemoração do dia 11 de agosto, instituído como Dia Nacional do Hip-Hop. Confira na íntegra:

Como você recebeu a assinatura do decreto de investimento do governo na cultura Hip-Hop?

A assinatura desse decreto é mais uma ação da Construção Nacional da Cultura Hip-Hop, que vem desde o começo do ano batalhando para que o hip-hop tenha esse fomento. E esse decreto é mais uma batalha vencida desse processo que envolve todos os estados brasileiros.

Como é formado o grupo de representantes da Construção Nacional Bahia?

São dez pessoas que compõem esse grupo que é denominado de facilitadores. Cinco titulares e cinco suplentes de cada segmento, dos segmentos: MC, DJ, Break, Grafite e Conhecimento. Então a gente está nessas reuniões nacionais e a gente ajudou a construir esse decreto que foi entregue ao presidente para ser assinado.

Quais avanços vocês tiveram dentro desse processo?

No último dia 26/10 foi lançado o edital da cultura hip-hop específico para cultura hip-hop, que está contemplando 325 fazedores de cultura entre artistas da cena do hip hop nacional e coletivos, que estão também dentro desse processo. São 325 prêmios para os fazedores de cultura em um edital específico da cultura hip-hop. Isso é um avanço, uma conquista da Construção Nacional junto com a Construção Bahia e a Construção de todos os estados. Esse é um avanço em conjunto, é uma ação coletiva que fez a gente alcançar esse projeto. Também tem a entrega do dossiê ao Iphan para reconhecer o hip-hop como um patrimônio imaterial. Esse processo está em andamento, mas já foi entregue o dossiê com a participação da Bahia, que fez o mapeamento dos fazedores de cultura da Bahia e detalhou todo esse mapeamento dentro desse processo e entregou junto com os outros estados num evento que teve no mês de agosto diretamente no Iphan.

Quais serão os ganhos reais do Hip-hop na Bahia com esse novo decreto?

Esse decreto solicita o fomento à cultura hip-hop. Ele quer que o hip-hop se encaixe dentro das políticas públicas dos seus estados e a âmbito federal, que nos próximos editais, o hip-hop tenha uma nomenclatura própria, que não seja encaixado só em “arte de rua”. Nós somos da arte de rua, mas o hip-hop é muito grande dentro do Brasil e nós provamos isso com a Construção Nacional. O hip-hop é grande o suficiente pra ter uma nomenclatura específica para os fazedores de cultura hip-hop e não entrar em uma cota. Nós precisamos do hip-hop com nomenclatura e que o planejamento dos governos Federal, Estadual e Municipal encaixem o hip-hop dentro dos seus cronogramas e das suas atividades artísticas durante o ano. Então esse é o ganho real da cultura hip hop, é o espaço garantido à nossa cultura específica.

O GT Construção Bahia tem uma categoria que é o GT Parlamentar. Como é essa atuação?

O GT Parlamentar vem buscando esse fomento junto com os nossos governantes pra gente poder acessar recursos e conseguir cada dia mais avançar nesse processo de novos fazedores de cultura e trazer essa juventude pra dentro desse processo. Já está na Alba (Assembleia Legislativa da Bahia) um documento, colocado pela deputada Fabíola Mansur e endereçado ao governador Jerônimo para ter um programa estadual de reconhecimento e fomento a cultura hip-hop, reconhecendo o dia estadual do hip-hop. E a gente está aguardando o retorno do nosso governador. É importante que ele olhe com carinho essa atividade que está acontecendo aqui e a força que esse grupo está tendo de trabalhar com recursos próprios, sem ajuda de ninguém, só com o corre nosso mesmo pra fazer isso acontecer.

Quais são as movimentações em nível municipal?

Dentro do município a gente conseguiu pautar o Dia Municipal do Hip-Hop e a gente formou uma frente parlamentar municipal na Câmara de Vereadores onde nós entramos como sociedade civil para levar as pautas do hip hop para o município para tentar buscar esse fomento também dentro do município. O hip hop é muito grande, a gente tem projetos com elaboração dentro de colégios, dentro das comunidades em ações culturais. Então a gente tem muitas ideias boas, a gente só precisa de recursos e direcionamento para executar. Mas a gente está bem articulado, temos projetos, tudo escrito direitinho, a documentação toda prontinha. E só aguardando esse olhar mais carinhoso dos nossos governantes.

O projeto de Lei assinado por Lula prevê a criação do Dia Nacional do Hip-Hop para a data de 11 de agosto, que também é o Dia do Advogado, dia do Estudante… Você acha que tem possibilidade da data passar batida?

