
Entre a falta de chuva, a necessidade de buscar uma renda complementar e o amor pelo campo, o Grupo de Mulheres Defensoras da Caatinga, formado por moradoras das comunidades de Fundo de Pasto Mangabeira e Paranazinho, no município de Mirangaba, no semiárido da Bahia, segue mobilizado em fortalecer a agricultura familiar da localidade.
Formada por 12 mulheres que atuam em áreas de policultivo, com o cultivo de frutíferas, hortaliças, verduras e mudas nativas, a iniciativa, existente há cerca de três anos, tem resistido à falta de chuva na região. Sobra vontade, força braçal e amor pelo trabalho do campo, porém, falta água.
“Esse projeto foi criado por nós, mulheres defensoras da Caatinga. Começamos plantando em uma área coletiva onde todas trabalham juntas. Mas aqui é muita seca. Falta água, poucos tem chuva. Vamos molhando as plantações de balde, de mangueira. Mas essa água que pegamos no poço é para abastecer a comunidade, então, precisamos dividir para outras necessidades como cozinhar e higiene. Aqui sempre foi ruim ter chuva de verdade, mas percebemos que está piorando a cada ano. A última chuva forte que caiu aqui foi em janeiro”, lamentou Antonieta Maria de Jesus, 68 anos, uma das integrantes do grupo.
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Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), o Governo do Estado também participou da criação do grupo, através de diálogos entre as mulheres e técnicos da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), ganhando força com os investimentos feitos pela SDR, por por meio do Assessoramento Técnico Continuado (ATC).

"As ações incluíram a estruturação das áreas produtivas, com a construção de cisternas tipo telhadão para captação de água da chuva, aquisição de mudas, implantação de sistema de irrigação e parceria com a prefeitura municipal para reativação de poço artesiano”, pontuou o órgão. O grupo também se destaca pela atuação na defesa do bioma, do território e das comunidades.
Falta chuva, sobra amor
Apesar do cenário crítico, elas persistem com a iniciativa. “Por causa dessa falta de água, reduzimos a variedade das hortaliças e não conseguimos mais vender como antes. Hoje, o que plantamos acaba ficando mais para consumo próprio, que já é uma ajuda porque além de fazermos algo que gostamos, não precisamos gastar dinheiro comprando. A verdade é que a gente planta porque amamos plantar, mas também dar uma melhorada na renda familiar. Temos milho, feijão, mas a falta de chuva nem sempre deixa vingar. É triste, mas a gente tem que se conformar com o que Deus manda”, disse Josete Maria Silva, 52 anos, ao MASSA!.
