
A confusão envolvendo o deputado estadual Diego Castro (PL) e estudantes da Faculdade de Comunicação (Facom) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, nesta quinta-feira (20), ganhou novos desdobramentos. Após o episódio, o secretário de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Felipe Freitas, encaminhou ofícios à Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) e à Justiça Eleitoral para relatar o caso e pedir atenção das instituições.
Os documentos foram enviados após Felipe Freitas receber o presidente do Centro Acadêmico da Facom, Tobias Muniz, que relatou ter sido empurrado contra uma parede por um integrante da segurança que acompanhava o parlamentar. Segundo a UFBA, o estudante ficou ferido, registrou um boletim de ocorrência e passou por exame de corpo de delito.
Um dos ofícios foi destinado à ALBA, com pedido para que o episódio seja analisado dentro das competências da Casa. O documento também solicita atenção para possíveis medidas administrativas e regimentais relacionadas à ética e ao decoro parlamentar.
Outro ofício foi encaminhado à Justiça Eleitoral. A solicitação é para que sejam avaliadas medidas preventivas contra novos episódios de violência ou intimidação política durante o período eleitoral, especialmente em universidades, espaços públicos e atos de campanha.
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Os documentos, no entanto, destacam que as responsabilidades individuais devem ser apuradas pelas autoridades competentes, sem antecipação de julgamento. A preocupação apresentada é com a preservação de um ambiente democrático e livre de violência.
ALBA recebe representação contra deputado
Após o pedido de apuração, a Assembleia Legislativa da Bahia informou que já foi formalizada uma representação para investigar uma possível quebra de decoro parlamentar por parte de Diego Castro.
Em nota, a ALBA afirmou que a conduta atribuída ao deputado durante o episódio na UFBA “não representa o posicionamento institucional desta Casa Legislativa”.
Segundo a Assembleia, o procedimento seguirá os trâmites previstos no Regimento Interno. A representação será submetida inicialmente à apreciação da Mesa Diretora e, após o cumprimento das etapas regimentais, será encaminhada ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.
Caberá ao Conselho analisar o caso, garantindo ao deputado o devido processo e o direito à ampla defesa.
Bafafá na Facom
A confusão aconteceu durante a manhã, por volta das 10h. Segundo informações colhidas pelo MASSA!, Diego Castro foi até a unidade acompanhado de integrantes da equipe após receber uma denúncia sobre a presença de adesivos de apoio a Jerônimo e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas dependências da universidade.
O parlamentar retirou parte dos materiais, o que provocou a reação de estudantes. A discussão aumentou de tom e terminou em tumulto, com troca de acusações e agressões. Vídeos registrados no local mostram momentos da confusão e a aglomeração formada ao redor do deputado.
O presidente do Centro Acadêmico da Facom, Tobias Muniz, relatou ter sido empurrado contra uma parede por um integrante da segurança que acompanhava o parlamentar. Segundo a UFBA, o estudante ficou ferido, registrou boletim de ocorrência e passou por exame de corpo de delito.
Jerônimo se manifesta
Após o episódio, o governador Jerônimo Rodrigues também se pronunciou sobre o caso. Em publicação nas redes sociais, o petista prestou solidariedade a estudantes e professores e criticou o que classificou como violência dentro do ambiente universitário.
“Sou professor e sei o que a universidade representa. Minha solidariedade aos estudantes e professores da UFBA agredidos hoje por um parlamentar. Universidade se respeita. Liberdade se defende. O ambiente democrático não tem espaço para invasão e violência”, declarou.
O que diz Diego Castro?
A equipe do deputado afirmou que ele foi à UFBA após receber uma denúncia sobre a existência de material político-eleitoral no espaço público e defendeu que universidades públicas não devem ser utilizadas para beneficiar candidatos ou partidos. Segundo a assessoria, a ação provocou reação de estudantes, que protestaram contra a presença do parlamentar.
A UFBA, por sua vez, divulgou nota repudiando os atos de violência, intimidação e desrespeito registrados na Facom e afirmou que a movimentação do parlamentar e de sua equipe interrompeu atividades acadêmicas.

