
O peixe-boi-marinho que se chama Astro já sobreviveu a 34 atropelamentos por embarcações e, mesmo com quase meia tonelada e cerca de 35 anos, continua circulando livremente entre áreas do litoral da Bahia e de Sergipe. Agora, o animal que virou uma espécie de celebridade também ganhou proteção da Justiça Federal.
A decisão, da qual o portal UOL teve acesso, determina uma série de medidas para reduzir os riscos à vida do peixe-boi, incluindo a instalação obrigatória de protetores de hélice, conhecidos como “gaiolas”, nas embarcações que circularem pelas áreas frequentadas por Astro. Na Bahia, a Capitania dos Portos deverá notificar os proprietários sobre a exigência.
Os equipamentos custam entre R$ 300 e R$ 900 e têm a função de impedir que as hélices atinjam diretamente animais e banhistas. A fiscalização dos limites de velocidade também deverá ser reforçada, principalmente em fins de semana, feriados e na alta temporada.
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Fama
Relatórios apresentados à Justiça registram situações curiosas, e perigosas, envolvendo o animal. Pessoas tentam abraçá-lo, beijar seu focinho, montar nele e até bater na água para fazê-lo se aproximar. Há ainda registros de turistas oferecendo água, refrigerante e até cerveja diretamente na boca do peixe-boi.
Além das regras para embarcações, a decisão determina que órgãos ambientais e governos da Bahia e de Sergipe criem um plano de sinalização para alertar sobre a presença de Astro e proibir que ele seja tocado, alimentado ou receba bebidas.
Astro foi resgatado ainda recém-nascido no Ceará, em 1991. Três anos depois, tornou-se o primeiro peixe-boi-marinho reintroduzido na natureza no Brasil. Desde então, passou a ser monitorado e acompanhado por pesquisadores.
Acidentes
Ao longo da vida, porém, o peixe-boi sofreu 34 colisões documentadas com embarcações motorizadas. Em alguns acidentes, os impactos foram tão fortes que chegaram a destruir o equipamento de rastreamento instalado no corpo dele.
O episódio mais grave ocorreu em fevereiro deste ano, na Praia do Saco, em Estância, Sergipe. Uma hélice abriu cinco cortes no corpo de Astro, sendo que um deles chegou a 22 centímetros de extensão e seis centímetros de profundidade, atingindo pele, gordura e musculatura.

