
A cultura da favela ganhará os holofotes de Salvador. A partir de quinta-feira (26), a cidade será palco da 9ª edição do Movimento Boca de Brasa, festival responsável por fomentar e trazer maior protagonismo para a cena artística das periferias da capital baiana. Se estendendo até o sábado (28), o evento contará com oficinas, aulões de dança, desfiles, exposições, além de shows de Larissa Luz, Attooxxa e Duquesa.
Com entrada gratuita, a programação do Movimento Boca de Brasa vai ocorrer em diferentes espaços de Salvador, sendo eles a Ladeira da Barroquinha, o Quarteirão das Artes Moraes Moreira, o Espaço Cultural da Barroquinha, a Escadaria da Barroquinha, o Café-Teatro Nilda Spencer, o Teatro Gregório de Mattos e o Espaço Boca de Brasa Centro. O evento tem como objetivo trazer maior visibilidade e oportunidade para os artistas locais.

“Esse festival é importante justamente por ser essa grande vitrine. Isso dá muita visibilidade a todos os artistas que participam, além de ser uma grande oportunidade de formação de redes, porque esses artistas estão ensaiando juntos, eles se conhecem e se reconhecem”, contou gerente das Escolas Criativas Boca de Brasa, Nathalia Leal, em entrevista ao MASSA!.
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Originalmente chamado de Festival Boca de Brasa, o projeto surgiu como uma extensão das Escolas Criativas Boca de Brasa, responsável pela formação artística de mais de 500 pessoas desde de 2022. O festival era uma forma de garantir que os formandos tivessem um local para demonstrar o que aprenderam na escola.
“O festival se transformou no Movimento Boca de Brasa, que é um evento em formato de festival, mas que além da apresentação dos resultados das atividades formativas, a gente também traz shows de música, aulas, bate-papos”, explicou Nathalia.
Logo no primeiro dia da festa, a Escadaria da Barroquinha será completamente ocupada pela arte e cultura. A abertura do festival contará com uma apresentação ao ar livre. “Esse ano, a gente vai ter uma abertura em que montamos um espetáculo de 20 a 30 minutos e esse ano teremos mais de 130 artistas da periferia da cidade, que já tem uma trajetória ou que são iniciantes, que vão compor o elenco desse grande espetáculo ao ar livre”, detalhou.

Pluraridade de artes
O grande destaque do evento está na sua pluralidade. Diferentes formas de arte ganham espaço para brilhar dentro da programação do festival. “Esse ano a gente está trazendo várias culturas que estão na cidade como um todo. Estamos trazendo o grafite voltado para as crianças, a periferia do futuro com um desfile, o slam das minas, o próprio stand-up, o hip-hop nem se fala”, afirmou.

Por fim, o Movimento Boca de Brasa se consolida como um meio de mostrar ao mundo a outra face das comunidades. O evento mostra que, diferente do que alguns pensam, as periferias não se resumem a violência. “Em geral, se divulga por meio de muitos veículos de comunicação a imagem de que as periferias são territórios tomados completamente pela violência. A gente busca trazer justamente a outra cara desses territórios”, garantiu.
