
Mulher é assassinada dentro de casa no Engenho Velho de Brotas. Cabo da PM é morta pelo marido policial. Feminicida mata companheira a facadas no interior da Bahia. Ex-vereador baiano é preso por suspeita de matar a companheira estrangulada. Mulher é morta a tiros por ex-companheiro dentro de ônibus. Esses foram alguns dos inúmeros noticiários divulgados recentemente sobre mulheres vítimas de feminicídio. Só no ano passado, 1.571 mulheres foram mortas no Brasil por parceiro íntimo, ex-parceiro e familiar, conforme dados divulgados pelo Anuário da Segurança Pública 2026, edição mais recente.
Também segundo dados do anuário, entre os meses de janeiro e dezembro de 2025, a Bahia foi o estado do Nordeste que mais registrou feminicídios, com 102 casos, seguido de Pernambuco (88), Maranhão (51), Ceará (47) e Piauí (37). Completam a sequência, Paraíba (36), Alagoas (30), Rio Grande do Norte (19) e Sergipe (15). No topo do ranking nacional, o estado de São Paulo aparece com 270 registros.
A realidade não se resume apenas a esses dados, isso porque, assim como em outros delitos, ainda há os casos subnotificados, aqueles que não entram nos registros oficiais das autoridades devido a falta do registro da ocorrência. Isso acontece em decorrência de fatores como: vergonha, medo e, inclusive, falta de acesso aos serviços públicos.

À frente do Batalhão de Policiamento de Proteção à Mulher (BPPM) da PM, a tenente-coronel Roseli Santana, esclarece que, acionar a PM, é vital para ajudar a garantir a integridade da vítima e a captura do suspeito.
“As unidades de área, como as Companhias Independentes da Polícia Militar e os Batalhões da PM, que fazem o serviço de rotina, devem ser acionadas porque elas estão mais próximas. O Batalhão da Mulher atua fazendo o acompanhamento e visitas às mulheres que possuem medidas protetivas. A gente também trabalha nas ruas. Temos, diariamente, de três a quatro viaturas circulando em Salvador, Lauro e Camaçari, mas a vítima deve, unicamente, chamar a viatura da área porque está perto”, alertou.
Além da PM, que pode ser acionada pelo número 190, outros canais de instituições públicas também podem ser contactadas. São eles:
➡️Central de Atendimento à Mulher, pelo 180, ou pelo WhatsApp: (61) 9610-0180,
➡️Casa da Mulher Brasileira, que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana,
➡️Hospitais, Unidades Básicas de Saúde (UBS), UPAS e outros serviços do Sistema Único de Saúde.
Leia Também:
Delegacia virtual 'on'
A formalização do ocorrido junto à Polícia Civil também é indispensável. A partir desse registro, as autoridades poderão iniciar as investigações. A delegada delegada Argimária Freitas alerta que, se a vítima estiver impossibilitada de comparecer a uma delegacia física, o boletim de ocorrência pode ser feito através da Delegacia Virtual.
“Após fazer o registro na delegacia virtual, a ocorrência vai ser encaminhada para a DEAM de Brotas ou de Periperi, em Salvador. Se for em outra cidade da Bahia, será encaminhada para a delegacia territorial de onde aconteceu o fato, para que a seja apurada”.
Apoio psicológico
A psicóloga Isabela Pinto Magno Martins chama atenção para que as vítimas também procurem ajuda de profissionais da área de saúde. “É importante lembrar que nem toda mulher desenvolverá um transtorno mental, mas praticamente todas sofrem algum impacto emocional significativo. Quanto mais cedo ocorre o acolhimento e o acesso ao tratamento, maiores são as chances de recuperação. O tratamento depende das necessidades de cada mulher, Geralmente envolve atendimento psicológico, acompanhamento médico quando necessário, assistência social e orientação jurídica. Em alguns casos, o acompanhamento psiquiátrico também pode ser indicado”, disse.

