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'parem de nos matar' - 05/02/2026, 13:00 - Bruno Dias

Moradoras marcham contra feminicídio na Lavagem de Itapuã

Manifestação desta quinta (5) reuniu moradoras, sobreviventes e ex-delegada da DEAM em ato por justiça e proteção às mulheres

Bahia aparece como o 4º estado do país com maior número de feminicídios
Bahia aparece como o 4º estado do país com maior número de feminicídios |  Foto: Bruno Dias/ Portal MASSA!

A Bahia registrou 103 feminicídios em 2025, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), ligado ao Ministério da Justiça. E foi nesse cenário que moradoras de Itapuã decidiram ocupar as ruas nesta quinta-feira (5), durante a Lavagem de Itapuã, em uma marcha de resistência contra a violência.

A maquiadora Natália Cavalcante, moradora do bairro há 36 anos, foi uma das primeiras a puxar o ato. “Só na Bahia tivemos 103 casos em 2025. São nomes de mulheres que foram mortas. A gente precisa estar junto e forte contra o feminicídio. É responsabilidade da sociedade", iniciou.

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Segundo ela, a recepção do público tem sido positiva. "As pessoas passam, olham, leem as frases, apoiam, incentivam. A concentração começou agora e, assim que o cortejo da Baiana vier, marcharemos juntos contra o feminicídio".

Ao lado dela estava Marilda Marcela da Luz, 69, delegada aposentada da DEAM, que reforçou a importância de ocupar espaços tradicionais da cultura baiana para cobrar mudanças. “Fui delegada de polícia e, quando surgiu essa iniciativa, eu engatei na hora. A gente precisa fazer alguma coisa. Se a sociedade não tomar posição, não vamos baixar os índices. Todo homem precisa entender que ele é filho de mulher e precisa entrar nessa luta.”

Baralho Lilás

O Baralho Lilás, ferramenta de segurança pública lançada pelo Governo da Bahia (SSP-BA) em dezembro de 2025, para identificar e capturar foragidos da justiça envolvidos em crimes de violência contra a mulher, como feminicídio, estupro e violência doméstica, também foi pauta na manifestação

Para Marilda, a ferramenta é necessária para que os suspeitos respondam por seus crimes.

Aspas

Toda ação da Segurança Pública que ajude a reduzir esses números conta com nosso apoio. A mulher não pode continuar sendo vista como estatística

Delegada aposentada Marilda Marcela da Luz

Dor que vira luta

Entre as participantes, também estava a recicladora Daniela Santos Filgueira, 48, sobrevivente de uma tentativa de feminicídio. Ela fez um relato forte sobre os quatro anos de violência que sofreu:

“Ele me batia, me violentava de todas as maneiras. Rompeu uma panela na minha cabeça, tentou me puxar no meio da rua. Foi uma agonia.”

Daniela só conseguiu escapar quando fugiu. “Eu posso dizer com sinceridade: graças a Deus ele morreu. Pagou com a própria vida. Sofri muito, mas sobrevivi. Mulher não é objeto, não é propriedade. Mulher é mulher.”

Daniela Santos Filgueira, sobrevivente de tentativa de feminicídio
Daniela Santos Filgueira, sobrevivente de tentativa de feminicídio | Foto: Edvaldo Sales / Ag. A TARDE

Bahia entre os estados com mais feminicídios

Com os 103 casos registrados em 2025, a Bahia aparece como o 4º estado do país com maior número de feminicídios, atrás apenas de São Paulo (233), Minas Gerais (139) e Rio de Janeiro (104).

A aposentada Priscila Vieira explicou que a ideia do protesto surgiu por uma dor antiga:

“Há 35 anos mataram uma amiga minha. Não tinha lei, não tinha nada. O homem tá solto até hoje. Então juntamos forças para gritar por ela e por todas as Ritas e Cláudias deste mundo: parem de matar mulheres.”

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