
É inquestionável que Salvador é uma das cidades mais desejadas para curtir o Carnaval. A estimativa do Observatório do Turismo da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult) aponta que mais de 1,2 milhão de turistas devem visitar a capital baiana entre os dias 12 e 18 de fevereiro, período oficial da folia, o que representa um crescimento de cerca de 10,2% em relação ao ano passado.
De acordo com a Prefeitura, a movimentação econômica turística prevista é expressiva em 2026. Espera-se R$ 2,6 bilhões ao longo dos sete dias de Carnaval e R$ 1,8 bilhão apenas nos cinco dias principais da folia. O volume é impulsionado por um perfil de consumidor ativo, que movimenta setores como alimentação, bebidas, transporte, hospedagem, comércio, moda, serviços e entretenimento.
Se por um lado tem quem curta todos os dias da folia momesca, por outro há aqueles que usam a festa para trabalhar muito e ganhar uma grana. Como acontece com os cordeiros, trabalhadores que ajudam a organizar o bloco e separar o folião pipoca daquele que pagou pelo abadá.
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De acordo com Matias Santos, de 44 anos, presidente da Associação dos Trabalhadores Cordeiros da Bahia (Sindcorda), há 15 mil profissionais atuando no Carnaval de Salvador e mantendo a segurança nos blocos.
O presidente destaca que a jornada do cordeiro é pesada. "A rotina de um cordeiro é intensa: dupla jornada, alimentação básica com biscoito doce, um salgado, suco e cinco garrafas de águas de 500ml, em até 12hs de trabalho". Em relação à diária, o 'correria' recebe R$ 110. Ainda segundo Matias, trampando 6 dias, o trabalhador pode embolsar R$ 660.
Esse dinheiro costuma fazer a diferença na vida de várias pessoas, como é o caso de Joceane Figueiredo, de 50 anos, que atua na área há mais de 25 anos. "O valor ajuda muito. A gente que é mãe solo traz o sustendo para dentro de casa. A gente sustenta nossos filhos, nosso lar, com esse dinheiro", explicou Joceane, que fez questão de ressaltar que curte enquanto trabalha. "O dinheiro ajuda muito, mas a gente também se diverte no bloco".

Apesar do amor e dedicação pelo trabalho, Joceane revela que já passou por perrengues nessa jornada de cordeira. "Já teve ano, anos atrás, que eu trabalhei e não recebi. É duro, você puxar a corda até o final, você esperar seu pagamento e não receber. Já tive calotes, já passei dificuldades no Carnaval", desabafou.
Recicláveis
Outra galera que trabalha duro na folia são os catadores de recicláveis. A vice-presidente da Cooperativa CAMAPET, Michele Almeida, esclareceu quais as principais dificuldades vividas pelos agentes de sustentabilidade durante o Carnaval. "Infelizmente ainda há poucos recursos para ampliar e melhorar as ações, como mais fardamentos, mais equipamentos de proteção individual (EPIs), capital de giro para adquirir os materiais. O projeto precisa virar política pública".
Trabalhando há mais de 17 anos na área dos recicláveis, Michele destaca que o Carnaval é a época mais lucrativa para os catadores. "Renda que supera os meses fazendo catação nas ruas", disse a vice-presidente, contando que no período da folia os trabalhadores chegam a ganhar R$ 2 mil.
Michele ainda explicou os valores do quilo de cada material reciclado:
➡️ Alumínio: R$ 8
➡️ Pet: R$ 2
➡️ Plástico: R$ 1
A cada 15 kg de plástico coletado, o catador recebe pelo valor do quilo e mais um bônus de R$ 50. Segundo a vice-presidente, isso acontece porque o plástico "não tem valor comercial. Fazemos isso como um incentivo para ele ser coletado e não ir para o aterro sanitário", pontou.

Outro profissional da reciclagem é Elias Pires, que atua na Cooperativa de Reciclagem e Serviços do Estado da Bahia (COOPERES). Ele relata a importância de trabalhar com materiais recicláveis. "Tem a preservação do meio ambiente, geração de trabalho e renda, dá oportunidades às pessoas que vivem em situação de nenhuma ou pouca oportunidade. É uma grande importância".
