
Em clima carnavalesco, o Rei Momo do Carnaval 2026 foi escolhido na noite desta sexta-feira (6), durante concurso realizado no Shopping Bela Vista, em Salvador. Trata-se de Neto Rodrigues, de 45 anos, que venceu a disputa e receberá a chave que oficializa a abertura do carnaval na capital baiana.
Não deu pra quem quis. Com torcidas, animação, músicas ao vivo e molho que só o baiano tem, a praça de alimentação do centro comercial se tornou num verdadeiro circuito. E foi aos gritos, vibrações e muita festa que Neto, residente do bairro de Brotas, em Salvador, superou os sete concorrentes e levou a melhor. Durante as apresentações, os candidatos foram avaliados nos critérios de carisma, figurino, criatividade e presença de palco. O segundo lugar ficou com Devison Santos, 20 anos, natural de Feira de Santana.
“Esse é o meu quinto ano consecutivo tentando e dessa vez consegui. É muita emoção, estou tão emocionado que eu não tenho muitas palavras, mas é uma felicidade única conseguir levar essa coroa tão suada, porque não foi fácil, mas eu estou muito feliz e agradecido, tanto a Deus, quanto a essa galera linda que está aqui para fazer o Carnaval junto comigo”, declarou o vencedor, em entrevista ao Jornal MASSA!, momentos após o título.
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Apesar do forte apelo do público durante o concurso, muito se questiona sobre o possível fim da tradição do Rei Momo no Carnaval de Salvador. Presidente da Federação das Entidades Carnavalescas e Culturais da Bahia (FCCBA), Jairo da Mata afirmou que a história deve ser preservada. “Nós temos a cada ano melhorado o concurso e a partir da retomada do Rei Momo, o candidato tem sido escolhido pelos jurados e a sociedade tem abraçado com muita simpatia. O Rei Momo da cidade tem elevado o espírito lúdico da festa, que tem se perdido no Carnaval de Salvador e esse personagem tem o viés de voltar com esse lúdico da festa”, disparou.

História do Rei Momo
Diferente de anos anteriores e como era a tradição, os candidatos não precisam mais estarem acima do peso para concorrerem à vaga. Em entrevista ao MASSA!, o historiador Milton Moura esclareceu como surgiu essa tradição.
"O Rei Momo na tradição medieval renascentista era a negação da realeza. Durante o carnaval existia a inversão carnavalesca, sendo assim, durante os três dias de festa havia uma inversão dos padrões oficiais de tudo. Então, assim como o rei é uma pessoa normalmente saudável, supostamente bonito e rico, o Rei Momo era o contrário disso. Ele era uma pessoa sem o dente direito e deformado como o Corcunda de Notre Dame", lembrou.
Para ele, embora ainda exista esse tipo de concurso, a essência dessa tradição não é mais a mesma. "Na tradição medieval renascentista, o carnaval era a festa em que o centro da rua era ocupado pelos mendigos e pelos aleijados. Mas com o tempo, o Rei Momo foi ficando menos grotesco. Foi ficando, entre aspas, civilizado. Hoje, percebo que o carnaval não tem mais o componente da galhofa, da esculhambação. Para mim, o carnaval é a esculhambação. Já escrevi e pesquisei muito sobre isso. Quanto mais tira do carnaval a esculhambação, o que é que vai acontecer? A esculhambação rebenta de outra forma. Então são muitas coisas de inversão.
Quando questionado ao que ele atribui a queda da tradição, ele citou os comportamentos da sociedade dos tempos atuais. "É a higienização. A sociedade se tornou mais careta. Ao mesmo tempo que ela se moderniza, ela também se tampou. Os adolescentes hoje são muito mais caretas do que 20, 30 anos atrás, tudo deles é o celular", exemplificou.
