
Faltando 10 dias para o primeiro dia do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), muitos alunos reforçam a preparação para o primeiro caderno da prova, constituído por Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, Ciências Humanas e suas Tecnologias e a parte que tira o sono de muitos estudantes: a redação.
A única parte discursiva do exame é a redação dissertativo-argumentativa, que pode ter peso decisivo a depender do curso escolhido por cada candidato.
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Para ajudar quem deixou o treino da escrita para a última hora, ou quem quer refinar o que já sabe, o MASSA! conversou com o professor de redação Rodrigo Fortes, que conquistou nota 1000 na prova em 2025.
Qual deverá ser o tema da redação do Enem 2026?
Calma que aqui bola de cristal não funciona. Segundo o professor, porém, existe uma lógica por trás do que norteia o possível tema de 2026.
Olhando para os últimos anos, Rodrigo avalia que as maiores chances são de temas que envolvam minorias sociais. Ele lembra que 2025 trouxe os idosos, 2024 a comunidade negra, 2023 as mulheres trabalhadoras de cuidado, 2022 as comunidades tradicionais e originárias e 2021 as pessoas sem registro civil.
Ainda de acordo com ele, o tema deve cobrar algum grupo que ainda não foi citado. Também podem aparecer assuntos mais amplos, mas que se articulam com minorias:
"Por exemplo, desastres naturais, desastres ambientais, emergência climática. Ao pensar nos grupos mais afetados, entra também o racismo ambiental", explica.
Os temas das últimas três redações:
Enem 2025: "Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira"
Enem 2024: "Desafios para a valorização da herança africana no Brasil"
Enem 2023: "Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil"
Deixei para a última hora, o que fazer?
Com menos de duas semanas para a prova, reduzir e focar no essencial é a melhor estratégia. Segundo Rodrigo, o mais importante não é o repertório nem o argumento em si, mas a estrutura.
O conteúdo mais importante que o aluno tem que dominar para fazer uma redação razoável no Enem é a estrutura
Professor de redação Rodrigo Fortes
A dica para quem começou a estudar agora é treinar a organização a partir de textos bem avaliados.
"É perceber de que maneira esses textos dialogam entre si: quais são as semelhanças, as divergências, o que um texto nota 1.000 costuma fazer na introdução, no D1, no D2 e na conclusão. Assim, o aluno ganha um norte muito eficiente para entender como a estrutura funciona", finaliza.

Entenda como sua redação é corrigida
A redação do Enem 2026 será avaliada com base em cinco competências, que analisam desde o domínio da língua portuguesa até a capacidade de construir argumentos e propor soluções para um problema social. Cada competência vale até 200 pontos, e a nota final pode chegar a 1.000.
De acordo com A Redação do Enem 2026: Cartilha do(a) Participante, publicada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o texto deve seguir o modelo dissertativo-argumentativo, utilizar a modalidade escrita formal da língua portuguesa e defender um ponto de vista com argumentos consistentes.
A correção segue uma matriz com seis níveis de desempenho para cada competência. Cada avaliador atribui de zero a 200 pontos em cada critério, e a soma das cinco notas corresponde à pontuação total dada por ele. O processo funciona assim:
- Primeira avaliação: um avaliador analisa a redação e atribui notas às cinco competências.
- Segunda avaliação: outro avaliador corrige de maneira independente, sem conhecer as notas do primeiro.
- Cálculo da nota final: se as avaliações estiverem dentro dos limites de discrepância estabelecidos, a nota final será a média aritmética das duas pontuações totais.
Mas as regras do jogo mudaram: os "modelos coringas" e os "repertórios de bolso" já não pontuam bem.
"Modelo coringa não é mais válido. O aluno vai ao Enem com o esqueleto pronto da redação e só preenche as lacunas. É uma metodologia improdutiva", ressalta o professor.
Segundo ele, hoje a forma mais eficiente de estudar é aprender a estrutura e a microestrutura do texto:
"Todos esses tópicos têm que ser desenvolvidos em um texto autoral, com criatividade, que evite repertórios genéricos, clichês e frases prontas, e que parta das vivências e experiências de mundo do aluno."
Repertórios coringas: quais são e como evitar?
Antigamente, chamavam-se de repertórios coringas aqueles que não têm especificidade temática, ou seja, que não se relacionam de fato com o tema nem com a argumentação do texto. Hoje, são os chamados repertórios de bolso, que, segundo Rodrigo, já não funcionam tão bem.
Um exemplo é a obra Utopia, que apresenta uma sociedade sem nenhum problema:
"O aluno pegava esse repertório e articulava com qualquer tema, fazendo um contraste com a sociedade brasileira. Hoje sabemos que essa é uma abordagem muito genérica."
Outro exemplo é o verso de Carlos Drummond de Andrade, "No meio do caminho tinha uma pedra", que, para o professor, também não pontua bem.
A orientação é investir em repertórios ligados a eixos temáticos. "A ideia é ir ao Enem com repertórios para vários assuntos que podem ser pensados: meio ambiente, educação, política e economia, ciência e tecnologia, saúde, arte e cultura, cidadania, diversidade e grupos sociais, finalizou.

