Professores da rede privada da Bahia, especialmente de Salvador, em meio às negociações da campanha salarial, suspenderam novamente as atividades, nesta quinta-feira (16), para participar de uma assembleia convocada pelo Sindicato dos Professores no Estado da Bahia (Sinpro-BA).
O encontro tem como principal pauta a possibilidade de deflagração de greve, diante da falta de consenso nas tratativas com o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (Sinepe-BA).
Além da discussão sobre uma eventual paralisação por tempo indeterminado, a categoria cobra mudanças em pontos considerados prioritários para a nova Convenção Coletiva de Trabalho. Entre as principais reivindicações estão:
➡️ Reajuste salarial de 4,11%;
➡️ Mais de 20 dias de férias unificadas;
➡️ Ampliação das bolsas de estudo para filhos de professores;
➡️ Mudanças nas regras do recesso de junho.

De acordo com o sindicato, as tratativas seguem em curso, mas as propostas apresentadas até o momento pelo setor patronal não contemplam as demandas consideradas prioritárias pela categoria. A diretora do Sinpro-BA e professora há 42 anos, Anna Cristina Croesy, criticou a condução das negociações.
O presidente do sindicato patronal, ele não está participando das negociações. Ele contratou um negociador que se chama Gilberto Martins, é um cara que quer mandar a gente calar a boca, falar baixo, baixar o tom da voz. É um misógino,, preconceituoso, porque tá negociando com mulheres. Eles são terríveis.
Anna Cristina Croesy
Segundo a dirigente sindical, um dos principais pontos de discordância envolve o chamado sobretrabalho, que inclui atividades pedagógicas realizadas fora da carga horária regular. Ela afirma que o aumento da demanda por adaptações de avaliações e materiais para estudantes tem ampliado o volume de tarefas executadas pelos professores sem remuneração adicional.
“A gente está pedindo um valor, um percentual ou uma carga horária maior para o sobretrabalho, que são as atividades adaptadas que nós, professores, precisamos fazer. Antigamente, você fazia uma prova, uma segunda chamada; hoje, você faz cinco provas adaptadas. Teve uma professora que falou aqui que fez 15 provas adaptadas para uma única turma. E tudo isso é feito dentro da própria casa do professor, sem receber absolutamente nada por isso.”

Ainda de acordo com Anna Cristina, a última rodada de negociações, realizada na segunda (13), também trouxe divergências em temas já debatidos anteriormente. Ela afirma que a proposta patronal prevê alterações relacionadas às férias unificadas e às datas de pagamento dos salários.
“A gente já está pedindo, ao longo desses 10 anos, um valor, um percentual, uma carga horária para que a gente consiga ganhar um pouco, um mínimo de dignidade para esse sobretrabalho que a gente está tendo.”, completa.
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Sinepe-BA destaca avanços nas negociações
Em comunicado publicado nas redes sociais na quarta-feira (15), o Sinepe-BA afirmou que a proposta apresentada à categoria contempla uma série de avanços. Entre eles estão:
➡️ Bolsas de estudo de 90% e 80% para filhos de professores e coordenadores;
➡️ Férias unificadas em 2027 e 2028, com início entre os dias 20 e 26 de dezembro;
➡️ Recesso de 19 dias nos anos de 2027 e 2028;
➡️ Reajuste salarial e do piso com reposição integral da inflação, pago na folha de julho, com retroativo;
➡️ Pagamento dos salários até o quinto dia útil do mês subsequente, conforme calendário negociado.
No comunicado, o sindicato patronal também criticou a convocação de novas paralisações, argumentando que a medida compromete o processo de negociação e pode trazer impactos para o calendário escolar.
“O SINEPE-BA lamenta que, mesmo diante desses avanços concretos, o SINPRO-BA tenha optado por estimular paralisações, medida que não contribui para o processo de negociação e acaba prejudicando professores, escolas e principalmente, as crianças e jovens, com o comprometimento do calendário escolar e suas rotinas”, descreveu.