Os indícios de contaminação nas águas da praia de São Tomé de Paripe, no Subúrbio de Salvador, têm deixado os trabalhadores preocupados com a situação. Há cerca de 15 dias, uma denúncia foi feita após surgirem manchas nas águas e uma grande quantidade de peixes mortos.
Contudo, a dor de cabeça para as pessoas que trabalham na praia não é de agora. A situação se arrasta há alguns anos e, enquanto não há uma solução, os pescadores alegam estar no prejuízo financeiro.
Em entrevista ao MASSA!, uma fonte, que daremos o nome fictício de Thiago, para preservar a identidade, alegou que muita gente está com medo de comprar os pescados por causa dos boatos de contaminação na água da praia. Ainda de acordo com ele, a produtividade da pesca também caiu bastante nos últimos dias, principalmente para encontrar peguari, ostra, marisco camarão.
“Bom, nessa região aqui, do jeito que a gente apanhava o peixe, quase que ninguém está apanhando nada. E quando vai para um lugar mais distante, quem tem barco a motor, tudo bem, mas quem vai a remo sofre”, afirma
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A situação tem tirado o sono de quem precisar colocar o alimento na mesa e sustentar a família, é o que revela a Thiago.
Vou pedir dinheiro emprestado para comprar um ovo para comer
Thiago
"Porque eu estou sem dinheiro, não estou vendendo a minha mercadoria, ninguém compra", disse.

Outros trabalhadores também foram ouvidos pelo MASSA!, confirmaram o relato de Thiago, mas optaram por não dar entrevista pois, de acordo com eles, pode haver retaliações.
Investigações em andamento
Técnicos do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) estiveram na praia de São Tomé de Paripe, na última sexta-feira (20), para verificar a denúncia e irão retornar ainda nesta semana para coletar os materiais e dar seguimento nas investigações.
No entanto, Thiago alerta que a coleta precisa ser feita no ponto correto para conseguir confirmar se existe contaminação na água.
“Eles chegam, pegam uma amostra de longe, pegam uma amostra de longe, de longe, na água, onde eles têm que de longe, né? Eles têm que pegar daqui, do local onde cai, onde está saindo o material. Ele tem que pegar o material que está com a água aqui em terra”, explica o trabalhador.

Parecer da Capitania dos Portos
Em contato com a reportagem, a Capitania dos Portos da Bahia (CPBA) informou que analisou imagens e que não há despejo proveniente de um navio, que os moradores alegam estar contaminando às águas, mas sim da estrutura do terminal de uma empresa que fica no local.
Uma vistoria foi realizada na área marítima adjacente e, na ocasião, não foram identificadas irregularidades afetas à competência da Autoridade Marítima.