
O cenário do transporte público de Salvador está ainda mais tenso. Em meio à campanha por reajuste salarial, os rodoviários da Bahia aumentaram a pressão e vêm realizando assembleias desde abril, porém, ainda não chegaram a um acordo junto aos empresários. Nesta terça-feira (19), acontece uma nova rodada de negociação. A expectativa é que nesta conversa haja uma definição sobre a paralisação.
O presidente do Sindicato dos Rodoviários da Bahia, Fábio Primo, negou os boatos de que um acordo já teria sido fechado com os empresários do transporte, rumor que circulou no último fim de semana, e que, se fosse verdadeiro, afastaria a possibilidade de uma greve na capital baiana.
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Em um vídeo divulgado neste domingo (17), o líder sindical alertou tanto a categoria quanto a população que qualquer informação publicada antes de uma convocação oficial para a Assembleia Geral deve ser tratada como 'fake news'.
Fábio Primo também criticou uma postagem de um site que afirmou que já havia acordo fechado entre as partes. Ele reforçou que, até o momento, não houve qualquer avanço nas negociações.
Nova reunião
Nesta terça, os epresentantes dos trabalhadores e das empresas de ônibus voltam à mesa para tentar definir os próximos passos do processo.
Ao Portal MASSA!, a assessoria do sindicato afirmou que a categoria espera que, desta vez, os empresários apresentem uma proposta que atenda às reivindicações dos rodoviários.
“Os trabalhadores não querem greve por querer. O que vemos é uma total falta de abertura por parte do setor patronal. Nenhuma proposta foi colocada na mesa pelos empresários, apenas a tentativa de retirar direitos da categoria”, informou.
O que os trabalhadores estão reivindicando
Entre as principais reivindicações apresentadas pela categoria estão:
➡️ manutenção de todos os direitos já conquistados, sem cortes;
➡️ reposição da inflação com 5% de ganho real;
➡️ aumento no valor e na quantidade do ticket alimentação;
➡️ redução da jornada diária para seis horas;
➡️ revisão das escalas de trabalho e da chamada “carta horária”;
➡️ fim das jornadas consideradas excessivas;
➡️ melhorias nas condições de trabalho, saúde e ambiente laboral;
➡️ gratuidade no transporte;
➡️ estabilidade pré-aposentadoria;
➡️ implantação de turnos fixos e possibilidade de troca de linha;
➡️ gratificação durante grandes eventos;
➡️ prêmio de assiduidade;
➡️ complemento do plano de saúde;
➡️ implantação da Participação nos Lucros e Resultados (PLR);
Alerta para greve
O sindicato avalia que a postura das empresas tem dificultado o avanço das negociações, classificando o comportamento do setor patronal como “desrespeitoso e intransigente”. Mesmo assim, as conversas devem continuar, embora já exista a sinalização de que outras ações possam ser adotadas caso o cenário não mude.
Segundo apuração da reportagem, se não houver progresso nas negociações, uma greve pode ser deliberada na próxima sexta-feira (22).

O que diz a prefeitura
Na última quarta-feira (13), o prefeito Bruno Reis afirmou, durante uma coletiva de imprensa, que a prefeitura atua como “mediadora entre os trabalhadores, rodoviários e o sindicato patronal”.
Ele explicou que esse tipo de negociação acontece anualmente e pediu que sejam evitadas ações como paralisações, fechamento de garagens e operações-tartaruga, para não prejudicar o funcionamento da cidade e a rotina da população. “Que eles possam se entender”, disse.
O prefeito também reforçou o apelo feito aos rodoviários:
“Eu fiz um apelo aos rodoviários para que entendessem a dificuldade que as empresas enfrentam hoje e buscassem um entendimento. [Me] reuni com os empresários para tratar dos diversos problemas que temos no transporte público de Salvador e também da necessidade de que eles cheguem a um consenso.”

Ele acrescentou que o índice oficial de inflação do período foi divulgado recentemente e lembrou que, caso não haja acordo, o processo segue o rito normal e pode ser levado ao conflito coletivo na Justiça. “Ao final, o que a gente pede é que, se não houver acordo, esse impasse seja resolvido o quanto antes, para evitar que tenhamos uma greve", cravou.
