
Um capítulo triste de sua própria vida se tornou combustível para uma das iniciativas mais inusitadas do Carnaval de Salvador, mas com um objetivo nobre: proteger a privacidade feminina. No Carnaval, as mulheres ficam ainda mais expostas e, através desse projeto, ganham um motivo para se sentirem seguras, mesmo que por alguns minutos.
A história começou em 2007, quando Jocilene Almeida de Andrade foi vítima de uma tentativa de estupro no circuito Barra-Ondina. As marcas daquela violência ficaram em seu corpo, mais precisamente no ombro e nas costas. No entanto, o trauma vivido foi o que a impulsionou, anos depois, a criar o “Guarda-x3r3c4”, um espaço exclusivo para que mulheres possam utilizar o sanitário com privacidade.
“Eu sofri uma violência aqui na Barra, nesta escadaria. Então, disse a mim mesma que um dia criaria algo onde nenhuma mulher fosse cobiçada ou violentada. O que aconteceu comigo, luto para que não aconteça com mais ninguém”, relatou ao Grupo A TARDE.
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Antes de idealizar o projeto, Jocilene trabalhou como vendedora de queijo coalho, mas os caminhos a levaram a usar a criatividade para desenvolver o espaço, que já existe há seis anos. “Estou aqui para representar todas as mulheres da Bahia e do mundo. Estou neste ponto há seis anos, mas só agora o projeto evoluiu; antes não tinha placa e era muito pequeno”, explicou, destacando que, mesmo improvisado, o local é um sucesso.
Impacto no Carnaval
Ela cobra uma taxa de R$ 2 por pessoa, mas afirma que o propósito vai além do financeiro. Segundo Jocilene, ela já atendeu pelo menos 1.500 mulheres neste Carnaval. “Só posso agradecer a Deus por me dar a oportunidade de representá-las. Faço de coração e vejo o quanto elas ficam felizes”, afirmou.
As clientes, ainda que de forma tímida, elogiam a iniciativa, reforçando que a ideia contribui para que se sintam mais protegidas em seu momento mais íntimo.
