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Legado de família - 15/01/2026, 10:30 - Laís Machado

Fé, tradição e sincretismo: benzedeira leva proteção ao Bonfim

Sincretismo religioso toma conta da colina sagrada

Na foto: Dona Maria e a neta
Na foto: Dona Maria e a neta |  Foto: Laís Machado/Ag. A TARDE

Quem tem fé vai a pé, e também aproveita para reforçar o lado espiritual. Maria Ilda, de 73 anos, já virou parte da tradição: há mais de 50 anos, ela abençoa quem passa pela Lavagem do Bonfim.

Moradora do Doron, em Salvador, dona Maria mantém o costume de família e levou até a neta para ajudar na missão. Segundo ela, a fé que move a colina é múltipla, e a função dela é acolher todo mundo.

“O pessoal que vem aqui é do católico, é do candomblé… Eu digo a você: eu sou de Deus em primeiro lugar. Em segundo, eu cultuo a religião de matriz africana. Sempre fiz esse papel que você tá vendo eu fazer”, contou ao MASSA!

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A benzedeira conta que muita gente se aproxima em busca de alívio.

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Você chega aqui com dor de dente e fala: ‘Tia, tô com dor aqui’. Me chame de mãe um dia que eu tô aqui pra ajudar.

Ela afirma que a missão vem de longe e circula por outros bairros também, inclusive na Lavagem de Iemanjá, que acontece em 2 de fevereiro:

“Eu tô aqui no Bonfim, mas também fico no Rio Vermelho e em outros lugares. A gente vem de carro. Hoje mesmo saí de casa 3 horas da manhã pra conseguir chegar e arrumar tudo.”

A tradição de benzer, ela conta que nasceu dentro da própria família.

“Meu avô dizia que era de um terreiro lá pro lado de Irará. O nome dele era Mestre Panta — eu não conheci. Minha avó ficou doente, perdeu a visão, mas dizia que enxergava o povo… e aí a missão caiu nos meus braços", detalha.

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