
Idosos acima dos 70 anos não possuem a obrigatoriedade do voto. Porém, esses eleitores também contribuem com o resultado nas urnas. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), 10,85% do eleitorado brasileiro. Na Bahia, são 1.075.792 pessoas nessa faixa etária aptas para votar.
Para esse perfil de eleitor, o voto é mais do que o cumprimento de um dever, é também uma oportunidade de usufruir de um direito enquanto cidadão. Em entrevista ao MASSA!, idosos abriram o coração e falaram sobre o que os motivava a sair de casa neste domingo (4), no primeiro turno das Eleições de 2026.
Morador do Alto da Cacimba, em Itapuã, João Francisco Giffoni, de 87 anos, acordou cedo para votar no Colégio Estadual Rotary ainda pela manhã. Para ele, participar da votação é contribuir para um Brasil melhor.
"Eu sou brasileiro. Eu quero ver o Brasil sempre lá em cima, por isso que eu estou aqui. A idade não importa, o que importa é o coração. Eu sempre votei, desde de rapazote que eu comecei a vida, sempre cumpri o direito do cidadão brasileiro", declarou ele.

João Francisco compareceu ao colégio sozinho, pois seus familiares moram em outras cidades da Bahia e a esposa faleceu há cerca de três anos. Ele optou por pedir um carro para facilitar a locomoção até a sua zona eleitoral.
Deficiente visual e surda, idosa faz questão de ir às urnas
A eleitora Raquel Santos, de 71 anos, foi votar acompanhada pela filha. Na primeira sua eleição após o fim da obrigatoriedade de votar, ela defendeu a presença ativa de idosos nas urnas.

Raquel é deficiente visual e também surda de um ouvido, mas não deixou que as dificuldades a impedissem de participar da festa da democracia. De acordo com ela, outra motivação para ir votar é lutar por um país melhor para os filhos e os netos.
"O que me faz estar aqui é por um Brasil melhor, porque esse Brasil que está no momento, esses mandantes, esses juízes que diz que é juízes e faz coisa pior do que eu, está uma vergonha! Por isso estou aqui com um olho só, com um ouvido só. Eu daria até minha vida pela minha pátria, como todos deverão fazer", disse ela.
Estou aqui pelos meus netos, pelos jovens, pelos bons costumes e os bons exemplos.
Raquel Santos
Saíram de casa para exercer cidadania
O dia de votação também é uma oportunidade de reviver experiências, rever pessoas, e foi assim para a Célia Maria, que foi aluna e também professora do Rotary.

"Essa foi a minha primeira escola, com cinco anos eu já sbaia ler e escrever. Naquela época, recebíamos o diploma de 5ª série, na época dos Rotarianos. Para mim é um sucesso votar aqui, é lembrar da minha vida", contou ao MASSA!
Aos 77 anos, Jiscelina Viana, moradora de Itapuã, falou o que a faz sair de casa: votar no partido e no presidente que ela gosta. "Venho votar por causa do meu candidato. É importante todo mundo vir votar", disse. Assim como ela, Aurélio Pereira, de 79 anos, também foi votar; no caso dele, a motivação é lutar pelo país. "As condições em que vivemos são precárias. Nosso país está à toa, e nós pelejando para sobreviver, estamos vivendo de teimosos", disse, explicando o motivo de ir votar.
Voto que garante a aposentadoria
Além da vontade de exercer a cidadania, um incentivo prático pesou na decisão de muitos idosos de sair de casa neste pleito: o voto agora serve como prova de vida do INSS. Com o cruzamento automático de dados entre o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Governo Federal, quem passa pela biometria nas urnas renova o benefício por mais 12 meses, sem precisar ir ao banco ou usar o aplicativo do órgão.
Essa dupla motivação acabou gerando um cenário marcante nas seções eleitorais de Salvador ao longo do dia. Em diversos colégios da capital, eleitores relataram filas imensas e demoradas compostas por muitos idosos, inclusive nas preferenciais. Mesmo com a espera prolongada, a disposição da terceira idade em cumprir o papel democrático se manteve firme.

