25º Salvador, Bahia
previsao diaria
Facebook Instagram
WHATSAPP
Receba notícias no WhatsApp Entre no grupo do MASSA!
Home / Cidades

São João - 16/06/2026, 07:30 - Artur Soares

Mesmo com dificuldades, forró segue resistindo em Salvador

Após o fim de sua principal "casa", gênero precisa enfrentar escassez na capital baiana

Preimeira saída recebe Forró do Talco semanalmente
Preimeira saída recebe Forró do Talco semanalmente |  Foto: Clara Pessoa/Ag. A Tarde

Não existe dúvida que um dos principais pilares do São João é sua trilha sonora tradicional. No período junino, o forró se torna a principal pedida em qualquer lugar com música. Apesar desse momento de alta em junho, os amantes do ritmo precisam enfrentar uma certa escassez durante o resto do ano. Em Salvador, quem quer dançar coladinho tem dificuldades em encontrar locais destinados ao forró.

Na capital baiana, o principal reduto do gênero era o Coliseu do Forró, casa de shows focada exclusivamente no ritmo nordestino. Criado em 2003, o local surgiu durante o estouro do forró no Brasil inteiro. Na época, a gravação da música ‘Esperando na Janela’ por Gilberto Gil e o surgimento de bandas como Falamansa e Estakazero tornaram o ritmo em um fenômeno. Inicialmente chamado de Banana’s Beer, o Coliseu conquistou um público fiel no bairro de Patamares.

“Teve um boom aqui na Bahia, em Salvador, e assim surgiu esse público das escolas de dança, os grupos de forró, que foram muito importantes divulgando [o gênero]. Junto a isso, começaram a surgir as bandas, que tocaram muito no Banana’s e que depois virou o Coliseu”, contou o empresário Jânio Amílcar, criador do Coliseu do Forró, em entrevista ao MASSA!.

Jânio Amílcar, criador do Coliseu do forró
Jânio Amílcar, criador do Coliseu do forró | Foto: Clara Pessoa/Ag. A Tarde

Ao longo de seus 20 anos de existência, o Coliseu foi casa para muitos nomes que se tornaram referência no mercado do forró. Para o empresário, o local teve um papel fundamental para a divulgação desses artistas. “Foi muito importante, tanto que eles reconhecem essa importância. A gente deu esse palco para eles se apresentarem, começaram a tocar com a gente Estakazero, Tio Barnabé, Flor Serena, Colher de Pau”, relembrou.

Por conta da pandemia de Covid-19, a casa fechou suas portas, deixando um legado histórico e saudades no coração dos forrozeiros. A vontade de retornar com o projeto existe, mas a falta de espaço torna tudo mais difícil. “O Coliseu tem uma história forte, tanto que a gente pensa em voltar, mas um problema em Salvador é a falta de espaço. O Coliseu é uma casa para 1.000 pessoas, a gente não vê na cidade esse espaço para viabilizar a volta”, explicou.

Apesar de ter perdido seu principal representante, o forró continua resistindo em alguns lugares de Salvador. Um desses espaços é o bar Primeira Saída, localizado na orla da Pituba, que recebe semanalmente o Forró do Talco. Comandado pelo sanfoneiro Jó Miranda, o projeto ocorre todos os domingos e se tornou uma das principais alternativas para quem quer dançar um “dois pra lá e dois pra cá”.

Sanfoneiro Jó Miranda
Sanfoneiro Jó Miranda | Foto: Clara Pessoa/Ag. A Tarde

“Não é sobre grana, é sobre cultura, paixão e resistência, o Forró do Talco é isso. A grande atração do Forró do Talco não é Jó Miranda, mas sim essa essência, essa energia contagiante que é trocada entre o público e o evento”, apontou Jó Miranda.

Mais do que um lugar para curtir música, o Forró do Talco se tornou um sinônimo de valorização da cultura nordestina. Essa valorização está presente até no repertório, que resgata canções mais antigas do gênero. “O repertório é o lado b e talvez até o lado c do forró, a gente não toca música da modinha”, destacou o sanfoneiro.

Leia Também:

Quando o assunto é cair no arrasta-pé, os baianos também não fazem feio. A qualidade dos dançarinos baianos de forró é reconhecida até em outras regiões do país. “Em Salvador, você tem, no mínimo, de 12 a 15 escolas de dança de forró. Nos concursos dentro do país, os baianos ficam em, pelo menos, segundo lugar. A dança do forró em Salvador é fortíssima, com certeza deveria ter uma notoriedade maior”, defendeu.

Mesmo com poucos lugares para curtir o forró, a demanda do público segue sempre lá em cima. Dando aula para turmas com mais de 20 pessoas, o professor de dança Diego Bastos garante que a capital baiana ainda clama pelo ritmo nordestino. “É uma demanda imensa. Toda vez que o pessoal sabe que está tendo algum forró, eles falam ‘que bom que vocês estão fazendo isso’. Quando tem show de forró, o pessoal está enchendo as casas”, afirmou.

Imagem ilustrativa da imagem Mesmo com dificuldades, forró segue resistindo em Salvador
Foto: Arquivo pessoal

Ex-membro do grupo Forró Stilo, Diego é dançarino há 20 anos e decidiu começar sua carreira solo em 2026. Atualmente, suas aulas acontecem de segunda a sexta-feira, em lugares variados de Salvador, como na Academia Fit Prime (Itapuã) e na Academia Lion Fitness (Sussuarana). As inscrições podem ser feitas por meio do perfil oficial no Instagram. O professor explica que, diante da falta de espaços fixos para o forró, muitos forrozeiros estão começando seus próprios projetos para preservar o gênero.

“Tem o forró na praça, na praia, na rua. Agora até em Lauro de Freitas tem um forró na praça, se não me engano está tendo um encontro de sanfoneiros também para divulgar o forró. Além disso, temos o Jó Miranda com o Forró do Talco aos domingos e o Primeira Saída que tem forró todas as sextas-feiras para o pessoal dançar”, comentou.

Apesar das dificuldades, a cultura nordestina segue pulsando em Salvador. O grande objetivo dos amantes do forró é fazer com que o gênero ganhe mais visibilidade para além do período de São João. “Estamos batalhando para isso. De formiguinha em formiguinha, vão crescendo cada vez mais os projetos de forró em Salvador. Assim, vai se divulgando cada vez mais e não ficamos presos somente a uma época do ano, que é o São João.

exclamção leia também