
As cantoras pretas independentes das periferias de Salvador têm até 15 de janeiro para se inscrever no MIRA LAB, projeto criado para fortalecer, formar e dar visibilidade a artistas negras da capital.
A iniciativa é do Instituto A Mulherada, em parceria com o Mira – Elas na Música, com apoio da Fundação Banco do Brasil. Com mais de 20 anos de atuação na luta pelos direitos de mulheres negras, o Instituto destaca que o MIRA LAB faz parte da agenda estratégica de ampliar a autonomia econômica criativa e garantir acesso à formação artística para mulheres historicamente afastadas do mercado.
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Inscrições
Podem participar mulheres negras, cis ou trans, maiores de 18 anos, moradoras de bairros periféricos e com música autoral pronta. A inscrição é grátis e feita por formulário online, com envio de autodeclaração, foto, comprovante de residência e um vídeo ou áudio cantando.
“A música sempre foi uma ferramenta de afirmação e sobrevivência para nós. O MIRA LAB estrutura caminhos de formação, visibilidade e investimento direto para que essas artistas avancem com dignidade e reconhecimento”, afirma Elma Andrade, diretora administrativa do Instituto A Mulherada.

Como funciona o MIRA LAB
O processo formativo reúne práticas vocais, produção musical, construção de identidade artística, presença digital, planejamento de carreira e atividades com profissionais do mercado: tudo pensado para unir teoria e prática.
Serão selecionadas 20 participantes para a formação inicial. Destas, 5 avançam para direção musical, ensaios e gravação audiovisual, com lançamento nas plataformas. Depois, o público vota e 3 artistas recebem capital semente de R$ 5 mil para impulsionar seus projetos.

“Muitas mulheres talentosas na periferia de Salvador não avançam na carreira por falta de apoio. O MiraLab nasce para mudar isso, oferecendo conhecimento, prática e oportunidade real”, diz Carol Rodrigues, idealizadora da iniciativa Mira – Elas na Música.
Carol explica que a jornada foi criada a partir de pesquisas sobre a cena musical e da sua experiência com artistas negras independentes.
“O MiraLab surge da análise do contexto e da minha vivência com cantoras pretas que seguem criando e resistindo sem a visibilidade que merecem. A jornada une masterclasses, direção artística, gravação da session e a chance do capital semente”, afirma.
