
Deivison Nascimento Santos viu seu nome — e sua vida — mudarem por conta da música. Atualmente conhecido como Oh Polêmico, ou Polly, o artista nascido e criado no bairro de Tancredo Neves já trabalhou em pastelaria, supermercado e até como ambulante no circuito Barra/Ondina, durante o Carnaval de Salvador, ao lado dos tios.
Em entrevista exclusiva MASSA!, Polly comentou sobre o início da carreira e como se enxerga hoje, tanto dentro do pagodão quanto como um representante do bairro onde cresceu.
“Comecei minha carreira no funk. Daí meu pai me deu a oportunidade de montar um projeto para mim no pagode. Já fui dançarino, já fui back vocal. E hoje me vejo como um grande artista, um grande representante do nosso pagodão baiano. Um cara que leva o nosso pagode para fora e representa. E tenho certeza de que muita coisa boa ainda vai acontecer. Muitos projetos também para o meu bairro”, destacou Polly.
Já fui dançarino, já fui back vocal. E hoje me vejo como um grande artista
Oh Polêmico

Vítima de racismo
No início do ano, Polly denunciou ter sido vítima de racismo em um salão de beleza, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Na ocasião, uma cliente do estabelecimento teria dito: “Não gosto de homem preto” e “Tenho nojo de homem preto”.
Oh Polêmico comentou sobre a importância de artistas como ele se posicionarem contra o racismo. Ele também destacou que costuma abordar o assunto nas redes sociais, buscando conscientizar o público.
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“Sempre falam que o nosso pagodão é resistência, né? A gente vem da comunidade. Tem pessoas que não entendem, criticam mesmo, mas a gente vem passando por cima de tudo, sempre seguindo em frente. Teve também esse momento que eu passei dentro do salão, que foi um ato de racismo. E eu sempre falo que respeito não é um favor, é um direito. Estou sempre tocando nessa pauta no meu Instagram, sempre passando essa mensagem para as pessoas. Infelizmente, a gente não tem como mudar o mundo de um dia para o outro, mas com união, com todo mundo se unindo, tenho certeza de que a gente vai vencer essa guerra”, garantiu.
Eu sempre falo que respeito não é um favor, é um direito. Estou sempre tocando nessa pauta no meu Instagram
Oh Polêmico

Carreira nacional
Atualmente, Polly busca uma projeção cada vez maior no cenário nacional. O último projeto dele, Vibe do Polly 2.0, contou com a presença de diversos artistas de fora da Bahia, como MC GW, Pocah e Rodrigo, do CN.
Polly contou como o projeto tem a sua identidade e como ele vem sendo importante para impulsionar ainda mais a carreira.
“É um projeto muito bom, o Vibe do Polly. Um projeto que a gente criou já no finalzinho de 2025, quando comemorei meus 11 anos de carreira. A gente pôde trazer muitas participações de pessoas que também têm amizade comigo. Participei de cada detalhe do projeto. A maioria das decisões partiu de mim. E a gente conseguiu fazer uma entrega boa. Hoje estamos rodando os shows com esse momento da Vibe do Polly. A galera está curtindo bastante, está se identificando. Também teve a música ‘Ioiô’, que saiu da Vibe do Polly e a gente colocou para concorrer como música do Carnaval”, comentou Oh Polêmico.

Fora do Carnaval
Apesar do projeto em alta, Polly acabou enfrentando uma decepção neste ano. O cantor não conseguiu puxar sua pipoca no circuito Barra/Ondina, no Carnaval de Salvador, pois o trio elétrico contratado não tinha capacidade para comportar toda a estrutura da banda e da equipe técnica.
Ele desabafou sobre a situação, mas garantiu que o episódio serviu como aprendizado para voltar ainda mais forte no Carnaval dos próximos anos.
“Rapaz, no dia eu fiquei com um sentimento muito ruim, porque lutei até os 45 do segundo tempo para organizar o trio, conseguir o trio, porque estava recebendo muitas mensagens. O período de Carnaval é um momento em que minha família se prepara, meus amigos se preparam para poder ir para o trio, para curtir. E, como eu sempre falo, o Carnaval de Salvador é uma vitrine, né? Tem muito turista, muito contratante que vem de fora, muito empresário. É sempre bom a gente tocar aqui, ainda mais a gente que é cria de Salvador. Mas infelizmente não deu certo. Levo como aprendizado, como experiência. Observei muita coisa, guardei muita coisa também para mim. Então vocês se preparem, porque 2027 vai ser um ano incrível”, garantiu.
Músicas mais “lights”
Quem acompanha Oh Polêmico desde o início da carreira percebe uma mudança no estilo musical do artista. De músicas mais explícitas, como “Senta para o Marginal”, Polly passou a apostar em letras mais trabalhadas, muitas vezes com duplo sentido.
Ao ser questionado sobre a Lei Antibaixaria — que proíbe o uso de verba pública para contratar artistas cujas apresentações ou letras incentivem violência, desvalorizem a mulher, contenham homofobia, racismo ou façam apologia a drogas ilícitas — Polly foi sincero ao afirmar que muitos cantores do pagodão começam com músicas mais pesadas para criar conexão com o público, mas que é preciso saber onde apresentar esse tipo de repertório.

“Acho que todo início de projeto tem que começar com o pagodão proibidão mesmo. Eu iniciei assim. Tenho um repertório que é proibidão, mas sei onde tocar esse repertório. Sei o momento certo. Em show de prefeitura já é outro tipo de repertório, com músicas mais de boa, os hits do Polly que estouram no mundão. Mas vejo que algumas letras acabam pesando muito na avaliação. Tem letras que nem pesam tanto, mas às vezes rola um certo tipo de perseguição com os artistas. Só que a maioria dos artistas que está começando inicia com o pagodão proibidão, porque é o que o povo pede, o que o povo quer escutar dentro das comunidades”, explicou.
