
Se tem algo que as pessoas gostam é praticidade. E esse é um dos motivos pelos quais a procura pelos bancos digitais cresceu expressivamente nos últimos cinco anos, quando - durante parte desse período - o mundo foi tomado pela pandemia da Covid-19 e os aparatos tecnológicos passaram a ser mais utilizados.
Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), em abril de 2020 - um mês após os primeiros casos de Covid surgirem no Brasil - 74% das transações bancárias no país já eram realizadas por meios digitais. Os números da federação mostram, também, que em 2021, o número de contas digitais no Brasil já ultrapassava a marca de 60 milhões. Anos se passaram e, assim como todo negócio, alguns desses bancos passaram a apresentar insegurança acerca da permanência no mercado e, inclusive, falência, como o caso do Banco Master, que comprou o Will Bank em 2024, tendo a falência decretada em janeiro de 2026.
A finalidade dessa matéria não é assustar os usuários que utilizam bancos digitais, nem tão pouco colocar em xeque a credibilidade das instituições financeiras que seguem no mercado brasileiro. Essa reportagem busca esclarecer dúvidas que surgiram, principalmente, após o escândalo do Banco Master. Afinal, bancos digitais são ou não seguros? A resposta para esse e outros questionamentos será detalhada pela economista e matemática, Débora Carla Pereira, que também é professora do Centro Universitário Unijorge.
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“Sim, eles são seguros. Os bancos têm uma garantia. Eles são garantidos pelo Fundo Garantidor de Crédito, ou seja, se houver algum problema de liquidez, esse Fundo pode garantir até R$ 250 mil por CPF. O Will era um banco digital e, inclusive, muitos clientes recorreram ao Fundo Garantidor de Crédito. Se eu não me engano, já se pagou R$ 50 milhões. Mas é importante saber que não é uma coisa automática, o dinheiro não vem na mesma hora. Tem que passar por um processo, entrar no aplicativo, fazer a inscrição. Dependendo do caso até 48 horas a pessoa consegue”, disse.
Mas atenção! A especialista orienta que, antes de abrir conta em qualquer banco digital, é importante pesquisar sobre ele. “Essa consulta pode ser feita no site do Banco Central. O primeiro de tudo é certificar-se que está realmente usando um banco digital porque existem várias instituições de serviços financeiros que não são bancos necessariamente. São serviços financeiros diversos. Alguns fornecem crédito, emprestam crédito, alguns trabalham como investidores, outros trabalham com sistemas de pagamento, como o PicPay, o PagSeguro. Então, certificar se são realmente bancos digitais, acho que é a primeira coisa que tem que fazer. O Nubank, por exemplo, foi autorizado pelo Banco Central a ser um banco digital”, pontuou Débora.
Agências físicas estão sumindo na Bahia
A cada dia tem sido mais difícil encontrar agências bancárias (físicas) com a mesma facilidade de há alguns anos atrás. Na Bahia, por exemplo, mais de 339 unidades foram fechadas em menos de dez anos, segundo números divulgados pelo Sindicato dos Bancários de Feira de Santana. E, conforme análise da economista há grandes chances desse número crescer.
“A tendência é que os bancos tradicionais caminhem para a digitalização (digital). Perceba que o Inter é do Itaú, o Next do Bradesco. Então, têm bancos que já estão caminhando para a digitalização. Acho que, futuramente, cada vez teremos menos agências físicas. Sobre muitas pessoas confiarem mais em bancos públicos como Banco do Brasil e Caixa Econômica é porque são tradicionais. O Banco do Brasil, por exemplo, é o mais antigo do país, ele atravessou as guerras. A Caixa Econômica não é bem um banco, mas tem uma autorização para funcionar como banco”, explicou.
"Ainda tem essa tradição de achar que o público é mais seguro, porém, hoje tem muitos regulamentos, muitas leis, muitos marcos regulatórios que garantem segurança com bancos digitais. Esse é um grande problema, talvez ainda tenha a ver com a questão das pessoas se sentirem vulneráveis porque, de certa forma, são bancos que trabalham com dados virtuais Os dados ficam soltos, ficam nas nuvens. Então, um dos grandes medos da população é justamente isso: sumiço de informação, saldo desaparecer da conta, mas quando isso acontece, rapidamente o banco corrige. Às vezes, o Banco do Brasil, por exemplo, mostra o saldo zerado, mesmo tendo dinheiro na conta. O que acontece, na verdade, é uma instabilidade no sistema. E até as agências físicas trabalham com tecnologia. Então, pode existir uma instabilidade no sistema que faça com que alguns dados desapareçam”, disse a economista.
Também conforme dados do sindicato, na Bahia, o número de agências caiu de 1.095 para 756, entre 2016 e novembro de 2025. "O movimento faz parte da reestruturação adotada pelas grandes instituições financeiras, intensificada nos últimos anos. O processo de fechamento prioriza a redução de custos e o aumento da rentabilidade das instituições, enquanto limita o acesso da população aos serviços bancários, sobretudo no interior", lamentou o sindicato, por meio de informativo divulgado em seu site.
