
“O samba combina com tudo.” Essa é a afirmação do público que marcou presença no Samba Saboeiro, realizado neste domingo (14), na Arena A Tarde, em Salvador. Em meio ao clima junino, misturado com a Copa, o ritmo do samba tradicional ganhou espaço e mostrou que também é protagonista no São João.
As atrações começaram com Dan Mocidade, trazendo um repertório que passeou entre grandes sucessos do samba raiz e do samba romântico. Às 14h, o grupo baiano Samba Trator assumiu o palco com uma proposta que conversa diretamente com o período: o samba junino, uma vertente que une o samba tradicional às influências do forró, criando a diversidade tão presente da cultura baiana.
Ao longo do dia, o line-up reuniu nomes como Rodriguinho, Délcio Luiz, Vinny Santa Fé, Nei D’ Resenha e Eduardinho Fora da Mídia, passando por diferentes estilos do samba e mantendo o público engajado do início ao fim.
Samba como sentimento
Mas, para além do elenco de peso no palco, foi o público quem sustentou a energia da festa. Para quem estava presente, o samba é permanente, não se limita ao mês de junho, atravessa celebrações, estações e sentimentos ao longo de todo o ano.
“Pra mim o samba combina com tudo. O samba de roda pra mim é cumplicidade, ancestralidade, você tá com pessoas que você gosta, que você ama, tá com amigos pra compartilhar os momentos felizes” contou Rizalis, moradora da Suburbana.

“Bate aquela emoção diferente. Eu acho que é a batida do pandeiro, do cavaquinho”, Finalizou, tentando descrever o que é o samba de roda.
O coro ao cantar as musicas, junto as batidas sincronizadas dos pés e das mãos ao som dos sambas, resume bem o clima vivido na Arena: mais do que um gênero musical, o samba soa como experiência coletiva. No São João, essa conexão ganha ainda mais força por dialogar com outras tradições nordestinas.
Samba Junino
A partir disso, o samba junino trazido ao palco pelo Samba Trator reforça como a cultura está em constante movimento. Surgido na década de 1970 e já reconhecido como Patrimônio Cultural de Salvador, o ritmo tem raízes no samba de caboclo dos terreiros de Candomblé e nasceu nos arrastões que percorriam bairros como Engenho Velho de Brotas, Engenho Velho da Federação, Federação, Garcia, Tororó e Nordeste de Amaralina.
Para quem acompanha de perto, essa mistura segue atual e necessária. “Eu acompanho o Samba Trator de lá de Brotas, então essa coisa do Samba Junino, de juntar duas raízes nordestinas, que é o Samba e o Forró, eu acho que aproxima do baiano”, conta Jamile, moradora de Salvador. Ela ainda acrescenta. “São João é junho, samba é o ano inteiro. É carnaval, é natal, é São João e é isso, o Samba Junino, tudo feliz.”
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Para Juraci, vocalista do Samba Trator, estar em um evento como esse, especialmente no período junino, também é uma forma de manter viva uma tradição historicamente marginalizada.
“Para nós do Samba Trator há uma importância muito grande, que está fortalecendo uma cultura que ficou um pouco esquecida. A gente é de um bairro que vem dessa cultura, do Samba de Roda Junino”, afirma. “É uma felicidade enorme, é um prazer, uma satisfação muito grande estar fazendo parte de um evento como esse.”

O cantor ainda destaca o papel do samba como ponte entre gerações. “As que estão chegando agora, que não conhecem, passam a conhecer, passam a querer estudar, a saber qual é a origem do Samba Junino. Porque só os antepassados mesmo sabem o que a gente está falando, a nossa linguagem, a linguagem de gueto, de raiz, de África.”
Cabine de fotos do MASSA! faz sucesso
Além dos shows, o público também teve acesso a um registro que vai além da memória e dos stories nas redes sociais. A cabine de fotos montada pelo MASSA! captou momentos únicos da festa, que agora podem ser conferidos em uma galeria especial.
Com todos os ingressos vendidos, o que se viu no Samba Saboeiro foi mais do que uma festa: uma celebração que ultrapassa o calendário. Em pleno São João, o samba reafirma seu lugar como expressão viva de Salvador e da Bahia - diverso, resistente e, acima de tudo, coletivo.