Eu não vejo problema porque essa é uma data que representa o dia mundial. O hip-hop está fazendo neste ano, 50 anos de cultura no mundo e 40 anos no Brasil. Eu não vejo problema nenhum em dividir essa data com outros assuntos porque o nosso país é muito democrático e muito vasto. Outras datas aqui têm comemoração dividida, algumas com um pouco mais de relevância e outras com um pouco menos. Mas pra quem é importante e quem participa desse movimento, vai ter isso como uma honra: ser lembrado e está escrito que esse dia é o dia do hip-hop. Me sinto, como fazedor de cultura, honrado por ter esse reconhecimento e ter uma data que respeite o nosso dia e respeite a nossa luta.

De que forma o hip-hop pode verdadeiramente ser valorizado na nossa cultura?

Creio que precisa ter um olhar mais carinhoso dos nossos governantes. Do nosso governo estadual, do nosso governo municipal. É preciso que olhe com mais cautela pra gente. Porque nós já estamos há mais de 30 anos na Bahia dentro desse processo e a gente faz tudo sem dinheiro. A gente acessa as comunidades, a gente tem a voz dentro das comunidades, a gente fala a língua que eles conseguem entender. Com o índice de violência crescendo cada vez mais, nós poderíamos ajudar muito se a gente tivesse um investimento direcionado para formar novos fazedores de cultura e fazer a garotada entender que se pode viver de cultura e que a cultura hip-hop é um desses meios que pode alcançar uma vida tranquila e trabalhar com o que gosta. Isso é muito importante. Por a gente ter essa essa voz que dialoga com todas as comunidades, com todas as faixas de idade e todas as classes sociais, que volto a reafirmar que a gente não tem nenhuma limitação e nenhum preconceito dentro da nossa cultura, a gente abraça todo o gênero, então é muito importante os governantes olhem pra gente nesse sentido.

A presença de artistas do Trap em festivais de Salvador vem crescendo. Como isso afeta o hip-hop?

Nós da cultura hip-hop vemos a presença do trap nos festivais como positivo. Porque o trap é um subgênero do rap né. Porque o rap tem várias categorias, ele pode ser brio, ele pode ser boombap ele pode ser trap, isso são só exemplos, mas tem outras variações. Então o trap faz parte da cultura hip-hop. Às vezes, as pessoas têm essa estranheza de achar que o trap e o rap são coisas diferentes, o trap e o hip hop são coisas diferentes e não, é tudo um segmento só. E por hoje o trap está dentro dos festivais com mais força, a gente sabe que o mercado da música pra eles é mais viável na programação deles porque é mais rentável financeiramente. Porque normalmente esses festivais são privados e esses festivais privados eles procuram ter o retorno do investimento. Então eles veem hoje o trap como um segmento que é rentável, então há uma grande quantidade de trap dentro dos festivais. E que cresça mais ainda! Isso é bom pra cultura hip-hop, mostra a diversidade musical e mostra que a cultura hip-hop vem se expandindo com novos horizontes e a gente pode ter uma visão mais ampla do que essa cultura gigantesca que é o hip-hop.

Quais projetos estão sendo elaborados para celebrar a data instituída pelo Governo?

Foi acordado junto à Frente Nacional do Hip-Hop, com a concordância de todos os estados e o Distrito Federal, que desde o dia 11 de agosto desse ano começa a nossa comemoração em prol do cinquentenário da Construção Nacional Hip-Hop Bahia. É o cinquentenário do mundial e os 40 anos do Brasil. E vai ser um ano de celebração, do dia 11 de agosto de 2023 até 11 de agosto de 2024. Dentro desse ano a gente vai ter essa celebração com várias atividades. Já teve um evento em comemoração do cinquentenário lá em Vitória da Conquista, que carrega essa bandeira da Construção Nacional e da Construção Estadual que é a Construção Bahia. O pessoal de Vitória da Conquista tem um movimento muito forte também, eu estava lá presente com alguns companheiros da Construção e presenciamos um evento muito bonito. E a gente vai fazer a etapa da Bahia nos dias 08, 09 e 10, lá no Museu de Arte Contemporânea da Bahia, ali na Graça. Primeira vez que o hip-hop vai fazer um evento dentro desse espaço. Vamos fazer três dias de um mini festival muito lindo com todos os quatro elementos da cultura hip-hop. Vai ter DJ, break, shows artísticos, batalha de MC, batalha de beatmaker… Muitas surpresas vão acontecer, peço que a galera fique atenta, acompanhe os cards que a gente vai fazer um festival muito bonito. E já deixar o convite a todos, o evento é aberto, é gratuito, vai ser um evento lindo, conto com a presença de todos lá. Quem quiser ajudar dentro desse processo, porque todo esse processo está sendo feito com o nosso recurso, estamos buscando algumas parcerias de instituições privadas para tentar fazer o evento acontecer, mesmo de forma gratuita, não vamos cobrar entrada, vamos dar premiação pras batalhas e a gente precisa de toda ajuda possível, então pedir esse carinho dos governantes, que olhem direito para esse processo que a gente faz, pra essa construção, para essa batalha que a gente trava todos e todos os dias pra fazer esses eventos acontecerem com os nossos próprios recursos.

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