
O Núcleo Incentivar promoveu, na manhã deste domingo (1º), o “Incentivar Folia”, um Carnaval inclusivo, pensado para acolher crianças neurodivergentes e suas famílias. O evento foi realizado na Avenida Magalhães Neto, em Salvador, que é fechada ao tráfego de veículos e transformada em área de lazer aos domingos e feriados, das 7h às 17h.
Karla Pamponet, diretora do Núcleo Incentivar, explicou que o projeto é focado no atendimento e desenvolvimento a crianças e jovens neurodivergentes, de forma que o maior público atualmente são crianças autistas. A sede do Núcleo fica localizada em Salvador, na Pituba, mais precisamente no Edifício Millenium.
A iniciativa já existe há 7 anos e oferece assistência psicológica, nutricional, fonoaudiológica, psicopedagógica, além de terapia ocupacional, musicoterapia e fisioterapia.
Karla também explicou a importância do “Incentivar Folia” no acolhimento ao público infanto-juvenil e neurodivergente. “O carnaval inclusivo tem toda a importância porque é um carnaval adaptado. A gente sabe que hoje nossas crianças e jovens, muitas vezes, são excluídos de determinados eventos”, destacou ela.
“E aqui a gente faz com que eles se sintam pertencentes mesmo. Onde todo mundo entende todo o processo da neurodivergência e a gente faz toda a adaptação necessária para que eles continuem seguindo e se adaptando ao circuito inteiro”, acrescentou a diretora do Núcleo, que promoveu neste domingo a quarta edição do evento.
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Inclusão
Geisa Helena, mãe do pequeno Matheus, afirmou que o evento é uma das maneiras para que o filho pudesse curtir o Carnaval sem se preocupar com as dificuldades dos festejos tradicionais da capital baiana. Ela conta que participou de todas as edições promovidas pelo Núcleo Incentivar até então.

“Matheus, por exemplo, gosta muito do Carnaval, curte bastante e sempre quer estar presente. É de grande importância esse evento, porque mostra a diversidade, a inclusão. É um evento que todos se divertem, e ter essa inclusão, essa recepção… Sou muito grata por isso.”, disse Geisa.
A mulher ainda explicou o que pode ser feito para que o Carnaval tradicional possa se tornar um evento mais inclusivo para o público neurodivergente: “No Carnaval de Rua, eu acredito que deveria haver um horário diferenciado para eles, que não tivesse tanto barulho, fosse mais tranquilo, e que todos abraçassem a causa”.
Adaptação
Thauan Santos, músico da orquestra de rua “Som da Alegria”, grupo que tocou “Incentivar Folia”, explicou as principais diferenças de trabalhar em eventos tradicionais e em eventos direcionados para o público neurodivergente.

“No carnaval de rua, a gente usa muito som, muito volume, para poder empolgar, chamar a galera para vir acompanhar”, iniciou Thauan. “Aqui é diferente. A gente tem que trabalhar a sonoridade para eles [as crianças] se acostumarem com o som, para depois a gente começar a tentar ir aumentando esse volume.”, explicou o músico.
“Mas também é algo que a gente faz com bastante maestria. É muito gratificante isso”, concluiu.
