
A Polícia Civil bateu na porta de uma clínica em Irecê e apreendeu uma série de documentos que podem esclarecer um caso grave envolvendo um mutirão oftalmológico. A ação aconteceu na segunda-feira (6), no Centro Médico e Odontológico (Hospital Ceom), que está sendo investigado por possíveis irregularidades em procedimentos realizados no fim de fevereiro.
A situação veio à tona depois que pacientes começaram a relatar problemas sérios de visão após os atendimentos. Até agora, pelo menos 24 pessoas afirmam ter perdido parcial ou totalmente a visão depois das cirurgias. O caso mais grave é o de um idoso de 72 anos, que morreu cerca de um mês após participar do mutirão.
Durante a operação, a polícia recolheu prontuários médicos e outros documentos importantes para a investigação. O responsável pela clínica estava no local e disse que vai colaborar com as apurações.
Segundo as investigações, cerca de 640 pessoas foram atendidas durante o mutirão, realizado entre os dias 28 de fevereiro e 1º de março. Parte desses pacientes apresentou complicações graves, e alguns chegaram a perder definitivamente a visão de um dos olhos após a retirada do globo ocular.
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Entre os procedimentos realizados está a chamada terapia antiangiogênica, que utiliza o medicamento Avastin (bevacizumabe). Mais de 600 pacientes teriam recebido a aplicação.
Uma inspeção da Secretaria de Saúde da Bahia apontou possíveis falhas no armazenamento dos medicamentos usados nos atendimentos. Já a clínica nega qualquer irregularidade e garante que os produtos foram mantidos sob temperatura adequada, seguindo as recomendações.
