
Estudantes da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) denunciaram mensagens racistas expostas no mural do Pavilhão de Educação Física, na manhã desta segunda-feira (13). A unidade de ensino está localizada na BR-415, entre as cidades de Itabuna e Ilhéus, no sul da Bahia.
No mural com as aulas e os locais, há várias ofensas racistas, como: “Seus macacos, parem de cortar fila”, “Só preto faz m...” e “Seus pretos f...”.
Leia Também:
Veja as ofensas racistas:

Atualmente, a Uesc conta com quase 10 mil estudantes, entre matriculados na graduação, especializações e programas de pós-graduação. A reportagem buscou contato com a assessoria de comunicação da Uesc para mais informações. No entanto, até o fechamento desta matéria, não houve retorno.
Ao MASSA!, o presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Jhonata Mendes, repudiou as ofensas racistas e entrou com uma denúncia junto à Reitoria, Pró-Reitoria de Administração e Ouvidoria da universidade, solicitando que fosse aberto um processo de investigação e responsabilização para identificação do culpado.
Jonatha ainda compartilhou que cobrou a direção da universidade para que sejam colocadas câmeras nos espaços comuns da unidade ensino, a fim de que atitudes como esta não se repitam.
Situação recorrente?
Quando questionado sobre a frequência destes casos, o presidente do DCE salientou que são "casos muito isolados" e considerados "anormais". "O próprio DCE já tinha sofrido algo do tipo, em outro momento. Foram alguns comentários de cunho racista, como chamar a gente de 'porcos' e tudo mais. Porém, não é uma frequência na universidade, não. É algo que, para nós, é estranho, porque a Uesc é uma das universidades que tem uma política de cotas, inclusive, importante, atrelada à questão socioeconômica", salientou.
"A gente tem agora uma Pró-Reitoria de Ações Afirmativas. Nós conseguimos instituir no ano retrasado. Nós instituímos pela primeira vez a banca de heteroidentificação, que era uma luta do DCE. A universidade acatou a banca de heteroidentificação. O racismo e esse tipo de prática não é como se a gente estivesse acostumados a ver isso na universidade", acrescentou.
Cobrança por posicionamento institucional
Durante a entrevista, Jhonata lamentou que ainda não houve o posicionamento institucional da Uesc, destacando que, durante reunião com membros da reitoria, foi cobrada uma nota oficial e que fosse disparado um e-mail para todos os alunos, conscientizando sobre o racismo.
