
O desabamento de um prédio no bairro Luiz Anselmo, na região de Brotas, em Salvador, que deixou três trabalhadores mortos no último fim de semana, permanece envolto em denúncias de problemas estruturais e questionamentos sobre as condições do imóvel antes da tragédia.
Moradores da região afirmam que o prédio apresentava rachaduras e sinais de risco há tempos, enquanto a Defesa Civil informa que não registrou nenhuma denúncia relacionada ao local.
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“Ele sabia que isso ia matar”, diz vizinha
Moradora da região e vizinha do prédio, uma mulher que preferiu não se identificar disse que o imóvel apresentava problemas antigos e acusou o proprietário de ignorar os riscos.
"Ele estava condenado há muitos anos, o olho dele foi maior do que a vida das pessoas, porque ele só queria o dinheiro. Ele não se importava com nada, nem com ninguém. Matou três pais de família. Ele é assassino, estamos todos aqui revoltados."
A moradora voltou a responsabilizar o proprietário pelo desabamento e cobrou providências das autoridades:
"O proprietário é assassino. O nome dele é Antônio. Ele não mora aqui; só aparecia com o carro grande, de luxo, bonito, para impressionar as pessoas. Mas ele é assassino, porque matou três pais de família. Que alguém tome providências."
Codesal nega registro de condenação do imóvel
O diretor-geral da Codesal, Adriano Silveira, afirmou que o órgão não tinha qualquer registro de denúncia envolvendo o imóvel antes do acidente. Segundo ele, a edificação apresentava sinais de falhas estruturais e indícios de problemas na construção.
"A CODESAL está em luto, infelizmente tivemos a perda aqui de três pessoas que estavam trabalhando aqui numa possível reforma desse prédio, dessa edificação que, pelo que entendemos aqui e também pelo relato dos moradores, foi uma construção que não seguiu as regras de engenharia."
Ainda segundo Adriano Silveira, moradores relataram que o imóvel já apresentava rachaduras e sinais de instabilidade antes do desabamento. Apesar dos relatos, o diretor da Defesa Civil rebateu as informações de que o prédio já estaria oficialmente condenado:
"Analisamos o nosso sistema SGDC e não há registro de qualquer queixa sobre um prédio nesta localidade em situação de emergência. A equipe veio para cá realizar a reforma, fez algumas escavações e o prédio começou a colapsar justamente quando a família conseguiu sair. Infelizmente, as três pessoas que estavam trabalhando não conseguiram deixar o local a tempo e acabaram sendo vitimadas no desabamento."
Sobrevivente relata momento do colapso
Sobrevivente da tragédia, José Antônio contou que estava dentro do apartamento com o filho pequeno quando a esposa percebeu os primeiros sinais do desabamento.
"Minha esposa foi quem percebeu primeiro. Eu estava no quarto com o nosso filho de um ano e seis meses quando ela me chamou: 'Antônio, vem aqui rápido.' Quando cheguei, o prédio já estava desabando e ela tentava segurar. Corri, puxei ela e fomos em direção à escada. Ela parou por um instante, então eu a empurrei para baixo para que conseguisse descer, e pulei logo em seguida", iniciou.
Ele relatou ainda que conseguiu sair sob os escombros junto com a família, mas lamentou a morte dos trabalhadores. "O prédio todo caiu por cima da minha cabeça, pra conseguir sair com eles dois com vida. Mas infelizmente os amigos aqui morreram."

José Antônio também afirmou que a esposa havia reclamado anteriormente sobre a situação do imóvel:
"A minha esposa reclamou com ele e ele colocou os pedreiros para fazer um serviço aí. Quando colocou, aconteceu isso: desabou. A nossa situação está difícil, mas a do pessoal que perdeu os parentes é ainda mais complicada, porque eles perderam familiares. A gente está se virando, o pessoal está colaborando, ajudando com roupas e alimentos. Um morador ali cedeu uma casa para ficarmos até conseguirmos nos reorganizar."
Além da destruição do imóvel, o desabamento também atingiu dois postes da rede elétrica, deixando 51 imóveis sem energia na região, segundo a Neoenergia Coelba.
