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Presença de deputado na UFBA gera confusão com alunos; assista

Tempo fechou na manhã desta quinta (20) quando Diego Castro (PL) tentou arrancar adesivos do PT no campus

Confusão ocorreu na manhã desta quinta-feira (20)
Confusão ocorreu na manhã desta quinta-feira (20) |  Foto: DIvulgação

Um bafafá foi registrado nas dependências da Faculdade de Comunicação (Facom), da Universidade Federal da Bahia (UFBA), na manhã desta quinta-feira (20), em Salvador. A confusão envolveu Tobias Muniz, Presidente do Centro acadêmico Valdir Herzorg, e o político Diego Castro do Partido Liberal (PL), deputado estadual, além de alguns alunos da instituição de ensino.

Segundo informações colhidas pelo MASSA!, os estudantes do curso tiveram suas aulas interrompidas por conta do tumulto, registrado por volta das 10h. Tudo começou quando DIego foi ao campus para retirar adesivos em apoio à políticos do Partido dos Trabalhadores (PT) nas dependências da instituição. A retirada de parte dos materiais, aliada a presença do deputado, provocou a reação dos estudantes.

"Diego Castro, do Partido Liberal, veio com umas cinco ou seis pessoas para a faculdade. Vieram naquela velha estratégia de gravar em espaço público para fazer o público deles achar que é balbúrdia e baderna", iniciou uma fonte, que não quis se identificar.

"O presidente do Centro Acadêmico, Tobias Muniz, viu e reconheceu o deputado. Começou um bate-boca, chamaram a segurança e o diretor da faculdade, Washington José Filho, também teve que intervir. Nisso, começou o tumulto. Os caras foram escorraçados para fora da faculdade", relatou.

Houve discussões acaloradas que, posteriormente, se tornaram agressões envolvendo a equipe de Diego e alguns alunos. Em um vídeo gravado por um leitor e enviado a reportagem do MASSA!, além de imagens compartilhadas por testemunhas, é possível ver trechos da briga. Entre confusões, xingamentos e brigas, uma aglomeração se formou em torno do deputado.

Veja:

Equipe do deputado se pronuncia

Após a confusão, o MASSA! procurou a equipe de Diego Castro, que afirmou ter sido hostilizada com gritos de "fascistas". Segundo comunicado, o objetivo do político era "questionar o uso de uma universidade pública para divulgação de material político-eleitoral", com o argumento de que "instituições federais de ensino não devem ser utilizadas para favorecer candidatos ou grupos partidários".

"Se fossem adesivos meus ou de qualquer candidato da direita em espaço público utilizado de maneira irregular, a regra teria que ser a mesma. Não existe dinheiro público de esquerda ou de direita. Existe patrimônio público, e ele não pode ser apropriado eleitoralmente por quem quer que seja", disse Diego.

Confira a nota completa:

Uma confusão envolvendo o deputado estadual Diego Castro (PL) foi registrada na manhã desta quinta-feira (20), na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no campus de Ondina, em Salvador. O episódio ocorreu após o parlamentar receber a denúncia de um estudante sobre a presença de adesivos em apoio ao governador Jerônimo Rodrigues (PT) e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas dependências da instituição.

Após tomar conhecimento da situação, Diego foi até a universidade e retirou parte do material. A presença do parlamentar provocou reação de estudantes que estavam no local. Durante o episódio, houve protestos e discussões, e o deputado foi chamado de “fascista” por integrantes do grupo contrário à sua presença.

Diego argumentou que a iniciativa teve como objetivo questionar o uso de uma universidade pública para divulgação de material político-eleitoral. Segundo ele, instituições federais de ensino não devem ser utilizadas para favorecer candidatos ou grupos partidários.

“Universidade pública não é comitê eleitoral de Lula, de Jerônimo ou de partido nenhum. Se querem fazer campanha, que façam nas ruas, nos comitês e dentro das regras eleitorais. O que não pode é transformar um espaço mantido com dinheiro público em extensão de campanha política”, afirmou o deputado.

Durante a discussão, estudantes contestaram a atitude de Diego e protestaram contra a retirada dos adesivos. O parlamentar, por sua vez, criticou a reação e afirmou que houve uma tentativa de impedir a fiscalização e o questionamento sobre o material.

“É curioso que aqueles que dizem defender a democracia reajam dessa maneira quando alguém questiona o uso político da universidade. Fui chamado de fascista simplesmente porque não aceitei calado que um patrimônio público seja utilizado para proselitismo político. Universidade é lugar de ensino, pesquisa, debate e pluralidade, não propriedade de um partido”, declarou.

