
Com o primeiro dia de provas marcado para o próximo domingo (8), estudantes de todo o país intensificam a preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026. Para muitos jovens, o exame representa uma das principais oportunidades de ingressar no ensino superior e realizar o sonho de cursar uma universidade.
De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), a Bahia reafirmou seu protagonismo no ranking de inscritos para a edição deste ano, com um total de 437.243 participantes.
Nesta reta final, além de revisar os conteúdos programáticos, os candidatos precisam dedicar atenção aos cuidados com a saúde física e mental. Momentos de descanso, alimentação balanceada, prática de atividades físicas e boas noites de sono são alguns dos fatores que podem contribuir para um melhor desempenho durante as provas.
Em entrevista ao MASSA!, o psicólogo Iago Corrêa explica que sentir ansiedade diante de uma avaliação tão importante é natural. No entanto, o excesso de cobrança pode prejudicar o bem-estar e a concentração dos estudantes.
“Na perspectiva da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), precisamos ajudar o estudante a identificar pensamentos negativos, como ‘não vou conseguir’, e substituí-los por pensamentos mais realistas. O estudante precisa entender que o Enem é importante, mas não define seu valor pessoal nem determina todo o seu futuro”, afirma.
Descanso também faz parte da preparação
Com a proximidade do exame, muitos candidatos podem sentir a necessidade de intensificar os estudos e dedicar ainda mais horas às revisões. Entretanto, o descanso também precisa fazer parte do planejamento.

O sono, por exemplo, contribui para a consolidação da memória, enquanto uma boa alimentação e pausas regulares favorecem a concentração. Por isso, estudar por longos períodos, quando o corpo já está exausto, não significa necessariamente aprender mais.
“Precisamos compreender que cuidar da saúde física e mental não é perder tempo, mas criar melhores condições para aprender e realizar a prova”, destaca Iago Corrêa.
Como controlar a ansiedade durante a prova?
O nervosismo também pode aparecer no momento de responder às questões. Diante de uma pergunta difícil ou de um possível esquecimento do conteúdo, o estudante pode sentir dificuldade para manter a concentração.
Para essas situações, o psicólogo recomenda controlar o ritmo da respiração e direcionar a atenção para o momento presente.
“Se o estudante tiver um branco, minha orientação é que não entre em desespero: respire, passe para outra questão e retorne depois. Quanto mais ele pensa que não sabe nada, maior pode ser a ansiedade”, orienta Iago.
O que priorizar na prova de Linguagens?
Além dos cuidados emocionais, a organização do tempo e a estratégia de resolução das questões podem fazer diferença no desempenho dos candidatos. Para Paulo Reis, professor de Linguagens e Redação do Colégio São Paulo, neste momento, é importante priorizar conteúdos que costumam apresentar menor grau de complexidade na prova.

“Entre os assuntos que merecem atenção estão gêneros e tipologias textuais, funções da linguagem e variação linguística. Esses conteúdos aparecem frequentemente no exame e podem ajudar o estudante a conquistar acertos em questões consideradas mais acessíveis”, pontua Paulo em entrevista ao MASSA!
O professor também chama atenção para a Teoria de Resposta ao Item (TRI), metodologia utilizada pelo Enem para calcular a pontuação dos candidatos. Neste sentido, a recomendação é buscar coerência no padrão de acertos, priorizando as questões mais fáceis antes de dedicar mais tempo às consideradas difíceis.
Na hora de resolver as questões, Paulo Reis apresenta três orientações: ler primeiro o enunciado, identificar o comando da pergunta e não ignorar as informações presentes no rodapé dos textos.
“Ler primeiro o enunciado ajuda demais”, explica o professor. Segundo ele, essa estratégia permite que o candidato saiba o que precisa identificar no texto antes de iniciar a leitura, evitando perder tempo com informações que não são necessárias para responder à questão.
O professor também recomenda atenção às referências bibliográficas, autoria e local de publicação dos textos, já que essas informações podem ajudar a identificar o gênero textual e compreender melhor o contexto da questão.
Dicas para garantir uma boa redação
Na redação, o professor orienta que os candidatos tenham atenção às cinco competências avaliadas pelo Enem. Entre elas estão o domínio da norma-padrão da língua portuguesa, a compreensão da proposta temática, a organização dos argumentos, a coesão textual e a elaboração de uma proposta de intervenção.
Um dos cuidados destacados por Paulo Reis é reservar tempo para revisar o texto antes de passá-lo a limpo. Segundo ele, erros de gramática, acentuação e ortografia podem comprometer a pontuação, principalmente quando o candidato realiza essa etapa de forma apressada.
“Uma dica para essa competência é você ter alguma calma na hora de passar esse texto a limpo ou ter tempo de revisar esse texto para evitar erros, às vezes, crassos de gramática”, orienta.
Outro ponto de atenção é a utilização de repertórios socioculturais. O professor explica que as referências precisam estar relacionadas ao tema e articuladas à argumentação, evitando citações utilizadas de forma isolada.
“O aluno é cobrado num repertório, mas ele não pode colocar o repertório de forma solta, desarticulada da argumentação dele. Ele tem que pensar em bons repertórios relacionados ao tema e relacionados àquilo que ele está discutindo no texto dele”, destaca.
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A organização dos argumentos também merece atenção. De acordo com Paulo Reis, o candidato precisa manter coerência entre a introdução, o desenvolvimento e a conclusão, seguindo o planejamento apresentado ao longo da redação.
“Não adianta nada esse aluno prometer na introdução que vai falar de A e B e, no desenvolvimento, esquecer que prometeu A e B e entregar X e Y. Ele precisa ter uma coerência ao longo de todo o texto dele”, explica.
Na proposta de intervenção, o professor destaca a necessidade de apresentar cinco elementos básicos: agente, ação, meio ou modo, finalidade e detalhamento. A solução precisa responder aos problemas identificados pelo candidato durante a argumentação.
“Ele precisa trazer uma proposta de intervenção que tenha um agente realizando uma ação interventora, mostrando por meio de que ele vai estar realizando essa ação e com que finalidade”, afirma Paulo Reis.
O professor também recomenda que o candidato escolha um dos elementos para detalhar, acrescentando informações que tornem a proposta mais clara e completa. Para ele, é fundamental evitar soluções genéricas ou que não estejam relacionadas aos problemas discutidos na redação.
Planejamento para os últimos dias
Na reta final, a recomendação é priorizar revisões, retomar os conteúdos considerados mais importantes e estabelecer metas realistas, sem tentar recuperar todo o programa de estudos de uma só vez.
O professor Paulo Reis orienta que os candidatos aproveitem a última semana para revisar os repertórios utilizados durante os treinamentos ao longo do ano e ter cautela com conteúdos divulgados nas redes sociais às vésperas do exame, principalmente aqueles que especulam possíveis temas.
“O excesso de informações pode aumentar a ansiedade dos candidatos, especialmente daqueles que estão preocupados em descobrir antecipadamente o assunto da redação”, ressalta.
Além da preparação acadêmica, preservar o sono, fazer pausas e evitar comparações com outros candidatos são atitudes importantes para enfrentar esse período. Para o psicólogo Iago Corrêa, o estudante precisa substituir a autocobrança excessiva pela confiança no próprio processo de preparação.
“Nesse momento, o estudante precisa trocar a autocobrança excessiva por uma postura de confiança no próprio processo, reconhecendo que fez uma preparação e que pode enfrentar a prova mesmo diante das dificuldades”, concluiu o professor.

