
O Circuito Liga da Cultura segue transformando a rotina de estudantes da rede pública de Salvador durante a segunda semana de atividades na capital baiana. Nesta terça-feira (24), o caminhão literário do projeto chegou à Escola Municipal Dr. Orlando Imbassahy, no bairro de São Marcos, onde permanece até sexta-feira (27), oferecendo experiências que integram leitura, cultura e conscientização ambiental. A iniciativa deve alcançar mais de dois mil alunos em quatro escolas da cidade.
Com um acervo de mais de 1.200 livros, incluindo exemplares em braille e audiobooks, além de jogos educativos e estrutura para oficinas ao ar livre, o projeto aposta em atividades interativas para estimular o hábito da leitura e promover a educação ambiental. Temas como reciclagem, uso consciente da água e energias renováveis fazem parte da programação, que conecta teoria e prática de forma lúdica. Realizado pela Rede Educare, com patrocínio da Novelis, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura e do Governo Federal, o circuito busca democratizar o acesso ao conhecimento.
Para a diretora da unidade, Lucélia Fontes, a iniciativa reforça o papel da escola como espaço de transformação social. “Para muitas crianças, a escola é o único local de acesso ao capital cultural e esta precisa valorizar a cultura em suas múltiplas faces. Receber o Projeto Liga da Cultura em nossa escola é uma oportunidade de valorizarmos ainda mais a cultura local, mas também de contribuir para a promoção da inclusão social dos nossos alunos e da comunidade com novas experiências e saberes, estimulando o hábito da leitura, a criatividade e refletindo sobre o futuro do planeta”, destacou.

O impacto do projeto também é percebido pelos alunos. O estudante Victor Gabriel Barbosa da Conceição, de 11 anos, afirmou que a experiência tem sido marcante. “Eu gostei muito do projeto aqui na escola. Eu amei o caminhão, tem um bocado de livro para a gente ler e se divertir. Eu gosto muito de ler, e os livros que têm no caminhão ensinam muito. Eu queria que o projeto ficasse o ano todo aqui”, contou.
Já Maria Júlia Bispo Lobo, de 9 anos, destacou o aprendizado sobre sustentabilidade. “Eu achei super divertido, muito legal. A gente se diverte, faz muitas coisas e também aprende. Estou aprendendo sobre o ciclo da água. Também descobri as cores do lixo: o vermelho é o plástico, o azul é o papel, o amarelo é o metal, o verde é o vidro e o cinza não reciclável. Isso ajuda muito o meu aprendizado e também ajuda outras pessoas”, afirmou.
Programação
A programação é organizada por temas ao longo da semana: reciclagem na segunda-feira, uso consciente da água na terça, energias renováveis na quarta e práticas sustentáveis no dia a dia na quinta. O encerramento acontece na sexta-feira com o “Você em Ação”, momento em que os estudantes apresentam o que aprenderam e compartilham propostas para a escola. A atividade é aberta à comunidade, permitindo a participação de moradores do bairro.

Segundo a coordenadora pedagógica da Rede Educare, Natalia Rolim, o projeto promove a integração entre leitura e sustentabilidade. “A leitura e a sustentabilidade se articulam de forma transversal no projeto, especialmente por meio do acervo de mais de 1.200 livros, que inclui diversas obras voltadas ao meio ambiente e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Nosso projeto promove a democratização do acesso à leitura, oferecendo experiências práticas, como oficinas de reciclagem, pintura com tintas orgânicas e reutilização de resíduos, estimulando a consciência ambiental de forma lúdica e significativa”, explicou.
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Ela também destacou o alcance da iniciativa em outras regiões do país. “O projeto tem gerado impacto significativo nas cidades por onde passa, como Gravataí, no Rio Grande do Sul, localidades do Rio Grande do Norte e eventos como a COP30, chegando agora a Salvador. Mais do que ações pontuais, o projeto garante continuidade por meio da entrega de uma cartilha educativa alinhada à BNCC e da doação de livros às escolas”, pontuou.
Sobre os desafios, Natalia ressaltou a manutenção dos recursos. “A principal dificuldade do projeto está relacionada à manutenção física de seus recursos, como o acervo de livros, jogos, equipamentos e o próprio caminhão, que sofrem desgaste natural devido ao uso contínuo. Por outro lado, não há barreiras significativas na adesão das escolas e municípios, que costumam acolher bem a iniciativa”, concluiu.
