
O caso envolvendo o assassinato da líder quilombola Maria Bernadete Pacífico Moreira, a Mãe Bernadete, pode ganhar mais um capítulo nesta quarta-feira (21). Sérgio Ferreira de Jesus, um dos cinco acusados pelo crime, será levado ao Tribunal do Júri, em Salvador.
A sessão está marcada para começar às 8h, no Fórum Ruy Barbosa, e será presidida pela juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos, do 1º Juízo da 1ª Vara do Tribunal do Júri. Este será o quarto julgamento relacionado diretamente ao homicídio.
Até agora, os três acusados que sentaram no banco dos réus foram condenados. O mais recente foi Josevan Dionísio dos Santos, apontado como um dos homens que efetuaram os disparos contra Mãe Bernadete.
Quem é o próximo réu?
Sérgio Ferreira de Jesus aparece nas investigações como peça importante na sequência de acontecimentos que terminou na morte da líder quilombola.
Segundo a apuração da Polícia Civil, a motivação começou após um morador do Quilombo Pitanga dos Palmares ser repreendido por Mãe Bernadete por causa da exploração ilegal de madeira na região. A investigação apontou que ele passou informações a integrantes do tráfico, por meio de áudios, dizendo que a líder estaria acionando a polícia contra atividades criminosas na comunidade.
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Sérgio foi identificado pelas investigações como esse morador e apontado como responsável por instigar integrantes do grupo criminoso após entrar em conflito com Mãe Bernadete. Ele também teria contribuído para facilitar a ação dos executores.
Agora, caberá aos jurados decidir se ele teve participação no homicídio e se deve ser condenado.
Três condenações até agora
Os primeiros julgamentos aconteceram em abril deste ano. Arielson da Conceição dos Santos e Marílio dos Santos foram julgados juntos durante uma sessão que durou dois dias no Fórum Ruy Barbosa.
Arielson recebeu a maior pena até agora: 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão. Ele foi condenado pelo homicídio qualificado e também por roubo. Já Marílio, apontado como um dos mandantes do assassinato, recebeu pena de 29 anos e 9 meses de reclusão.

Marílio estava foragido quando foi condenado. Dois dias depois do julgamento, ele foi localizado pelo Bope na zona rural de Catu. Segundo a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), houve confronto durante a tentativa de cumprimento do mandado de prisão. Ele foi baleado, socorrido, mas morreu.
Terceiro condenado pegou 28 anos
Na última terça-feira (13), foi a vez de Josevan Dionísio dos Santos, conhecido como “BZ” ou “Buzuim”, enfrentar o júri.
Apontado como um dos executores de Mãe Bernadete, ele foi considerado culpado pelo Conselho de Sentença e condenado a 28 anos de prisão, em regime inicial fechado.
O Ministério Público sustentou a participação de Josevan no homicídio e os jurados reconheceram a prática de homicídio qualificado. Ele já estava preso preventivamente e teve determinada a execução provisória da pena.
Relembre o assassinato
Mãe Bernadete foi assassinada no dia 17 de agosto de 2023 dentro de casa, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador.
A líder quilombola estava com netos quando homens armados invadiram o imóvel. Ela foi atingida por 25 disparos. As investigações apontaram que o crime ocorreu em meio à resistência de Bernadete ao avanço do tráfico de drogas dentro do território quilombola.
Mãe Bernadete era ialorixá, liderança comunitária e uma das principais vozes na defesa dos direitos quilombolas. Ela também denunciava ameaças e cobrava respostas das autoridades para os problemas enfrentados pela comunidade.
Ainda falta um acusado
Ao todo, cinco pessoas foram denunciadas pela morte da líder quilombola. Com o julgamento de Sérgio nesta quarta, apenas Ydney Carlos Santos de Jesus ainda ficará sem passar pelo Tribunal do Júri.
Segundo o Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA), o processo referente a Ydney aguarda o trânsito em julgado da decisão de pronúncia. Por isso, ainda não existe data marcada para o julgamento dele.

