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Vai parar? - 12/12/2022, 20:53 - Louise Batista - Atualizado em 13/12/2022, 19:29

ANP pressiona Petrobras para paralisar atividades no prazo de 72 horas

Sindipetro alerta para graves consequências como perda de receitas e desemprego em massa

Diretores do Sindipetro-BA afirmam que a decisão do órgão foi contestada por técnicos da Petrobras
Diretores do Sindipetro-BA afirmam que a decisão do órgão foi contestada por técnicos da Petrobras |  Foto: Reprodução site SindiPetrobras

A Petrobras terá um prazo de 72 horas para que a estatal paralise todas as suas atividades em seus campos de petróleo e gás na Bahia. A notificação foi dada pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nesta segunda-feira (12).

A decisão foi tomada após auditoria realizada na última segunda-feira (05) nas áreas de produção de petróleo e gás da Petrobras, no estado, em campos que vão de Bálsamo a Taquipe e que fazem parte do Polo Bahia Terra.

Na ocasião, os técnicos da ANP encontraram problemas e irregularidades, recomendando a paralisação total desses campos até que a Petrobras regularize todos os problemas.

Os diretores do Sindipetro-BA afirmam que a decisão do órgão foi contestada por técnicos da Petrobras, que chegaram a propor prazos para corrigir os problemas, que de fato existem. Porém, a ANP não aceitou e acabou enviando a notificação para a Petrobras, indicando a parada total dos campos.

Prejuízos

Segundo o Sindipetro-Ba, se paralisado um negócio de 20 mil barris de petróleo por dia e de R$ 4 bilhões de faturamento bruto por ano, impactará diretamente o orçamento de sete municípios (Esplanada, Cardeal da Silva, Entre Rios, Alagoinhas, Catu, São Sebastião do Passé e Araças), que vão deixar de receber o pagamento de royalties e ISS, que é feito pela Petrobras.

A paralisação das atividades vai gerar cerca de 4.500 demissões, que terão de ser feitas pelas diversas empresas que prestam serviços à Petrobras nessas áreas. Além dos impactos indiretos no comércio e cadeia produtiva (hotéis, postos de gasolina, transportes, restaurantes, etc) e na economia, em especial desses municípios, o que afeta consequentemente a economia baiana.

Campos podem ficar parados por seis meses

Para o diretor de comunicação do Sindipetro, Radiovaldo Costa, ”esta é uma decisão absurda e desnecessária”. Ele sustenta que o problema poderia ser resolvido de outra forma e acusa a ANP de intransigência e falta de sensibilidade social com a economia, com a população e com os trabalhadores”.

“Essa parada pode significar uma paralisação total dos campos por cerca de seis meses enquanto as adequações serão feitas, então é um negócio completamente descabido”, reclama Radiovaldo.

O Sindipetro desconfia que há segundas intenções nessa medida radical tomada pela ANP, como mais uma tentativa de retirada total da Petrobras da distribuição terrestre de petróleo e gás na Bahia.

A entidade sindical lembra que a ANP já demostrou, em vários momentos, que não tem interesse que a Petrobras continue nessa atividade e isso significa a privatização total dos campos da estatal, que já está em curso no estado e será finalizada, caso a atual gestão da Petrobras consiga vender o Polo Bahia Terra.

Para Radiovaldo, esta paralisação total das atividades fragiliza qualquer possibilidade de permanência da Petrobras na Bahia.

“Somos contra, queremos a correção dos problemas e ainda investimentos, aumento da produção e geração de mais emprego para que a Petrobras contribua com o fortalecimento da economia baiana. Defendemos que a Petrobras volte a crescer na produção de petróleo no estado a partir do Polo Bahia Terra, comprando novos campos, com atividade exploratória e perfuração de novos poços de petróleo e gás.

Reunião com a ANP

A direção do Sindipetro está buscando uma reunião com a direção da ANP na tentativa de demover a agência desta posição. A entidade sindical também está mobilizando deputados federais e se reunindo com prefeitos e vereadores das cidades afetadas diretamente para evitar a paralisação desses campos.

O governador Rui Costa também foi informado sobre o assunto pelo Sindipetro, que pretende ainda enviar um documento com explicações sobre a problemática que envolve essa questão para o governador eleito da Bahia, Jerônimo Rodrigues.

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