
O Centro Brasileiro de Urologia aponta que a ejaculação precoce, o ato de ejacular logo após a penetração ou até mesmo antes mesmo desse momento, sem que se consiga controlar o evento, atinge de 20 e 30% dos homens adultos de todas as idades. Porém, mesmo sendo algo comum, ainda existe muito tabu em torno desse tema.
Uma pesquisa recente realizada pelo Sexlog com mais de 3 mil pessoas revelou que 84% dos homens já vivenciaram o episódio ao menos uma vez. Apesar de ser uma situação comum, o silêncio e o preoconceito continuam dominando as relações.
A pesquisa do Sexlog apontou ainda que 48,5% dos entrevistados admimitiram que nunca conversaram com suas parceiras ou parceiros sobre o assunto, movidos pricipalmente pelo medo de causar decepções.
Para entender mais sobre o assunto e esclarecer possíveis dúvidas, o MASSA! conversou com especalistas que vão ajudar a entender esse fenômeno e os seus impactos na vida sexual dos homens.
Ejaculação precoce é um problema?
O urologista Victor Judiss (CRM 35499) explica que a ejaculação precoce pode ser vista como um problema justamente quando começa a impactar a atividade sexual. Ainda segundo ele, essa é uma questão que envolve muito da saúde mental desse homem.
Aqui entramos nas maiores searas do ser humano: a mente, a cabeça e o estresse
Victor Judiss, urologista

"A ejaculação precoce é muito mais um fator mental do que físico. A condição flutua sobre todas as faixas etárias e todas as classes sociais. Ela não distingue ninguém, eu digo que é a condição mais democrática que existe", explica o médico.
Ejaculação precoce tem tratamento?
Victor esclarece ainda que a principal linha de tratamento é, na verdade, o cuidado com a mente. "A psicoterapia é a base forte do tratamento para enfrentar, controlar e entender esse problema. A última via que lanço mão são os medicamentos orais, que são medicamentos contra a ansiedade e repercutem de forma direta na vida social dos nossos pacientes".
O psicólogo e sexólogo Marcos Alves também concorda com essa ideia. Ele esclarece que muitos homens se sentem inferiores, têm a autoestima abalada em razão da ejaculação precoce no ato sexual, o que tem muito impacto psicológico.
"A ansiedade, muitas vezes, é provocada pelo medo de um novo acontecimento que traga a tona a dor novamente. Não buscar entender o que aconteceu da primeira vez pode fazer com que o medo se repita e traga insegurança constante, atrapalhando as relações", sinaliza o especialista.
Ter a frieza necessária pra assumir o problema é o primeiro passo
Marcos Alves, psicólogo e sexólogo

Marcos esclarece que é preciso encarar o problema de frente para que possa resolvê-lo. "A melhora ou a cura pode acontecer rapidamente, fazendo os procedimentos corretos", crava o profissional, explicando que quando a ejaculação precoce se torna algo frequente e nocivo, é hora de procurar um médico.
Como saber se tenho ejaculação precoce?
O diagnóstico é feito por um médico urologista, com base nos relatos do homem sobre suas experiências sexuais. A partir daí, o profissional direciona quais medidas devem ser tomadas pelo paciente para mitigar o problema.
De acordo com a pesquisa da plataforma Sexlog mencionada no começo desta matéria, 40,4% dos homens entrevistados nunca buscaram ajuda, apesar da intenção de fazê-lo. No entanto, esse passo é muito importante para buscar a solução do problema. Se a ejaculação precoce afeta a sua vida sexual e saúde mental, procure um especialista.
*Victor Judiss (CRM 35499) é médico urologista no Hospital São Rafael e coordenador do serviço de urologia no Hospital Prohope, ambos em Salvador.
*O psicólogo (CRP 0314140) e sexólogo Marcos Alves é especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), com atuação voltada para comportamento, relações e tomada de decisão.

