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Transporte pode travar - 30/04/2026, 08:50 - Victoria Isabel e Luiza Nascimento - Atualizado em 30/04/2026, 09:43

Rodoviários organizam operação com chance de greve na próxima semana

Após assembleia, ônibus podem circular em ritmo reduzido nos próximos dias

Operação Tartaruga começa na próxima semana
Operação Tartaruga começa na próxima semana |  Foto: Clara Pessoa/Ag. A TARDE

Depois de uma manhã com atraso na saída dos ônibus das garagens, os rodoviários de Salvador bateram o martelo: na próxima semana, a categoria inicia a Operação Tartaruga, reduzindo intencionalmente o ritmo de trabalho. A medida pode abrir caminho para uma greve por tempo indeterminado, caso as negociações não avancem.

Ainda não foi definido se a mudança ocorrerá segunda (4), ou terça-feira (5), mas em entrevista ao Grupo A TARDE, o vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, Fábio Primo, explicou como os trabalhadores irão atuar.

"A gente vai cumprir o que a lei diz, o Código de Trânsito Brasileiro que é que os ônibus devem andar à direita. A gente vai colocar todos os ônibus, ande na direita, fique na direita e pare em todos os pontos. A gente vai mostrar que o trânsito dessa cidade flui pelo malabarismo dos rodiviários", explicou.

O que pode levar à greve em Salvador?

Segundo Primo, o sindicato, juntos aos trabalhadores têm realizado reivindicações, seguindo todos os trâmites legais, para que a situação seja resolvida sem maiores transtornos.

No entanto, caso os pedidos não sejam atendidos, a paralisação por tempo indeterminado é uma possibilidade.

"A gente pode correr com todos os trâmites de greve, mas se for preciso, iremos fazer outra assembleia e pedir autorização mais uma vez aos trabalhadores. Acredito que sim, mas esperamos que não [tenha greve], mas os empresários só respeitam quando acontece isso. É uma falta de respeito à população de Salvador", disparou Primo.

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Já houve a primeira assembleia de aprovação de pauta, que seguirá da entrega do texto no prazo, depois há necessidade do cumprimento de um calendário de negociação

  • Pauta segue para o Ministério Público do Trabalho (MTE);
  • Texto vai para a Justiça;
  • Publicação de um edital de aviso à população;
  • Aviso aos donos das empresas.

"Se tudo isso que a gente fez não chegar a um acordo, a gente vê ainda que não teve outro caminho, os empresários empurram a gente para a greve", explicou.

Também à reportagem, o presidente do sindicato, Daniel Mota, também defendeu a possibilidade de adotar um estado de greve.

"O que nos leva a fazer uma greve na cidade de Salvador é a falta de respeito dos poderes públicos e a Secretaria de Mobilidade e as empresas de ônibus. E há 30 dias que a gente teve quatro reuniões feitas e os empresários em nenhum momento avançaram absolutamente nada", relatou.

Entenda as reivindicações

As reivindicações principais giram em torno da campanha salarial, que anualmente encontra dificuldades na negociação. Desta vez:

  • Reajuste salarial com a reposição inflacionária com mais 5% de ganho real;
  • Ticket de R$ 35 com 30 bilhetes no mês;
  • Fim da jornada excessiva de trabalho.

"Tem um ponto muito crucial que a gente não abre mão de discutir, que são as cargas horárias impostas pela Prefeitura que entrega às empresas. O trabalhador está adoecendo a questão de saúde, tanto física e mental dos trabalhadores", lamentou o vice-presidente.

Já Daniel Mota defendeu a possibilidade da escala 6x1, pontuando o impasse que tramita em esfera nacional.

"A gente tá sonhando com a questão do fim da jornada 6x1, que o motorista cobrador termina ganhando um dia de folga, mas tá um debate no Congresso Nacional. Mas aqui em Salvador, nós vamos trabalhar com a ideia e redução da jornada, que o motorista cobrador tá doente por questões de cargas excessivas", ressaltou.

Paralisação desta quinta

Com a assembleia, as duas maiores garagens do sistema atrasaram a saída dos ônibus, resultando em 510 veículos parados.

As intervenções aconteceram nas G1 e G2 Plataforma, localizada em Praia Grande e na G1 OT Trans, em Campinas de Pirajá. No total são 11 garagens.

Os ônibus voltaram a circular por volta das 8h.

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