
São muitos os impactos enfrentados pelos moradores de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, desde que manchas azuis e amarelas, provocadas pelo derramamento de produtos químicos, foram avistadas na praia da região. Os prejuízos são ainda maiores para quem depende do mar para garantir o sustento da família.
Nesta semana, a Prefeitura de Salvador decretou situação de emergência na localidade pelos próximos três meses, após a constatação de que o vazamento causou danos ambientais em toda a faixa litorânea da região. A medida foi oficializada por meio do Decreto nº 41.834.
Clénio Dias, de 63 anos, vive da pesca desde os 8 anos de idade. Ele afirma que não consegue trabalhar desde fevereiro, período em que as primeiras manchas foram observadas pelos moradores de São Tomé de Paripe. Segundo ele, os prejuízos também atingem outras categorias, como barraqueiros e comerciantes que dependem do movimento de visitantes atraídos pelas águas calmas e cristalinas da região.
Sem a pesca, me sinto sem utilidade. Fico olhando para um lado e para o outro, sem saber o que fazer
“A minha pescaria, de fevereiro para cá, zerou. Não é falta de peixe. Tem peixe, mas está tudo contaminado. Quem vai comprar? Eu mesmo, se estivesse do outro lado, não compraria. Tem pessoas que vivem das barracas, assim como eu vivo da pesca. Estou parado, de mãos atadas. Os barraqueiros, as marisqueiras, todos sem saber o que fazer. Na idade em que estou, não tenho mais condições de começar outra atividade”, lamenta em entrevista ao MASSA!.

O líquido tóxico que atingiu o mar é oriundo de atividades desenvolvidas pelas empresas Gerdau e Intermarítima, conforme apuração do Ministério Público da Bahia (MP-BA). O decreto municipal informa ainda que foram identificadas concentrações elevadas de metais pesados em organismos marinhos coletados na área afetada.
O empresário Amaral, proprietário de um depósito de bebidas localizado na praia, afirma que fechou o estabelecimento. Segundo ele, a queda no número de visitantes tornou inviável manter o negócio funcionando.
“Devido à contaminação da praia, nós estamos sem renda. Estou devendo energia, aluguel, e meu depósito está fechado. Mensalmente, o prejuízo está entre R$ 35 mil e R$ 40 mil, no mínimo. Eu não posso vender, está tudo atrasado. Vou ter que entregar o meu ponto comercial. Sou um cidadão de bem, pago meus impostos. E agora, onde está o retorno dos órgãos competentes? Estou aguardando uma solução”, questiona.
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Conforme a gestão municipal, com o decreto de situação de emergência, o próximo passo será buscar apoio e recursos junto ao Governo Federal para garantir assistência e benefícios à população afetada.
Ueliton Santos Pimenta, de 50 anos, é mergulhador e frequentador da praia. Ele conta que, assim como diversos colegas, também foi diretamente impactado pelo avanço do produto químico.
“Eu e vários colegas estamos sendo diretamente prejudicados por essa situação. Não estamos podendo pescar nem mergulhar, e isso tem tornado a vida muito difícil para quem depende dessas atividades aqui. Mesmo passando por dificuldades, seguimos em frente porque Deus sempre providencia um caminho”, diz.
