
Depois de uma manhã com atraso na saída dos ônibus das garagens, os rodoviários de Salvador bateram o martelo: na próxima semana, a categoria inicia a Operação Tartaruga, reduzindo intencionalmente o ritmo de trabalho. A medida pode abrir caminho para uma greve por tempo indeterminado, caso as negociações não avancem.
Ainda não foi definido se a mudança ocorrerá segunda (4), ou terça-feira (5), mas em entrevista ao Grupo A TARDE, o vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, Fábio Primo, explicou como os trabalhadores irão atuar.
"A gente vai cumprir o que a lei diz, o Código de Trânsito Brasileiro que é que os ônibus devem andar à direita. A gente vai colocar todos os ônibus, ande na direita, fique na direita e pare em todos os pontos. A gente vai mostrar que o trânsito dessa cidade flui pelo malabarismo dos rodiviários", explicou.
O que pode levar à greve em Salvador?
Segundo Primo, o sindicato, juntos aos trabalhadores têm realizado reivindicações, seguindo todos os trâmites legais, para que a situação seja resolvida sem maiores transtornos.
No entanto, caso os pedidos não sejam atendidos, a paralisação por tempo indeterminado é uma possibilidade.
"A gente pode correr com todos os trâmites de greve, mas se for preciso, iremos fazer outra assembleia e pedir autorização mais uma vez aos trabalhadores. Acredito que sim, mas esperamos que não [tenha greve], mas os empresários só respeitam quando acontece isso. É uma falta de respeito à população de Salvador", disparou Primo.
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Já houve a primeira assembleia de aprovação de pauta, que seguirá da entrega do texto no prazo, depois há necessidade do cumprimento de um calendário de negociação
- Pauta segue para o Ministério Público do Trabalho (MTE);
- Texto vai para a Justiça;
- Publicação de um edital de aviso à população;
- Aviso aos donos das empresas.
"Se tudo isso que a gente fez não chegar a um acordo, a gente vê ainda que não teve outro caminho, os empresários empurram a gente para a greve", explicou.
Também à reportagem, o presidente do sindicato, Daniel Mota, também defendeu a possibilidade de adotar um estado de greve.
"O que nos leva a fazer uma greve na cidade de Salvador é a falta de respeito dos poderes públicos e a Secretaria de Mobilidade e as empresas de ônibus. E há 30 dias que a gente teve quatro reuniões feitas e os empresários em nenhum momento avançaram absolutamente nada", relatou.
Entenda as reivindicações
As reivindicações principais giram em torno da campanha salarial, que anualmente encontra dificuldades na negociação. Desta vez:
- Reajuste salarial com a reposição inflacionária com mais 5% de ganho real;
- Ticket de R$ 35 com 30 bilhetes no mês;
- Fim da jornada excessiva de trabalho.
"Tem um ponto muito crucial que a gente não abre mão de discutir, que são as cargas horárias impostas pela Prefeitura que entrega às empresas. O trabalhador está adoecendo a questão de saúde, tanto física e mental dos trabalhadores", lamentou o vice-presidente.
Já Daniel Mota defendeu a possibilidade da escala 6x1, pontuando o impasse que tramita em esfera nacional.
"A gente tá sonhando com a questão do fim da jornada 6x1, que o motorista cobrador termina ganhando um dia de folga, mas tá um debate no Congresso Nacional. Mas aqui em Salvador, nós vamos trabalhar com a ideia e redução da jornada, que o motorista cobrador tá doente por questões de cargas excessivas", ressaltou.
Paralisação desta quinta
Com a assembleia, as duas maiores garagens do sistema atrasaram a saída dos ônibus, resultando em 510 veículos parados.
As intervenções aconteceram nas G1 e G2 Plataforma, localizada em Praia Grande e na G1 OT Trans, em Campinas de Pirajá. No total são 11 garagens.
Os ônibus voltaram a circular por volta das 8h.