Diego também disse que a denúncia partiu de um estudante que se sentiu incomodado com a presença do material. Para o deputado, alunos com posicionamentos políticos diferentes precisam encontrar um ambiente de pluralidade dentro da instituição.

“Recebemos a denúncia de quem estuda aqui e não aceita essa apropriação partidária. O estudante não pode entrar em uma universidade federal e ter a sensação de que está entrando em um diretório político. O espaço pertence a todos: a quem é de direita, de esquerda, de centro e a quem simplesmente não quer participar de política”, disse.

O parlamentar afirmou ainda que pretende cobrar esclarecimentos sobre a presença dos adesivos e avaliar eventuais medidas relacionadas ao episódio. Ele também defendeu que as mesmas regras sejam aplicadas independentemente do candidato beneficiado pelo material.

“Se fossem adesivos meus ou de qualquer candidato da direita em espaço público utilizado de maneira irregular, a regra teria que ser a mesma. Não existe dinheiro público de esquerda ou de direita. Existe patrimônio público, e ele não pode ser apropriado eleitoralmente por quem quer que seja”, completou Diego Castro.

A legislação eleitoral estabelece restrições à veiculação de propaganda em bens públicos ou de uso comum. A aplicação das regras, no entanto, depende das circunstâncias em que o material é exposto e de sua caracterização como propaganda eleitoral.

UFBA repudia ocorrido

A Universidade Federal da Bahia (UFBA) informou, através de nota, que repudia os atos de intimidação envolvendo o deputado estadual Diego Castro (PL). Segundo a universidade, a visita do parlamentar provocou uma confusão na rotina acadêmica da instituição.

"A movimentação do parlamentar e de sua equipe perturbou, de forma truculenta, a rotina acadêmica da Universidade, tendo resultado na interrupção do ato de recepção aos calouros do semestre letivo, a partir de uma atitude de confronto, verbal e físico, direcionada a estudantes, técnicos administrativos e professores, bem como aos profissionais terceirizados responsáveis pela segurança", diz trecho de nota.

Confira o pronunciamento na íntegra:

" A Universidade Federal da Bahia manifesta seu mais veemente repúdio aos atos de violência, intimidação e desrespeito ocorridos nesta quinta-feira, 20 de agosto, nas dependências da Faculdade de Comunicação (FACOM), no campus de Ondina, envolvendo o deputado estadual Diego Castro (PL) e integrantes de sua equipe.

A movimentação do parlamentar e de sua equipe perturbou, de forma truculenta, a rotina acadêmica da Universidade, tendo resultado na interrupção do ato de recepção aos calouros do semestre letivo, a partir de uma atitude de confronto, verbal e físico, direcionada a estudantes, técnicos administrativos e professores, bem como aos profissionais terceirizados responsáveis pela segurança.

Tais atos foram registrados por câmeras da instituição e por celulares de membros da nossa comunidade. O estudante Tobias Muniz, presidente do Centro Acadêmico da Facom, foi empurrado por um integrante da segurança do parlamentar e ficou ferido. As ameaças à comunidade também atingiram o dirigente da Faculdade, professor Washington Souza Filho, que foi desrespeitado e ameaçado ao exercer seu dever de zelar pela segurança e funcionamento da unidade acadêmica.

Diante de tal agressão, e com acompanhamento da Coordenação de Segurança da UFBA (COSEG), foi registrado Boletim de Ocorrência e realizado exame de corpo de delito no estudante atingindo. Além disso, uma vez que nossa universidade é uma instância federal, a reitoria da UFBA está se dirigindo à Superintendência da Polícia Federal, visando a um protocolo de cooperação mais intenso — em particular, neste período eleitoral, de modo que medidas efetivas e preventivas sejam adotadas.

A administração central da UFBA está atuante no caso e saberá adotar as medidas institucionais e jurídicas cabíveis para a proteção de sua comunidade acadêmica e para o respeito de uma universidade pública, cujos valores essenciais rejeitam toda forma de violência, sobretudo de quem, por oportunismo político e à custa da instituição, pretenda buscar projeção em redes sociais.

A naturalização da violência, com fins políticos, não pode ser admitida. Desse modo, em razão da gravidade do caso, a Universidade Federal da Bahia solicita o posicionamento da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia, conclamando-a a tomar, com urgência, as devidas providências diante da conduta indecorosa de um dos seus membros.

A UFBA manifesta, enfim, sua solidariedade aos membros da comunidade universitária envolvidos, ao estudante ferido e ao diretor da Faculdade de Comunicação, que, no exercício de suas atribuições, buscou preservar a segurança e o funcionamento da unidade."

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