
Para quem ainda acha que trabalhar em obras é “coisa de homem”, está muito enganado. Com o avanço das obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Salvador e na Região Metropolitana, cresce também a presença feminina em funções que historicamente eram ocupadas, em sua maioria, por homens. Nos canteiros do novo sistema de mobilidade urbana, mulheres atuam em áreas técnicas, operacionais e de gestão, mostrando o protagonismo feminino em um projeto considerado estruturante para a mobilidade na Bahia.
Entre as profissionais está a operadora de escavadeira Naiara Mota de Jesus, de 35 anos, que acumula quase duas décadas de experiência em obras. Integrante da equipe responsável pelas intervenções na passagem inferior do Hospital do Subúrbio, etapa do Trecho 2 do VLT que ligará Paripe a Águas Claras, ela define a participação no projeto como a realização de um sonho. “O VLT é um sonho realizado estar aqui”, afirma.
Moradora de Simões Filho, Naiara também destaca a importância do projeto para o desenvolvimento da região. Para ela, o crescimento da infraestrutura urbana também representa oportunidades para quem vive e trabalha no entorno. “Quando o bairro cresce, a gente cresce junto. É igual à empresa: quando a empresa cresce, o funcionário também cresce”, reflete.
No Trecho 1 do VLT, que vai do Comércio até a Ilha de São João, a técnica em elétrica Mariana Reis, de 38 anos, também faz parte da equipe. Mãe de três filhos e moradora do bairro de Roma, ela trabalha na obra desde outubro de 2024 e soma 15 anos de experiência em obras de infraestrutura.
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Para Mariana, participar da construção do VLT tem um significado especial, já que o sistema beneficiará diretamente a região onde vive. “Além de desenvolver o trabalho técnico, essa obra está dentro da minha região. Tenho parentes no Subúrbio e moro no Roma, então eles também vão utilizar o sistema. Fazer parte disso é histórico, é poder contar para os filhos e netos que eu participei dessa construção”, destaca.

Outra profissional que integra a equipe é Rosilene dos Santos Pacheco, de 50 anos, técnica de enfermagem do trabalho. Com um ano e seis meses de atuação na obra, ela já participou de outros grandes projetos de mobilidade na capital baiana, como as obras das Linhas 2 e 3 do metrô de Salvador. No dia a dia, Rosilene também busca apoiar outras mulheres que atuam no canteiro, oferecendo escuta e orientação.

Atualmente, as obras do VLT reúnem cerca de 2.697 trabalhadores, sendo 98% baianos. No Trecho 1, atuam 185 mulheres, enquanto o Trecho 2 conta com 65 profissionais nas áreas operacional, administrativa e de engenharia. Já no Trecho 3, as mulheres representam cerca de 29% da mão de obra.
As profissionais ocupam funções variadas, como engenheiras, técnicas, operárias, assistentes sociais e profissionais da área de saúde do trabalho. A presença feminina nas obras reforça não apenas a diversidade no setor da construção, mas também a ampliação de oportunidades para mulheres em áreas tradicionalmente masculinas.
