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Onda da zorra! - 27/01/2026, 17:24 - Gabriel Freitas - Atualizado em 27/01/2026, 17:44

Galera pega ar com placas proibindo cooler na Praia da Ribeira

Bar famoso da região colocou sinalização no local

Placas foram colocadas em postes da Praia da Ribeira
Placas foram colocadas em postes da Praia da Ribeira |  Foto: Uendel Galter/Ag. A TARDE e Reprodução/Instagram

As polêmicas sobre a democratização no acesso às praias continuam em Salvador. Nos últimos dias, várias placas proibindo a utilização de cooler foram fixadas em postes da Praia da Ribeira, na Cidade Baixa. A atitude gerou revolta e se tornou tema de debate nas redes sociais.

Mesmo em um dia de chuva, nesta terça-feira (27) havia alguns banhistas aproveitando o tempo livre. Enquanto uns curtiam um churrasquinho e outros degustavam a cerveja, a galera se dividia entre a canga e as cadeiras dos barraqueiros da praia.

Como mais um episódio de toda polêmica que cerca a população soteropolitana nos últimos meses, um suposto dono de bar da região decidiu proibir cooler na praia. Diante desta situação, a atitude repercutiu nas redes sociais, com populares fazendo denúncias sobre o caso. Na placa, havia a marca do estabelecimento Boca Bar e Restaurante, que fica localizado próximo à antiga casa de shows The Best Beach.

Boca Bar e Restaurante
Boca Bar e Restaurante | Foto: Uendel Galter

MASSA! chegou junto

Na tarde desta terça, a reportagem foi até o local onde tudo aconteceu. No entanto, as placas não estavam mais lá. Além disso, o bar não distribuiu cadeiras, mesas e guarda-sóis pela extensão de areia. O MASSA! também entrou em contato com o estabelecimento, por meio do Instagram, mas também não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

Espaço onde Boca Bar e Restaurante coloca as cadeiras
Espaço onde Boca Bar e Restaurante coloca as cadeiras | Foto: Uendel Galter

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Fala, povo!

Com o pé na areia, populares decidiram comentar sobre a decisão do comerciante. O porto-alegrense Leonardo Saraiava e a baiana Patrícia Morro, radicada em Porto Alegre, compartilharam como têm enxergado esse movimento de afastamento do povo ao acesso à praia.

Aspas

Faz parte de um projeto de elitização

Leonardo Saraiva - porto-alegrense

"Eu não sei muito bem como é o cenário do contexto da Bahia, mas eu vejo que é algo meio convencional do que a gente passa no Brasil nos últimos anos. É um processo de elitização dos espaços. Ter medidas que não são em favor do público e sim do empresariado, são mecanismos dos processos de elitização mesmo", opinou Leonardo.

Destino desejado pelo povão de Salvador, as praias da Cidade Baixa sempre foram um refúgio para quem deseja gastar menos e usar seus coolers. Contudo, a situação anda um tanto complicada.

"É uma praia muito populosa, ainda mais aqui na Ribeira que todo mundo conhece. Acaba muita gente vindo para cá também. E isso priva um pouco as pessoas, o povo, a comunidade de vir para cá. Hoje a gente veio e parou aqui, eles [barraca que os atendeu] disseram que hoje é grátis a cadeira. Mas, provavelmente, no fim de semana deve cobrar um absurdo", iniciou Patrícia.

Mesas, cadeiras e guarda-sóis montados na Praia da Ribeira
Mesas, cadeiras e guarda-sóis montados na Praia da Ribeira | Foto: Uendel Galter/Ag. A TARDE

"Aí você acaba sendo obrigada a consumir na barraca, pagar a utilização e mais a consumação. Dessa forma não conseguimos trazer o cooler para poder consumir pelo menos a nossa bebida, independente se a gente vai ficar na barraca ou não", completou, demonstrando o descontentamento.

Colega saiu em defesa

Como não foi possível bater um papo com nenhum representante do suposto bar responsável pela medida, a reportagem sentou para conversar com Dôra Cardoso, que trabalha na praia da Penha, na Ribeira, desde 2011. Apesar de toda polêmica, a comerciante decidiu apaziguar a situação e trazer outra ótica.

Dôra Cardoso, comerciante na Praia da Ribeira
Dôra Cardoso, comerciante na Praia da Ribeira | Foto: Uendel Galter

"Não é questão de proibição. Por exemplo, eu tenho minha barraca aqui. Todo mundo aqui paga para armar, paga para tirar. Temos manutenção de nossos materiais. Então, como é que eu vou deixar uma pessoa vir de lá para cá, com o cooler cheio de cerveja, chega na minha mesa e senta: 'Porque a prefeitura falou que eu posso sentar'", protestou Dôra.

Aspas

A prefeitura não dá nada para a gente. Ninguém dá nada para a gente. A gente trabalha com o nosso material.

Dôra Cardoso - comerciante

Dôra explicou que os serviços da sua barraca são oferecidos a partir de uma negociação com o cliente. Não uma regra estabelecida do que precisa ou não, mas vai acertando de acordo com o dia da semana e o que pode ser pago.

Diante da situação com o estabelecimento de Boca, a comerciante reconheceu que não foi a melhor maneira de lidar com o problema, mas defendeu que o empresária estaria se referindo ao espaço das suas cadeiras e não a toda praia.

"Acho que o colega não soube especificar em relação à proibição de cooler. Ele botou 'proibido cooler', mas não botou 'nas minhas mesas'. Se ele especificasse, teria razão, porque as mesas são dele, ninguém aqui tá dando de graça a ninguém não", defendeu.

Dôra ainda sinalizou que após a pandemia, com o povo indo para praia levando seus próprios produtos, a renda ficou mais puxada. A trabalhadora da praia finalizou a entrevista afirmando que a extensão de areia da Praia da Ribeira é grande o suficiente para todos, quem deseja o serviço e para quem traz as coisas de casa.

Kit com cadeira, mesa e guarda-sol
Kit com cadeira, mesa e guarda-sol | Foto: Uendel Galter/Ag. A TARDE

Posicionamento da Semop

Informado de que representantes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (SEMOP) de Salvador esteve presente na praia, pela manhã, o MASSA! entrou em contato com a pasta, que retornou com um comunicado. Na nota, a SEMOP informou que "já está ciente do caso e que a situação será devidamente apurada pela Diretoria de Serviços Públicos (Disep)". O órgão ainda completou afirmando que diariamente é feito um trabalho de fiscalização para coibir os abusos à população soteropolitana.

A Semop ainda destacou que a lei municipal nº 9.928/2026, que proíbe a instalação das cadeiras e mesas na extensão de areia sem o pedido prévio, serve apenas para o Porto da Barra.

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