
Sabe aquele gemido exagerado ou a revirada de olho sem satisfação na hora H? Com o passar do tempo isso pode gerar uma grande questão para as relações, além de esconder possíveis problemas. Nesta matéria, o MASSA explica que fingir prazer na cama pode impactar negativamente a vida das pessoas.
A psicóloga Fernanda Purificação (CRP 06/220335), especialista em sexualidade, ressalta que há uma crença de que a qualidade do sexo está atrelada a um verdadeiro espetáculo. Diante disso, muitas pessoas fingem sentir prazer.

"Existe uma ideia de que sexo bom precisa ter muita performance, ou seja, um grande espetáculo, gemido, intensidade e orgasmo. Dito isso, muitas vezes, a pessoa vai para a hora H mais preocupada com o que o outro vai sentir do que efetivamente sobre o que ela mesma está sentindo. Ela vai fingir para não frustar, seja a expectativa dela ou do próprio parceiro".
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Fernanda pontuou que para além de não querer frustrar o compaheiro ou companheira, muitas pessoas recorrecem a essas "representações" para que o sexo acabe logo e elas não precisem explicar o que está acontecendo. "A pessoa começa a representar aquilo que deveria viver, ou seja, um bom sexo", disse a profissional.
Por que algumas pessoas adotam esse comportamento?

A pessoa começa a representar aquilo que deveria viver, ou seja, um bom sexo
Fernanda Purificação é psicóloga e especialista em sexualidade
Fernanda afirma que não há apenas uma resposta para essa indagação, cada pessoa pode decidir fingir por um motivo diferente. "Não existe uma explicação única, pode ser insegurança, vergonha de orientar o parceiro e dizer o que gosta, medo de rejeição, dificuldade em reconhecer o prazer, ou pelo simples fato dessa pessoa já ter sido julgada por outros parceiros quando resolveu se posicionar", aponta.
A psicóloga pontua que há uma necessidade de analisar a origem desse comportamento. Por exemplo, uma mulher que finge por medo de decepcionar o companheiro é diferente daquela que representa por receio de uma reação agressiva. "São situações diferentes, que precisam de cuidados diferentes. Fingir pode ser uma tentativa de lidar com aquilo que a pessoa não consegue conversar ou se sente insegura para expressar".
Riscos
É necessário entender que o desejo excessivo de agradar o companheiro pode gerar problemas para a própria pessoa. Ela pode perder a conexão com o próprio desejo.
"Se durante toda a relação a cabeça dessa pessoa fica no 'será que ele está gostando? 'será que estou fazendo direito?', logo vai sobrar pouco espaço para essa pessoa se perceber, perceber se está gostando, se quer continuar, se o toque está fazendo sentido. Esse sujeito vai ficando tão ocupado em acompanhar a reação do outro, aumentar a performance para manter a satisfação do outro, que deixa de lado as suas próprias emoções e sensações", esclarece Fernanda.
Fingir pode ser uma tentativa de lidar com aquilo que a pessoa não consegue conversar ou se sente insegura para expressar
Fernanda Purificação é psicóloga e especialista em sexualidade

A especialista em sexualidade conta que esse desejo intenso de agradar o outro também pode acontecer por medo de um rompimento. Nesse contexto, ela salienta que nenhum fingimento ou peformance garante fidelidade.
"Uma relação precisa ter espaço para ambos serem ouvidos e precisam saber transformar a escutar em acolhimento e não em defesa, não podem transformar isso em ofensa".
Fernanda também alerta que quando a pessoa faz sexo apenas para agradar o outro, ela pode acabar ensinando ao cerébro que aquele momento é uma obrigação que precisa ser cumprida, por isso é necessário que a pessoa se avalie, se conheça, seja sincera com o parceiro ou parceira, para que a prática sexual não se torne mecânica.
"Sexo é uma experiência compartilhada. A vontade de um e o limite do outro também fazem parte do relacionamento. A conversa tem e pode existir fora da cama, sem a pressão que a cama exige", concluiu.
Especialista
Fernanda Purificação é psicóloga (CRP 06/220335) e especialista em sexualidade. A profissional também é pós-graduada em a neuropsicologia pelo Einstein.

