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Legado religioso - 09/02/2026, 20:00 - Da Redação

Samba e ancestralidade marcam desfile do Alvorada em 2026

Tema escolhido para o desfile é "Nengua Guanguacese: 100 anos de mar, folha e fé"

Bloco Alvorada
Bloco Alvorada |  Foto: André Frutuôso / Divulgação

O Bloco Alvorada, mais antigo bloco de samba do Carnaval de Salvador, levará para a avenida, na sexta-feira (13), uma homenagem à sacerdotisa Dona Olga Conceição Cruz, referência do candomblé Angola e liderança histórica do Terreiro Bate Folha. O tema escolhido para o desfile é Nengua Guanguacese: 100 anos de mar, folha e fé.

A proposta marca o centenário de nascimento da ialorixá, nascida em 17 de março de 1925, e conecta religiosidade afro-brasileira, ancestralidade e samba no circuito carnavalesco. Dona Olga dedicou 74 anos ao sacerdócio no Manso Banduquenqué - Terreiro Bate Folha - reconhecido como o primeiro terreiro tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Ela faleceu em abril de 2023, deixando legado religioso e cultural consolidado na Bahia.

Mar, folha e fé

O desfile será dividido em três eixos simbólicos que dialogam com a trajetória da sacerdotisa: o mar, associado à criação e à força da vida; a folha, elemento central nos rituais de cura e axé; e a fé, como elo entre espiritualidade, identidade negra e expressão cultural.

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A predominância do branco no cortejo deve reforçar a referência ao sagrado, enquanto o samba conduz a narrativa que une terreiro e avenida. A proposta é transformar o desfile em um ato de reverência à memória e à resistência das religiões de matriz africana.

Ala de canto reúne nomes do samba baiano

A ala de canto do Alvorada contará com artistas reconhecidos do samba na Bahia, entre eles Bira (Negros de Fé), Arnaldo Rafael, Romilson (Partido Popular), Marco Poca Olho, Valdélio França, Tiago Dantas (Representa) e Rogério Bambeia. Também estão previstas participações de Marquinho Sensação, Renato da Rocinha e Roberto Mendes.

O desfile terá ainda a presença do movimento Banjo Novo, iniciativa que dialoga com o público jovem e propõe novas abordagens estéticas dentro do samba. A participação simboliza a tentativa de aproximação entre tradição e renovação no bloco que abre oficialmente a Sexta-feira de Carnaval.

Imagem ilustrativa da imagem Samba e ancestralidade marcam desfile do Alvorada em 2026
Foto: André Frutuôso / Divulgação

Para o presidente do Alvorada, Vadinho França, o encontro entre gerações é parte da própria dinâmica do gênero. “O samba só existe porque passa de mão em mão, de geração em geração. Quando a juventude chega, ela não apaga a história - ela amplia”, afirma.

Cinco décadas abrindo o Carnaval

Fundado em 1º de janeiro de 1975 por estudantes do Colégio Severino Vieira, no bairro do Gravatá, o Alvorada se consolidou como responsável por iniciar oficialmente o Carnaval de Salvador na sexta-feira da festa. O nome do bloco faz referência justamente ao amanhecer da folia.

Ao longo de cinco décadas, o grupo manteve características próprias, como repertório autoral, ala de canto formada por artistas locais, ala das baianas, passistas e o tradicional galo de três metros que abre o desfile.

Imagem ilustrativa da imagem Samba e ancestralidade marcam desfile do Alvorada em 2026
Foto: André Frutuôso / Divulgação

Além da participação no Carnaval, o Alvorada desenvolve atividades culturais ao longo do ano, como a Feira de Empreendedores Negros, o caruru que marca o início dos ensaios e a Lavagem da Fonte de Nanã, eventos que reforçam a ligação do bloco com o Terreiro Bate Folha e com a cultura afro-baiana.

O desfile conta com patrocínio do Governo do Estado, por meio da Bahiagás e do Programa Ouro Negro, gerenciado pelas secretarias estaduais de Cultura e de Promoção da Igualdade Racial.

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