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Galera do corre - 21/02/2026, 07:40 - Silvânia Nascimento

Força de catadores do Subúrbio transforma resíduos em dignidade

Na Cooperguary 30 colaboradores são empregados

Colaboradores da Cooperguary
Colaboradores da Cooperguary |  Foto: Uendel Galter/Ag. A TARDE

Localizada no bairro de Periperi, em Salvador, a Cooperguary é uma das dezenas de cooperativas de reciclagem responsáveis por fazer a capital baiana ter sido oficialmente reconhecida com o certificado do Guinness World Records pelo maior volume de materiais recicláveis coletados no Carnaval.

Além de todo o trabalho de coleta seletiva, contribuição para o meio ambiente, limpeza das ruas e mais, as cooperativas também ajudam na geração de emprego e renda de diversas pessoas que vivem desses trabalhos. Na Cooperguary, por exemplo, 30 colaboradores são empregados, como revela Genivaldo Brito. “Atuamos no Subúrbio Ferroviário desde 2007. Fazemos um trabalho não só de preservação do meio ambiente, mas de geração de renda, que chamamos de economia circular. Esses catadores e catadoras são homens e mulheres, mães e pais que tiram daqui o seu sustento. Os cooperados, 99% são daqui mesmo, da localidade do Subúrbio. É um trabalho de várias mãos que vem atuando e contribuindo diretamente para essa coleta seletiva no estado da Bahia”, disse.

Assim como toda empresa, as cooperativas têm regras, horários de expediente e muita organização. Elas atuam realizando coletas em residências, empresas, condomínios e grandes eventos — as chamadas festas populares. “Hoje, nessa atuação de coleta seletiva, a gente recolhe papel, papelão, vidro, óleo de cozinha, eletrônicos e plástico. Então, contribuímos diretamente. Trabalhamos de segunda a sexta, das 8h até as 17h, com intervalo para o almoço. Temos essa preocupação não só de gerar renda, mas também o nosso foco é a preservação do meio ambiente”, contou Genivaldo.

Genivaldo Brito
Genivaldo Brito | Foto: Uendel Galter/Ag. A TARDE

“A gente tem um teto de pagamento para os colaboradores que é de um salário mínimo. Não pagamos valor inferior a isso. Todo mundo aqui paga INSS porque, como eu sempre falo: as cooperativas se organizam e pagam todos os impostos. Pagamos tributos como empresa, nos organizamos como empresa, mas nos falta apoio”, completou.

Na edição 2026 do Carnaval de Salvador, quatro projetos executados junto a 10 cooperativas de catadores e catadoras recolheram 106.713,14 kg de resíduos recicláveis. “Fizemos um trabalho que foi duro, extenso, mas a expectativa foi muito boa. Eu não sei o que seria do Carnaval de Salvador sem o trabalho dos catadores e catadoras de materiais recicláveis”, destacou Genivaldo.

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O pós-coleta

Depois de recolherem os materiais nos endereços, sejam eles residenciais, comerciais ou vias públicas, eles são levados para as cooperativas. “Aqui fazemos todo o processo de separação, que chamamos de triagem. Depois disso, esse material é separado, prensado e vai diretamente para a indústria. São várias indústrias: tem a do papel, do plástico, do vidro”, explicou Genivaldo.

As coletas não se limitam apenas a plásticos, papelão e outros resíduos. O óleo e o azeite de dendê também integram essa lista. “Eles vão diretamente para a fabricação de biodiesel. A gente deixa os vasilhames nos estabelecimentos, e os óleos que não são mais utilizados são colocados nesses recipientes. Depois a gente recolhe. Chegando aqui na cooperativa, armazenamos nas bombonas de mil litros. Depois que estão cheias, elas vão para a fabricação do biodiesel”.

Descarregando material
Descarregando material | Foto: Uendel Galter/Ag. A TARDE

Mais reconhecimento

Genivaldo aproveitou o momento da entrevista ao MASSA! para fazer um apelo ao poder público em nome de todos os catadores e catadoras. “Como a cidade de Salvador já ganhou dois prêmios, a gente espera também ser premiado pela Prefeitura de Salvador com a contratação que a gente chama de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), pelo serviço que prestamos nesta cidade. Percebemos que o trabalho das cooperativas avançou muito a partir de diálogos com a Prefeitura, com a Limpurb e com a Sesis, mas a gente espera a cereja do bolo, que é a contratação. A gente sabe o quanto as cooperativas têm se debruçado naquilo que fazem. Então, esperamos nos próximos dias ou meses esse presente vindo do prefeito de Salvador.”

“Eu acho que aquilo que a gente vem pedindo, pleiteando, é justo: a contratação e o reconhecimento pelo nosso trabalho, seja a nível de estado, seja a nível de município. Eu costumo dizer que coleta seletiva não tem bandeira partidária.”

Material reciclado
Material reciclado | Foto: Uendel Galter/Ag. A TARDE

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